aquele sobre quando pegaram nos meus peitos no ponto de ônibus

Daí que eu me mudei outra vez. Pela sétima vez. Se eu não ficar nesta casa pelo menos um ano, eu juro que me mudo para outra cidade. São Paulo tá me dando uma surra de adaptação.

Notei que tenho hábitos estranhos hoje quando coloquei Nickelback para tocar no Grooveshark depois de ter ficado três dias direto escutando Morphine e Porcupine Tree. E depois de 22 anos de vida tendo Pink Floyd como minha banda favorita de todos os tempos, frente a várias oportunidades de comprar o ingresso para ir no show do Roger Waters, eu me neguei veementemente a pagar 300 reais para ver seu show. Achei uma afronta.

Eu já paguei valores semelhantes para ir em outros shows antes – AC/DC, Rush.. -, mas agora NUNCA MAIS. Too much, baby. Alguém contou para esses ilustres músicos quanto é o salário mínimo no Brasil? Depois neguinho vem fazer crítica ao capitalismo, como o Waters fez no domingo. Ah vá.

Bem, voltando ao assunto dos hábitos, eu estava deitada na cama ouvindo a porra do Nickelback e ouvi passos do lado de fora. Pensei: minha amiga chegou. E de repente deu um pânico desgraçado de ela ouvir a música que eu estava escutando, e assim, Nickelback deve ser pior do que descobrir que seu amigo curte Chiclete com Banana e vai no trio elétrico todo carnaval de Salvador, sabe? No way.

Mudei rapidinho para Offspring. Menos julgamentos.

Então eu pensei porque eu estaria me importando, sabe? Semana passada eu senti uns dedos gelados no meu decote, enquanto eu estava sentada no ponto de ônibus e fazia o primeiro dia de frio nessa cidade cheia de garoa.  E era uma velha querendo tapar meu decote. Postou o dedo em riste, depois de repetir o gesto do decote com mais três garotas no ponto, e disse: Jesus disse que se um homem olhar para nós, mulheres, e imaginar fazer coisas conosco, mesmo que só na imaginação dele, então nós já seremos adúlteras.. blablablá.

Pegou o ônibus e foi embora. Me arrependi amargamente de não ter empurrado-a em plena avenida Rebouças, na frente do ônibus, de modo que ele não pudesse desviar. Eu poderia sair correndo desembestada pela Oscar Freire até a loja mais chique que pudesse encontrar e me esconder lá. Certamente faria um favor à sociedade. Mas tudo que pude fazer foi ficar olhando pra velha, estupefata e espantada com tamanho atrevimento. Ao invés de ficar imaginando joga-la na avenida, eu deveria ter levantado minha blusa e mostrado meus peitos.

Talvez ela morresse de infarte.

O que me leva a outra questão, que é a da minha amiga que eu pensei que estava entrando na casa enquanto eu ouvia aquela banda horrível. Daqui alguns dias ela vai embora para Minas, e depois para o Rio, e eu vou morar sozinha com meus gatos na minha própria casa. Finalmente. Minha casa fica no início da Zona Leste – yeah, da ZL mano! -, bem longe dos lugares onde morei antes e onde eu gastava uma média de 1200 a 2000 reais com a porcaria do aluguel, internet, condomínio, supermercado, etc. Chega. Chega dessa palhaçada. Eu não preciso morar do lado da avenida Paulista, cacete. Não nasci rica, não vou morrer por isso.

O problema de toda essa rabugice é notar que mesmo com mais de vinte anos na cara, e quase dez anos de relacionamentos imbecis, eu nunca soube lidar bem com rompimentos. Mesmo que eu tenha levado um pé na bunda meio falido, meio que já voltando atrás desde a primeira frase, isso me deixa com um mau humor que eu nem sei descrever. Acho que é a única coisa que me deixa assim. E a revolta por ter desistido de ir visitar meus cachorros, meus pais e meus amigos em Porto Alegre porque queria ficar com a criatura no feriado e daí ele vai lá e me chuta. Tipo, fiquei frustrada. Mas a esperança é a última que morre, então aguardemos. Caso contrário, não terá vídeos novos o suficiente no redtube para dar conta.

Outra coisa que me aborrece é a bagunça pós-mudança que ficou nessa casa. É caixa e mala para tudo que é lado, um caos. Preciso dar um jeito de limpar um monte de coisas, trazer meus gatos logo, colocar uma cortina no box do banheiro, comprar uma furadeira e prateleiras… Mas esse pé na bunda atrasou minha vida. E a falta de dinheiro na conta atrapalhou também.

Preciso parar de escrever porque tenho que voltar para magazine luiza, o ponto frio e a colomboo online. Tenho que comprar móveis urgente.

(Senti saudades do blog, espero que vocês também).

