Levanta a mão o ovo-lacto vegetariano que já apelou largamente para o miojo na preguiça de cozinhar qualquer coisa!

No ensino médio eu aprendi, na aula de química, que o miojo concentra toda a dose diária de lipídeos necessária e ainda leva mais pouquinho de brinde. E já diz a wikipédia: ” É importante que se tenha um consumo moderado desta substância, pois além de conter maior valor energético, não é o primeiro nutriente utilizado pela célula quando ela gasta energia”.

E eu, que fiquei julho inteiro só almoçando miojo… adivinha só? Engordei!

Sem contar que uma dieta de lipideos não é uma coisa lá muito saudável. Na verdade não deve ser de nenhuma forma, né.

Então, a dica para quem vira vegetariano de repente é a seguinte: ao invés de comer miojo, coma ovos. Compre uma frigideira de teflon e frite ovos sem óleo, para não avacalhar o colesterol. Invente pratos, conheça o mundo dos omeletes, compre seleta de legumes enlatado e mande ver na latinha. Coma baguete com azeitona, maionese, cebola, sei lá. É bom para caramba, e dá aquela sensação de preenchimento no estômago, de saciedade oleosa, que antes a gente só conseguia comendo gordura. E se essa história dos ovos não agradou, porque sei lá, de repente você trabalha e não tem fogão no trabalho, só um microondas, eu tenho uma luz para você. Dá para fazer ovo no microondas. Eu sei, eu sei. Um monte de gente já tentou e o negócio simplesmente estourou e sujou tudo. Mas é que o pessoal simplesmente tasca o coitado do ovo no microondas e deu. Não é assim. Tem que fazer um furinho na casca do ovo e deixar no máximo 1min. Depois tu descasca e ele sai inteirinho. Outra coisa que dá para fazer é quebrar o ovo num pratinho e colocar para aquecer; ele fica com aspecto de frito.

Daí vem alguém a pergunta que não quer calar: Vegetarianos comem ovos? Como assim? Não tem pintinho lá dentro?

Então né, vamos lá explicar o que diabos é um ovo. A única analogia que eu conheço não deve parecer bonita para os homens, mas acho que tá na hora da galera parar de frescura e encarar com naturalidade o seguinte: menstruação. Mas que diabos tem a ver menstruação com ovos? Eu respondo, meu amigo: T-U-D-O. Mulheres ficam menstruadas porque o óvulo – que sai das trompas delas todo o mês para dar um rolê no útero e ver se encontra uns espermatozóides gatinhos – não foi fecundado e, portanto, não serve para mais nada. Porque tipo, óvulos tem um tipo de validade, sabe? Eles não podem ficar a vida toda ali rondando no útero depois que eles já passaram do tempo hábil para serem fertilizados. E o que acontece? O organismo tem que expulsar o óvulo e toda a parafernália que o corpo feminino produziu para abrigar uma criança. Isso tudo resulta no quê? Um monte de sangue, oras.

E o ovo?

Ah, pois é. O ovo é a mesma coisa. O ovo é o óvulo da galinha que saiu para dar um rolê mas foi embora da balada no zero a zero; porque o galo não veio. Ou seja; não tem pintinho dentro de todos os ovos. Se você colocar um monte de galinhas para morarem juntas e não tiver nenhum galo presente, elas continuarão a botar ovos – do mesmo jeito que mulheres menstruam mesmo sem ter feito sexo. E sem galo, não tem pintinho; assim como sem homem não tem bebê. Capiche?

Outra pergunta que alguém deve estar se fazendo: então por que alguns vegetarianos são veganos ou lacto-vegetarianos e não comem ovos? Qual é o problema se o ovo não tem pintinho?

Bem, essa resposta é um pouco mais complexa, mas não é impossível de explicar. Existem pessoas que acreditam que isso é especismo – que é mais ou menos como o racismo, nazismo, etc. Acreditam que é como se nós estivessemos fazendo com as galinhas exatamente o que os portugueses faziam com os angolanos na época colonial. O que não deixa de ser verdade. Alguém já viu uma zona de galinhas poedeiras? Ou um aviário? A vida das galinhas é bem miserável. Elas nascem para botar ovos e morrem botando ovos, algumas até sem nunca ter visto a luz do sol. Na verdade, acho que o que fazemos com elas é pior do que nós fazíamos com os escravos.

Última pergunta que não quer calar, depois de tudo isso: mas então por que você continua comendo ovos de galinhas escravas do especismo?

Porque eu acredito que não existe especismo no ato de comer ovos, mas sim no jeito que atualmente tratamos as galinhas que nos fornecem os ovos. Prendê-las em galinheiros sem condição de elas exercerem seus direitos de ser vivo, tirar a felicidade da curta vida delas, essas coisas,  eu acho completamente sem moral.

E sim, os ovos que eu consumo, assim como provavelmente os ovos que são usados para fazer as massas e pães que eu compro para comer, vem sim desses lugares repugnantes. Eu me sinto mal por isso? Sinto sim. Muito. Consumindo coisas que usam produtos derivados de animais, que são tratados nessas condições, só colabora para que continuem explorando esses seres vivos inocentes.

Meu sonho agora, de vida, é consumir ovos de galinhas que vivam em liberdade no campo. Galinhas para quem os ovos realmente não terão nenhuma utilidade depois de expulsos de seus corpos, mas que não viverão para botar ovos, e sim, para viver a vida delas – na sua condição de ser vivo.

Post originalmente publicado em meu blog “Virei vegetariana. E agora?”, neste link.

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