Eu lá toda trabalhada no modismo-hype-consciência-verde, andando de saia e salto de bicicleta, indo para o trabalho. Começou a chover. Uma chuva fininha, daquela que não molha, mas irrita. E assim, eu estou virando a rainha de andar de bicicleta na chuva, e nem é qualquer chuva, é daquelas torrenciais. Tá virando vício. (O problema é que me contaram que a chuva paulista é ácida e eu nem quero ir olhar no google para entender melhor o que pode acontecer, diz que até estraga carro, imagina minha pele?). E aí eu andando naquela chuvinha de nada, nem pisquei. Mais dez minutinhos e eu estaria no trabalho, nem ia molhar o suficiente para perceberem naquela reunião interna de segunda-feira.

Daí eu estou pedalando na chuvinha fina, no meio da pista em plena Joaquim Floriano meio congestionada – porque todo mundo sabe que quando a chuva pega por aqui, por mais idiota que seja, o trânsito e o humor das pessoas muda da água para o vinho e de repente o mundo vira um caos -, e sinto um carro vindo lentamente na minha lateral… na minha direção, para me jogar fora da pista. Respirei fundo e segui, como se não tivesse percebido. É proibido por lei que um carro se aproxime menos de 1,5m de distância de um ciclista, e aquele ali estava a DOIS DEDOS de mim. Aí ele socou o pezão no acelerador e passou super tentando me derrubar. Mas não conseguiu. I won!

Eis que o carro de trás resolve seguir o exemplo do primeiro, e eu sou pega desprevenida no meio da exaltação do feito anterior, e tchaaaam! Sou jogada em direção ao meio-fio. Rolou um desequilíbrio, mas eu joguei a bike para cima e subi meio torta na calçada. Decidi andar um trechinho de uns oito metros por ali, antes de voltar para a pista. Disfarcei, não perdi a pose. Afinal, tem que sustentar muita pose para andar de bicicleta no trânsito caótico, em Sâo Paulo, de salto e saia, né? Nem me abalo.

Mas aí passa um pedestre puto. Mas muito puto. E dá um berro.

VAI PEDALAR EM CASA, TIA!

Pronto.

Estragou meu dia.

Levantei o dedo do meio, mas o que adianta? A pose rolou abaixo e eu esbravejei todos os palavrões que eu conhecia.

Ó povo sem senso, hein.

4 comments

  1. Fabio · November 25, 2011

    Minha pose de bike em São Paulo é uma corrente de 8mm enrolada no peito, calça do Jiu-Jitsu quase rasgada, cara de serial killer e a bike no meio da rua pra mostrar que eu to afim de competir pelo espaço. Quando cheguei nessa cidade percebi que violência gera violência e isso não se faz, mas cordialidade gera tombos e contusões.

  2. Fabio · November 25, 2011

    Minha pose de bike em São Paulo é uma corrente de 8mm enrolada no peito, calça do Jiu-Jitsu quase rasgada, cara de serial killer e a bike no meio da rua pra mostrar que eu to afim de competir pelo espaço. Quando cheguei nessa cidade percebi que violência gera violência e isso não se faz, mas cordialidade gera tombos e contusões.

  3. kv · November 25, 2011

    Solidariedade por um dia de merda. As esposas dormem de calça jeans em sp, só pode. É mto corno por metro quadrado.

  4. kv · November 25, 2011

    Solidariedade por um dia de merda. As esposas dormem de calça jeans em sp, só pode. É mto corno por metro quadrado.