Uma nação de concursistas, é o que estamos criando. Em busca da segurança capital, inserida pela nossa cultura de economia supostamente frágil,  e pelo nosso ensino bovino – pois criamos verdadeiros rebanhos passivos em nossas salas de aula -, o aluno de hoje é o concursista de amanhã. Alguém que busca trabalhar menos e ganhar mais, sem nenhum senso de sua contribuição para o mundo, sem nenhum senso de sua contribuição para si mesmo.

Não, eu não acho que quem faz concurso público é idiota, mesquinho, burro, etc, como talvez as pessoas pensem que eu acho. Na verdade nem tenho nada contra, e acho que devemos parabenizar quem consegue passar. O que eu critico é a falta de opções que as pessoas criam para si. Eu vejo a maioria do pessoal enlouquecendo, fazendo concurso atrás de concurso, como se fosse o único caminho seguro a se seguir sendo brasileiro e classe média. Ninguém mais reflete se vale a pena ou não, ninguém enxerga outras alternativas para si. Eu não tenho muita vontade de fazer concurso público, porque quem o faz é quem se dispõe a ficar a vida inteira fazendo a mesma coisa, quem se propõe a seguir uma linearidade profissional em prol da segurança financeira. E não há nada de errado nisso, cada um faz o que quiser da vida. Eu é que não quero isso para mim; abro mão da segurança pela aventura que é experimentar muitas carreiras e possibilidades, detesto rotina. Mas isso é minha opinião estritamente pessoal, honey, então não importa para ninguém, a não ser para mim mesma.

O que me preocupa e me deixa muito chateada é o que ensinamos para nossas crianças, dentro de casa e na escola. Ninguém aponta para os jovens que existe uma infinidade de opções que vão muito além dos combos cursinho+faculdade+mestrado, ou faculdade+concurso público+aposentadoria garantida, ou curso técnico+emprego+fgts+emprego novo+carreira+aposentadoria, etc. Ninguém se preocupa em mostrar para as pessoas que além de ser uma máquina fazedora de dinheiro e consumidora, precisamos tomar consciência da nossa importância para nós mesmos e  para o mundo.

Vou ser feliz tendo grana mas me estressando com o trabalho todos os dias?

Vale a pena anular minha capacidade de liderança ou de pró-atividade para garantir minha aposentadoria?

Vale a pena deixar de fazer aquela viagem para manter meu conforto financeiro?

Podem parecer perguntas ridículas, mas eu as faço para mim mesma seguidamente. Acredito que o que me faz feliz é muito mais a qualidade do meu dia a dia, do que os números que aparecem na minha conta corrente no fim do mês. Obviamente que esses números são importantes, mas eu não acho que eles são o mais importante. E isso é algo que ninguém nos ensina na escola, na faculdade, ou em qaulquer curso. Nem mesmo em casa. Os nossos pais são todos frutos de uma época difícil aqui no país – falo isso assumindo que a maioria do pessoal que me lê tem a faixa etária de 15 a 25 anos -, e que a estabilidade financeira era a maior preocupação de todo mundo. Claro que não deixou de ser uma preocupação, mas essa agonia resultou na criação de uma nação de concursistas hoje. E muitos nem refletem se essa é a escolha mais acertada para si. Se é, ótimo. Agora, se ainda não se perguntou, como saber?

8 comments

  1. radiske · June 10, 2010

    Acho que tudo se resume numa coisa.

    Eu faço o que eu faço, pq tenho que fazer. Não faço o que quero, pois não tem como. E acho que é assim pra maioria das pessoas.

    Pegue de exemplo meu irmão. Passou num concurso, trabalha 7 dias por semana, sem sabados, sem domingo, ganha muito bem e parte disso é pra pagar a faculdade, que ele quer e sempre quis fazer. Mas sem o concurso publico, nao iria existir a possibilidade da faculdade.

    Eu estou condenado a viver mais uns 10 anos na frente de um computador, me enrolando em macarronadas de cabos e tocando café guela abaixo em sala de servidores enquanto eu não posso fazer minha faculdade de Psicologia. É simples assim.

    90% das pessoas não faz concurso pra se acomodar. É deixar de fazer o que você quer, para UM DIA haver uma possibilidade de fazer. Pois infelizmente se eu fizer o que eu quero agora, não vai haver um numero sequer na minha conta(tirando os varios zeros e os negativos).

    Eu tenho pensado muito sobre esse assunto nos ultimos dias, e tenho me stressado pra caralho, até foi uma surpresa ter lido isso aqui logo agora. Ja tive por largar meu trampo, começar uma coisa nova… mas tudo envolve o que eu não gosto de fazer, que ja me saturou… Talvez seja um grave problema meu de não conseguir insistir nas coisas… mas enfim, coisa por coisa, me stresso um pouco mais e ganho mais, pra quem sabe um dia, eu venha a passar na UFRGS ou possa pagar uma faculdade.

