Tento, tento e tento. Mas nunca consigo expressar para os outros minha opinião sobre o amor. Sobre namorar, casar, sobre ser solteira, essas coisas. A questão não é que eu seja solteira convicta, ou que não queria mais me apaixonar de verdade, essas coisas.

Eu encontro cada cara idiota na minha vida, e mesmo assim eu me sinto completamente capaz de um dia acabar amando algum idiota por aí. Porque sabe, se me dessem a chance, eu escolheria ser solteira o resto da vida, porque é mais fácil, é mais confortável, a gente não tem vontade morrer, e nem de matar outra pessoa. Ter raiva de quem se ama é horrível. E como somos todos seres humanos, imperfeitos, é inegável que uma hora ou outra, alguma coisa no nosso ser amado vai nos irritar – e com o passar dos anos coisas irritantes se tornam insuportáveis.

Mas eu sei que, sendo humana, eu não vou escapar de passar a vida inteira ilesa, sem nenhum tipo de relacionamento. E o fato dos relacionamentos não durarem, ou não serem tratados como o tradicional, não siginifica que eu tenha gostado menos das pessoas envolvidas. Uma vez eu percebi que sempre fui apaixonada por alguém que está sempre comigo, sempre presente na minha vida, há mais ou menos uns dois anos. Eu sei que ele também é apaixonado por mim. Mas nós dois juntos rendemos muito mais nessa relação de irmandade, companheirismo, e amizade. É fato. Se agente namorasse, nunca daria certo. E eu me sinto muito bem por abrir mão de ficar com ele, namorar, essas coisas, porque a amizade dele vale muito mais a pena para mim. E ele sabe de tudo isso. Sabe sem que eu tenha que dizer. Sem contar que todo mundo sabe que ele não é o único.

Me apaixono. Me apaixono seguidamente. Porque todo mundo tem algo de bom para nos oferecer.

Isso não significa que eu tenha que consumar todas as minhas paixões. Entende? Eu posso muito bem sofrer por amor… por alguém com quem eu nunca dividi um beijo.

Nunca descartei a possibilidade de me apaixonar de verdade, de novo. Do jeito tradicional. Só quem já amou de verdade alguma vez na vida sabe a dor que essa felicidade provoca. E eu sei, honey, eu sei. É por isso que tem sido tão difícil e tão fácil amar de novo.

Amar sem se entregar é mais seguro.

Amar os amigos é melhor, é mais fácil, é mais bonito.

Mas ia ser legal envelhecer com alguém – toda aquela história de os dois mudando juntos, amadurecendo juntos, se tornando novas pessoas a cada ano que passa… e se re-apaixonando por aquela nova pessoa que vai surgindo no lugar de quem tu ama. É lindo.

2 comments

  1. Marcos Vinicius · August 30, 2010

    Esse é um problema…esse discurso ‘burguês’ de amor impossível gera um ideal mais libertário ainda e mais classe média ainda. A impossibilidade do amor é um ideal romântico (produto classe média) e a impossibilidade de sair da impossibilidade é também um ideal classe média.
    Entendeu? Acho que o homem das cavernas era mais feliz algumas vezes…

  2. Marcos Vinicius · August 30, 2010

    Esse é um problema…esse discurso ‘burguês’ de amor impossível gera um ideal mais libertário ainda e mais classe média ainda. A impossibilidade do amor é um ideal romântico (produto classe média) e a impossibilidade de sair da impossibilidade é também um ideal classe média.
    Entendeu? Acho que o homem das cavernas era mais feliz algumas vezes…