Caçando o cachorro.

Esse mês fui visitar a família no sul do Brasil. Se fosse só matar as saudades estava ok, né, mas e o resto?

Mamãe resolveu passar todos os vídeos VHS da nossa infância para dvd. Era aniversário do pai quando eu resolvi aparecer em Porto Alegre para dar o ar da graça. Ou seja, sessão vale-a-pena-ver-de-novo e contemplação de todos os meus primos correndo de fraldas que nem doidos  (hoje eles trocam as fraldas dos próprios filhos, senti uma nota de vingança fria das minhas tias), minha irmã provando para todos – através de registros históricos e incontestáveis – que era insuportável comigo e me beliscava pelas costas desde os QUATRO anos de idade, e eu assumindo que sim, eu sempre fui a gordinha da família e isso irritava minha mãe (beldade) desde sempre.

Trollando o coleguinha.

Trollando o coleguinha.

Mas também vi muito material para videocassetadas. E memes de internet. Tipo uma cena, no meu aniversário de três anos, em que eu balançava uma cópia barata da Barbie na mão e dizia para inha mãe que ela se chamava PERUA, e de repente o cabelo todo da boneca caia e eu ficava procurando por todos os lados uma causa para o acontecimento inesperado. Outra coisa impressionante foi a constatação de que o Papai Noel do Shopping Praia de Belas é o mesmo desde 1992. Tipo, quase vinte anos no mesmo emprego temporário. Eu, hein.

Minha madrinha era funcionária pública das mais tops, e não tinha filhos e nem muitos parentes. Ou seja, ela tinha grana e não tinha com quem gastar. Então rolava uma vibe meio big brother comigo, do tipo contratar equipe de filmagem para me acompanhar quando eu ia fazer compras no shopping com ela. Sim, essa é uma parte da minha vida que nem meus amigos mais íntimos sabem, e eu inesperadamente tive que encarar e engolir a seco recentemente. Tem videos mostrando eu tomando sorvete, escolhendo bichinho de pelúcia, falando que quando eu crescer eu seria socióloga (oi? com 4 anos eu sabia o que era isso?!), dançando É o Tchan vestida de odalisca e rebolando no bambolê… Enfim.

Legal é ver que eu era mais alta que 80% de todos meus amigos durante a infância toda, e

Do tempo que eu era estilosa... até com o rei leão na mão.

Do tempo que eu era estilosa... até com o rei leão na mão.

hoje eu sou mais baixa que mais da metade deles. Outra coisa incrível é notar que SIM, eu era muito estilosa quando pequena. Tipo, simplesmente me deu vontade de usar aquelas roupas de novo. Haha. Aos 7 anos eu já antecipava a moda das leggins com short jeans em cima. Só que naquela época eu usava uma calça de cotton, e não uma Meia da Loba Fio 80 preta com renda.

(Enquanto eu escrevia esse texto via uma cena espetacular de um aniversário. A gente estava brincando de telefone-sem-fio e eu super coordenando a brincadeira. Daí quando chega a hora do menino que tá do meu lado falar a mensagem no meu ouvido, eu simplesmente levanto e deixo ele falando sozinho. Troll detected. Motivo: minha madrinha chegava na festa com uma caixa enorme com um  microscópio de laboratório, que eu havia pedido há meses –  e  tenho até hoje.)

Será que sou só eu que sofro com essas sessões de vídeo em família?

Ainda bem que eu fui embora antes que alguém colocasse o vídeo da minha mãe parindo a minha irmã. Seria centésima quadragésima quinta vez que eu assistiria, eu acho.

Chega, né?

Abraçada no patins.

Abraçada no patins.

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