    E também, nada contra tua posição ou teu post, isso aqui foi só um… sei lá… fui pego de surpresa mesmo pois leio isso aqui sempre e esse assunto tem me deixado muito perturbado, então eu não sei mais o que pensar sobre isso.

  2. radiske · June 10, 2010

    Acho que tudo se resume numa coisa.

    Eu faço o que eu faço, pq tenho que fazer. Não faço o que quero, pois não tem como. E acho que é assim pra maioria das pessoas.

    Pegue de exemplo meu irmão. Passou num concurso, trabalha 7 dias por semana, sem sabados, sem domingo, ganha muito bem e parte disso é pra pagar a faculdade, que ele quer e sempre quis fazer. Mas sem o concurso publico, nao iria existir a possibilidade da faculdade.

    Eu estou condenado a viver mais uns 10 anos na frente de um computador, me enrolando em macarronadas de cabos e tocando café guela abaixo em sala de servidores enquanto eu não posso fazer minha faculdade de Psicologia. É simples assim.

    90% das pessoas não faz concurso pra se acomodar. É deixar de fazer o que você quer, para UM DIA haver uma possibilidade de fazer. Pois infelizmente se eu fizer o que eu quero agora, não vai haver um numero sequer na minha conta(tirando os varios zeros e os negativos).

    Eu tenho pensado muito sobre esse assunto nos ultimos dias, e tenho me stressado pra caralho, até foi uma surpresa ter lido isso aqui logo agora. Ja tive por largar meu trampo, começar uma coisa nova… mas tudo envolve o que eu não gosto de fazer, que ja me saturou… Talvez seja um grave problema meu de não conseguir insistir nas coisas… mas enfim, coisa por coisa, me stresso um pouco mais e ganho mais, pra quem sabe um dia, eu venha a passar na UFRGS ou possa pagar uma faculdade.

    E também, nada contra tua posição ou teu post, isso aqui foi só um… sei lá… fui pego de surpresa mesmo pois leio isso aqui sempre e esse assunto tem me deixado muito perturbado, então eu não sei mais o que pensar sobre isso.

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  5. simone · June 10, 2010

    entao, nao da pra concordar com voce assim tao seco porque tudo é relativo. eu vou prestar concurso, mas pra diplomacia, exatamente porque eu creio que nessa profissao eu vou poder fazer algo que importe e ajude os outros com as habilidades que eu tenho.
    mas isso de segurança (relativa) nao é so relativa a concursos. quqnta gente nao faz direito-medicina-adm so porque “sao cursos com emprego garantido”? (engano risivel…)
    ps: desculpe pelos acentos e erros, teclados franceses sao o mal prensado em plastico…

  6. simone · June 10, 2010

    entao, nao da pra concordar com voce assim tao seco porque tudo é relativo. eu vou prestar concurso, mas pra diplomacia, exatamente porque eu creio que nessa profissao eu vou poder fazer algo que importe e ajude os outros com as habilidades que eu tenho.
    mas isso de segurança (relativa) nao é so relativa a concursos. quqnta gente nao faz direito-medicina-adm so porque “sao cursos com emprego garantido”? (engano risivel…)
    ps: desculpe pelos acentos e erros, teclados franceses sao o mal prensado em plastico…

  7. tati · June 10, 2010

    sempre me pergunto isso. todo dia. grana ou satisfação diária com a rotina, seja ela qual for? pois sempre respondi da mesma forma: de que adianta poder passar férias na europa se vais passar o ano todo contando os dias que faltam pras férias? prefiro um emprego que me faça esquecer que férias são necessárias (sim, my dear, pq emprego todos precisam), prefiro gostar de cada dia e levantar feliz pq gosto do que faço do que juntar cifras no banco. pra minha sorte, parece que encontrei isso fazendo concursos, ou num concurso em especial. mas dai foi sorte… tem que jogar com TODAS as moedas, sempre. quando aparece uma promissora… não importa qual, experimente.

  8. tati · June 10, 2010

    sempre me pergunto isso. todo dia. grana ou satisfação diária com a rotina, seja ela qual for? pois sempre respondi da mesma forma: de que adianta poder passar férias na europa se vais passar o ano todo contando os dias que faltam pras férias? prefiro um emprego que me faça esquecer que férias são necessárias (sim, my dear, pq emprego todos precisam), prefiro gostar de cada dia e levantar feliz pq gosto do que faço do que juntar cifras no banco. pra minha sorte, parece que encontrei isso fazendo concursos, ou num concurso em especial. mas dai foi sorte… tem que jogar com TODAS as moedas, sempre. quando aparece uma promissora… não importa qual, experimente.