Ainda tenho dúvidas se sou adulta ou responsável o suficiente para morar sozinha com dois gatos e um butijão de gás. Me desejem sorte.

 

14 comments

  1. Izabela Buzetti · April 3, 2012

    A vida as vezes é bem dura, mas no fundo essa acaba sendo uma das belezas da vida…
    Você é forte, já já vai rir dessa situação! :)
    Por enquanto, estamos aqui para os “porres de pé na bunda”… também estou precisando! :D

    Boa sorte na casa nova! ^^

    • garotacocacola · April 3, 2012

      Valeu Iza! Você é uma ótima amiga, sempre. :) Adoro ter você por perto.

  2. Izabela Buzetti · April 3, 2012

    A vida as vezes é bem dura, mas no fundo essa acaba sendo uma das belezas da vida…
    Você é forte, já já vai rir dessa situação! :)
    Por enquanto, estamos aqui para os “porres de pé na bunda”… também estou precisando! :D

    Boa sorte na casa nova! ^^

    • garotacocacola · April 3, 2012

      Valeu Iza! Você é uma ótima amiga, sempre. :) Adoro ter você por perto.

  3. Francine Emilia Costa · April 3, 2012

    Avise se precisar de ajuda com a furadeira xD

  4. Francine Emilia Costa · April 3, 2012

    Avise se precisar de ajuda com a furadeira xD

  5. Marília Moschkovich · April 3, 2012

    Eu adoro quando vc vem com estes posts estilo “spreading my wings to fly”, irmãzinha. Tamos aí pra furadeiras, chás de panela, almoços e afins. Been there. Morar sozinha, sozinha de tudo. É a delícia. A perdição. Não é fácil. Mas é fundamental. Como aprendi no tempo em que morei sozinha… Fiz muita merda, me f*di, entrei em depressão, saí da depressão… Uma jornada que me permitiu ser quem sou hoje… <3 Te amo, bebê.

  6. Marília Moschkovich · April 3, 2012

    Eu adoro quando vc vem com estes posts estilo “spreading my wings to fly”, irmãzinha. Tamos aí pra furadeiras, chás de panela, almoços e afins. Been there. Morar sozinha, sozinha de tudo. É a delícia. A perdição. Não é fácil. Mas é fundamental. Como aprendi no tempo em que morei sozinha… Fiz muita merda, me f*di, entrei em depressão, saí da depressão… Uma jornada que me permitiu ser quem sou hoje… <3 Te amo, bebê.

  7. Tati Lopatiuk · April 3, 2012

    Estou indo no caminho contrário: querendo sair do bairro e ir morar perto da Paulista. Me deseje sorte.

    • garotacocacola · April 3, 2012

      Lá é ótimo, eu gosto muito. Só cansei da intensidade excessiva das coisas todos os dias… e do preço dos serviços. Mas tem gente que curte morar lá há anos – minha ex-roomie legal não quis abrir mão, por exemplo.

  8. Tati Lopatiuk · April 3, 2012

    Estou indo no caminho contrário: querendo sair do bairro e ir morar perto da Paulista. Me deseje sorte.

    • garotacocacola · April 3, 2012

      Lá é ótimo, eu gosto muito. Só cansei da intensidade excessiva das coisas todos os dias… e do preço dos serviços. Mas tem gente que curte morar lá há anos – minha ex-roomie legal não quis abrir mão, por exemplo.

  9. Ariadne Melo · April 3, 2012

    Engraçado Nessa, eu acompanho o seu blog mas não associei você ao blog depois que a gente se esbarrou na lista NerdGirls. Aí acessei meu Google Reader depois de muito tempo e aqui estava este post. :)

    Bom, apesar das semelhanças nerdísticas nós somos muito diferentes nisso – eu detesto mudanças, principalmente mudanças de casa. Mas também já me mudei 7 vezes aqui em São Paulo (em 5 anos) então sei bem o que é essa surra de adaptação.

    Desejo sorte nessa sua nova empreitada. :) E como eu estou de mudança de novo – pela 8ª vez – deseje-me sorte também. (E indicação de lugares e imobiliárias são sempre bem-vindas.)

  10. Ariadne Melo · April 3, 2012

    Engraçado Nessa, eu acompanho o seu blog mas não associei você ao blog depois que a gente se esbarrou na lista NerdGirls. Aí acessei meu Google Reader depois de muito tempo e aqui estava este post. :)

    Bom, apesar das semelhanças nerdísticas nós somos muito diferentes nisso – eu detesto mudanças, principalmente mudanças de casa. Mas também já me mudei 7 vezes aqui em São Paulo (em 5 anos) então sei bem o que é essa surra de adaptação.

    Desejo sorte nessa sua nova empreitada. :) E como eu estou de mudança de novo – pela 8ª vez – deseje-me sorte também. (E indicação de lugares e imobiliárias são sempre bem-vindas.)