Porque quando eu penso que ouvi tudo que tinha para ouvir deles, eu lembro que ainda não ouvi os albuns de 67 e 68 na íntegra. E aí me deparo com músicas chamadas Lucifer Sam, Mathilda Mother… e por aí vai. Psicodelia do jeitinho que eu gosto de ouvir na minha. Trabalhando, lendo, cantando em coro, viajando dentro de mim mesma.

The Piper at the Gates of Dawn é bom. E é o primeiro! Nunca tinha dado muita bola para ele. Esses dias eu conversei com um amigo no ônibus, e nós vinhamos falando de literatura, sobre o fato de que às vezes o texto de um livro não flui, não ‘arranca’ pra segunda marcha, e a gente não consegue ler, e muitas vezes isso acontece porque temos que ter certa idade ou maturidade experiencial para ler um livro. O mesmo acontece com a música, acredito eu.

Uma vez eu ouvi em algum lugar que o segredo dos casais que ficam anos juntos não é o amar sempre a mesma pessoa; é mudarem juntos, evoluirem como seres humanos juntos, e se apaixonarem novamente… pela mesma pessoa, pelo que ela é no presente, e não pelo que foi no passado somente. É se re-apaixonar várias vezes por vários motivos. Isso aconteceu comigo hoje. Eu sabia que eu amava a banda por vários fatores: leveza, espontaniedade, criatividade, fidelidade ao público. Isso eu já tinha nos álbuns que vão do The Dark Side of the Moon em diante. E agora eu redescubro uma banda inteiramente nova ao ouvir o antes do The Dark Side Aliás, o muito antes. E aí eu me apaixono de novo! Por coisas que não existiam na nossa “relação” antes. Isso é incrível.

Diz a minha mãe que ouviu Pink Floyd durante a gravidez inteira, sendo que nunca curtiu muito esse tipo de som. E depois que ela me pariu, ela não procurou ouvir mais. Mas eu segui ouvindo, sempre. A primeira fita que eu gravei, aos 4 anos de idade, era deles. O primeiro LP que eu quis comprar, era aquele com o prisma na capa (infelizmente acabei ganhando um da Xuxa, que acabei ouvindo igual…). O que me impressiona é que existem, sim, bandas muito melhores por aí. Eu reconheço. Mas a história deles está ligada intimamente à mim, e eles não deixam de ser super bons, até mesmo para a época em que começaram; onde até poderiam ter bandas boas, mas com certeza não era aquele conhecimento e reconhecimento universal e imediato que temos hoje, com a internet.

Pink Floyd é tipo Star Wars. Irreverente, diferente, experimental, tosco para os tempos de hoje, mas fantástico para época em que foi produzido, e cheio de conteúdo nas entrelinhas. Muito, muito bom.

Ouça sempre, e aprecie sem moderação.

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