Estive nas três posições. Fumante, não-fumante e anti-fumante, e me sinto muito à vontade para falar das três. Incluindo a não citada “ex-fumante”.

Existe toda uma diversidade de coisas curiosas num lugar que tenha os três tipos. Temos todo um tratamento estranho, cada um de nós, para lidar com cigarro. A coisa que me deixa mais interessada em toda a temática do cigarro e a relação das pessoas com ele, é o fato da constante tentativa de alguns não-fumantes de convencer os fumantes de que cigarro faz mal. Tipo… E agora, José? Como explicar para essa galera que fumantes têm televisão, internet, e já foram à escola?

É muita ingenuidade um ser humano, adulto, com o mínimo de educação oferecida pelo nosso país – que é a conclusão da escola básica, do Ensino Médio -, não se dar conta de que um fumante certamente, antes mesmo de pôr o primeiro cigarro na boca, já sabia dos males do fumo. Me parece que existe uma espécie de obrigação das pessoas em alertar que aquilo faz mal, e é como se elas acreditassem que num esforço em conjunto elas fariam um bem àquele ser humano: fazendo-o parar de fumar e garantindo que ele tenha uma vida mais saudável. O que me deixa em dúvida sobre essa explicação é que quando um casal está brigando na rua e a mulher é agredida, ninguém vem em socorro da mulher, na tentativa de privá-la da violência que a machuca psico e fisicamente. Logo, o sentimento de ajudar o fumante só pode ser falso. Outras situações assim acontecem o tempo todo por aí.

O que eu entendo sobre os alertas constantes a quem fuma é um sentimento de picuinha. Todo mundo sabe que fumar faz mal, muita gente enche a boca para contar que nunca pôs um cigarro na boca, porque cheira mal, vicia, é caro, etc. Mas o que muita gente não-fumante deve pensar é: então, se cigarro é tão ruim assim, por que tanta gente fuma? Por que tanta gente que sabia que o cigarro era ruim começou a fumar e depois não largou? Porque é fato, nas primeiras semanas que se fuma ninguém está viciado, todo o cigarro aceso nesses dias foi fumado por livre e espontânea vontade, e não por desejo descontrolado. Daí que eu penso que as pessoas tem que estar sempre dizendo em voz alta que cigarro faz mal para poder afirmar para si mesmas que não estão perdendo nada, que não estão se privando de um prazer a mais nessa vida curta, e que eles devem ser louvados por estar acima dos pobres fumantes, fracos em seu vício.

Para ser fumante hoje em dia tem que ser corajoso. Todo mundo te olha de cara feia. Pessoas que te conhecem a certo tempo, ao descobrir que você  fuma, automaticamente já lhe atribuem algum tipo de traço perverso. Se você for mulher, pior ainda. Passam a te encarar como uma mulher um pouco menos inocente, um tanto mais conhecida “das coisas da vida”, com um quê a mais de promiscuidade – eu não saberia descrever com exatidão esse sentimento, mas eu consigo senti-lo vindo das pessoas. Como se inocência numa mulher a fizesse melhor do que as outras, e o cigarro, no papel de elemento que diminui a sensação de ingenuidade numa mulher, fosse um vilão da moral e dos bons costumes que aureiam essa mulher.

Alguém já sentiu que cigarro tem um tom de sexual? É interessante como uma coisa seca, fedida, que solta fumaça e polui o ar, seja algo que inspire tanto sexo. Não sei se é a tendenciosa forma fálica, ou a aura misteriosa que a fumaça constrói em volta do fumante. Por isso que eu acho os anti-fumantes a racinha de gente mais imbecil com quem eu já cruzei nessas paragens. Gente que deixa de conhecer outras pessoas só porque fumam, gente que deixa de fazer sexo porque o parceiro fuma. Sabe? Gente broxante essa. Se alguém começa a me dizer “nunca ficaria contigo porque tu fuma” eu já agradeço automaticamente aos céus por a pessoa ter dito isso tão cedo, antes que eu começasse a me envolver com ela. Porque pessoas que dispensam a companhia das outras por causa de um cigarrinho são os seres mais quadrados, fechados e – provavelmente – os mais cheios de traços e “coisinhas” abomináveis, que os tornam insuportáveis para conviver com outros humanos.

