O maior erro da galera da minha idade é se esconder por trás das regras convencionais da faculdade, ou por trás da figura do assalariado sempre infeliz com o emprego, ou por trás de um estágio ou bolsa do qual está sempre reclamando.

Quando a gente (clase média) acaba a escola, três caminhos são fato que temos que seguir.

a) fazer faculdade;

b) fazer curso técnico;

c) trabalhar de vendedor, auxiliar de escritório, telefonista, etc (existem inúmeras variações disso, mas é praticamente tudo farinha do mesmo saco);

Existem aqueles poucos que vão pro quartel/marinha/aeronáutica e seguem carreira militar. Considero esses os mais insanos, mas respeito sua integridade moral. Porém eles são tão poucos que nem merecem ser citados na lista acima. Pois bem, continuemos na minha linha de raciocínio tumultada.

Bem, desses três tipos de rumo na vida, eu não vejo nem METADE dizer que ficou feliz com a escolha que fez. A maioria desembesta a fazer concurso público – como se fossem sobreviventes de alguma guerra civil buscando sua cesta básica num campo de refugiados. Outros ficam ali, morando com os pais e ganhando de 500 a 800 reais por mês, se perguntando quando diabos vão ter uma idéia tão genial ou o emprego dos sonhos, para poderem parar de se sentirem fracassados. Tem gente que trabalha na empresa dos pais, sonha em sair daquela mesmice e arranjar um emprego por si só, mas nunca tem coragem de largar o que é seguro para si. Tem gente que usa a faculdade de argumento para não arranjar um emprego melhor, assim como tem gente que não pode largar o emprego para poder continuar pagando a faculdade, e tem ainda aqueles que estudam na federal e terminam o curso sem nunca terem trabalhado.

O que eu quero dizer é que nenhuma dessas coisas é errada. Longe de mim querer vir dar lição de moral, isso é coisa que meu pai faz, não eu. Só que o fato é que as pessoas estão sempre reclamando das escolhas que fazem. Ficam culpando a tudo e a todos. É o mercado de trabalho que tá ruim, é a escola que não foi boa, é a mãe que não aconselhou direito na adolescência, são os estudos que  impedem de ganhar experiência, blablablá.

Eu fico triste. As pessoas deveriam ser satisfeitas e felizes com o que tem. Nem digo que as pessoas tem que lutar para alcançarem o que querem, acho esse papinho meio zZzzZzzzzz. É meio foda ficar o ano inteiro guardando metade do salário para conseguir algo melhor, e deixar de ir em festas ou beber cerveja.

Não é à toa que a palavra “vagabundagem” está em desuso. Esse conceito só toca aquela gente que escolhe não fazer nada da vida e passa os dias no MSN, fazendo compras com o dinheiro dos pais, batendo punheta de madrugada, ou praticando piriguetismo em festas, tentando não lembrar que a vida fácil que assitiu na tv não passa de ficção.

Eu vejo muita graça em ser assalariada, sair com os amigos, aproveitar a liberdade que a vida me deu, falar com orgulho dos meus modestos pontos no vestibular de 2008, estudar demais e deixar o trabalho pela metade (e levar xixi do chefe), ou estudar de menos para trabalhar mais (e rodar em alguma cadeira da faculdade). Sabe, o mundo não vai acabar amanhã,  e a gente vive com muito mais do que precisa, e nós nunca deixamos de ter o mínimo conforto. Ser classe média é um privilégio.

Então pára de te estressar com concurso público, com faculdade que te deixa infeliz, com empreguinho meia-boca que não garante independência financeira.

O mundo inteiro vem vindo na nossa frente. Administra bem o que tu tem, não deixa de fazer o que gosta, e pára de lamentar.

Life is good, como diz o refrão de Fairy Tale, do Shaman.

4 comments

  1. Marcos Vinicius · September 8, 2010

    E pare de reclamar dos que reclamam, que coisa!rsrsrsrsrs

  2. Marcos Vinicius · September 8, 2010

    E pare de reclamar dos que reclamam, que coisa!rsrsrsrsrs

  3. Marcos Vinicius · September 8, 2010

    Bem, complementando, isso que você falou é a mais pura verdade. Tem muita lucidez (parabéns) imaginando alguém para sua idade (mas não fique se achando, rsrsrs). Brincadeira. É um sistema, sabe. Meu pai que faleceu recentemente deixou uma casa e um carro. Não sei vou conseguir ter um patrimônio igual, mesmo tendo uma qualificação melhor do que ele. E ele sempre quis que eu e meu irmão estudássemos, nunca aceitou que trabalhássemos antes do ensino médio, etc. Tem uma diferença entre nós e os americanos por exemplo. Aqui , os pais protegem os filhos até o doutorado – já vi gente PHd morando com os pais, tenha dó….No tio Sam a molecada classe média quando quer dinheiro pra isso, pra aquilo nem tenta chegar no pai e pedir, pois sabe que leva um sonoro ‘não’. Daí eles descolam um trabalho meio período, de férias, um serviço de babá. Aqui a burguesada tem empregadinha, todinho e sei lá mais o que…eu confesso que estou morando (aos 35) com minha mãe, pois fiquei desempregado, mas já estou saindo, passei num concurso-olhe a paranóia do concurso aí…- para o magistério de SP e em janeiro começo nova vida. Estou ralando há quase dez anos, parece que agora vai. Também tem aquela história : os avós constroem, os pais conservam e os filhos destroem…parece que estamos na geração destruidora, que não quer nada com nada, vazia, vadia, ‘balada 24 horas’. Eu ouvi uma vez um ditado, parece válido:’Juventude ociosa, velhice vergonhosa’. Taí. Abraços.

  4. Marcos Vinicius · September 8, 2010

    Bem, complementando, isso que você falou é a mais pura verdade. Tem muita lucidez (parabéns) imaginando alguém para sua idade (mas não fique se achando, rsrsrs). Brincadeira. É um sistema, sabe. Meu pai que faleceu recentemente deixou uma casa e um carro. Não sei vou conseguir ter um patrimônio igual, mesmo tendo uma qualificação melhor do que ele. E ele sempre quis que eu e meu irmão estudássemos, nunca aceitou que trabalhássemos antes do ensino médio, etc. Tem uma diferença entre nós e os americanos por exemplo. Aqui , os pais protegem os filhos até o doutorado – já vi gente PHd morando com os pais, tenha dó….No tio Sam a molecada classe média quando quer dinheiro pra isso, pra aquilo nem tenta chegar no pai e pedir, pois sabe que leva um sonoro ‘não’. Daí eles descolam um trabalho meio período, de férias, um serviço de babá. Aqui a burguesada tem empregadinha, todinho e sei lá mais o que…eu confesso que estou morando (aos 35) com minha mãe, pois fiquei desempregado, mas já estou saindo, passei num concurso-olhe a paranóia do concurso aí…- para o magistério de SP e em janeiro começo nova vida. Estou ralando há quase dez anos, parece que agora vai. Também tem aquela história : os avós constroem, os pais conservam e os filhos destroem…parece que estamos na geração destruidora, que não quer nada com nada, vazia, vadia, ‘balada 24 horas’. Eu ouvi uma vez um ditado, parece válido:’Juventude ociosa, velhice vergonhosa’. Taí. Abraços.