A atitude em ser um escritor sempre me paraceu muito umbiguista.

Escrever é um ato muito solo, na raiz do significado dessa palavra mora um mínimo gosto para o narcisismo. Conheço um montão de gente que escreve para caramba. Metade tem um estilo, mas não tem assunto útil, e o faz com tanta arrogância e lirismos que torna a leitura insuportável. Por outro lado tem gente com idéias execelentes, mas estilo nenhum, o que torna a leitura de uma história fantástica… insuportável e sem ritmo.

Sempre sonhei em fazer jornalismo até que um dia eu acordei para vida e descobri que o que eu queria mesmo era ser escritora. E quem precisa de faculdade para ser escritor? Ninguém! Basta ter feito o primário. Oras, talvez nem isso. Para ser escritor basta saber escrever. Obviamente que temos muitas interepretações sobre essa frase, né? Mas a essência é essa. Ajuda 99% se você ler bastante também, principalmente para não cometer as mesmas mancadas que outras pessoas fizeram – e não necessariamente para se inspirar. Fato é que escritora eu nunca virei. Tenho um livro completo engavetado, escrito aos 13 anos de idade, e mais dois pela metade. Nunca iriei publicá-los, por mais que o meu primeiro livro seja muito divertido de ler – o que é suspeito de falar, afinal, só eu mesma o li. Mas aquilo que me agrada de ler pode ser que não agrade ninguém mais. Sem contar que eu não tenho nada de útil a dizer nos meus livrinhos, só.. entretenimento. E isso tem gente que faz há anos, e muito melhor que eu. O mercado está lotado.

(obs: Então né, já que escrever é minha diversão, e não meu ganha-pão, eu decidi ir estudar coisas que fossem bem distantes da minha suposta tendência literária. Fui para área de exatas. E sabe… tem sido bem divertido. )

Ser escritor hoje é muito mais cool se lançar livro em formato e-book, se for músico também, ou se tiver uma grande jornada de vida para contar. Fora isso, os únicos que vivem bem, e com um nome minimamente reconhecido e respeitado, são os escritores de gerações mais antigas – que sobrevivem pela sua fama, seu ancorismo cultural, os jornais que os publicam, etc.

Ser lido hoje é um grande desafio.

A internet é a anarquia que eu sempre sonhei existir, desde a minha mais remota infância. Terra de ninguém, lar do anonimato, la garatia soy yo, onde novos sites, dos mais variados assuntos, surgem a todo o momento para disputar a atenção do leitor… Onde a alternativa de leitura está a um clique.

Chegamos ao tempo em que os leitores são os motherfuckers, e os escritores perderam seu monopólio de verdades; perderam o direito de falar o que querem e serem ouvidos em silêncio pelo seu público. Se os leitores não quiserem ler, eles não lêem. Se não gostarem do que escreveu, existe a caixa de comentários, o email, o twitter…enfim.

Não sou escritora, não sou repórter, não sou poetisa, não sou roteirista. Não.

Sou blogueira.

2 comments

  1. Marcos Vinicius · September 13, 2010

    Dentro da minha genialidade nunca me passou pela cabeça esses ideais narcisistas.
    Falando sério, sou mais fã do Hemingway – nunca leu nada até os vinte (apenas as sugestões delicadamente empurradas goela abaixo na escola) e parece que fez bem a ele, que virou um grande escritor. Essa coisa de livro, livro, livro às vezes me cansa, já pensei em tacar fogo nos meus aqui em casa e fazer sinais de fumaça, me comunicar em algo mais primitivo. Meu sonho de consumo é ir para uma ilha deserta sem nada impresso(apenas um notebook). Eu imagino – isso é só na minha cabeça mas pode ter algo de verdade – que a net é benéfica porque é virtual, assim como as idéias são e aqui não há a fetichização de livros e autores que se deu nos séculos depois de Guttemberg.

  2. Marcos Vinicius · September 13, 2010

    Dentro da minha genialidade nunca me passou pela cabeça esses ideais narcisistas.
    Falando sério, sou mais fã do Hemingway – nunca leu nada até os vinte (apenas as sugestões delicadamente empurradas goela abaixo na escola) e parece que fez bem a ele, que virou um grande escritor. Essa coisa de livro, livro, livro às vezes me cansa, já pensei em tacar fogo nos meus aqui em casa e fazer sinais de fumaça, me comunicar em algo mais primitivo. Meu sonho de consumo é ir para uma ilha deserta sem nada impresso(apenas um notebook). Eu imagino – isso é só na minha cabeça mas pode ter algo de verdade – que a net é benéfica porque é virtual, assim como as idéias são e aqui não há a fetichização de livros e autores que se deu nos séculos depois de Guttemberg.