Obviamente temos fumantes sem-noção, que mesmo quando não estão fumando sustentam um cheiro insuportável e sufocante de fumaça em torno de si. Cujos dentes e unhas amarelados os tornam menos atraentes, cuja tosse rouca transpareçam um perfil doente. E ninguém gosta de ter doentes por perto, a humanidade aprendeu a temer e manter distância de doenças desde os primórdios, instinto da auto-preservação. Fumantes compulsivos. Esses aí são tão ruins quanto o mais neurótico não-fumante. São o símbolo supremo da falta de educação e respeito pelo próximo, já que tornam constragedor o fato de estarmos na sua presença, porque sustentam o cheiro do cigarro mesmo no momento que não estão fumando, e portanto, não dão a opção da pessoa se afastar justificando a fumaça no ar.

Quem fuma deve ter o hábito de ter o famoso kit – que eu sempre cito quando falo em cigarro – que deve conter drops/balas de menta ou hortelã, ou chicletes, e um sabonete líquido ou creme para as mãos, que tire aquele cheiro de si. Enquanto não estamos fumando as pessoas na volta não são obrigadas a aguentar nosso cigarro, entendem? Se fumamos, as pessoas tem a opção de permanecer conosco ou não. Mas num ambiente de trabalho, por exemplo, depois de dar aquela fumadinha na sacada do escritório ou no corredor do prédio, nenhum colega de trabalho é obrigado a aguentar o cheiro desagradável que o fumante traz consigo.

Já falei mil vezes aqui. Já fui fumante inveterada, de fumar mais de uma carteira de Lucky Strike por dia, também já fui anti-fumante, não-fumante, e hoje comemoro dezembro como o mês que menos fumei no ano – apenas duas vezes. Cada dia sinto menos a vontade de fumar, cada dia mais a fumaça do cigarro me parece fedida e desnecessária. Porém, cada dia eu me sinto na obrigação de defender o direito das pessoas fumarem por aí sem serem encaradas como seres diabólicos que perturbam os ambientes.

Não me venham com a história de fumantes passivos que tem câncer, etc e tal. Esses casos são isolados e extremamente problemáticos, pois tratam de famílias cujos membros não respeitam um ao outro. Cujo pai fumante não respeita o filho pequeno ao lançar baforadas à sua volta o dia inteiro. Esses casos devem ser tratados sim. E neles se enquadram os atendentes de casas noturnas e bares, que são não-fumantes, mas sofrem de problemas iguais aos dos fumantes porque são expostos à fumaça constante durante seu expediente. Isto está sendo resolvido agora com as leis que proibem o uso de cigarro dentro de lugares fechados, e acho que essa lei vem para proteger esses trabalhadores, e não os playboyzinhos que vão para festa e ficam se irritando com o cigarro dos outros – sabendo que indo para a balada já encontrariam esse tipo de coisa no ambiente. Apoio a lei, mesmo sendo prejudicada pela perda do meu direito de fumar enquanto bebo numa festa, e ter que ir para rua para poder fazer isso, porque entendo que ela me tira um direito mas cumpre um dever com a sociedade, que é respeitar qualquer tipo ou categoria de empregado.

Me estendi demais no assunto, mas espero ter demonstrado todas as minhas considerações.

8 comments

  1. Renan Akamine · December 27, 2010

    Tem vícios que incomodam mas o cigarro certamente bate todos os recordes. A começar pelo cheiro insuportável que, mesmo você cuidando para não espalhar, deixa tudo ao redor fedido. Que direito é esse que manda um ‘foda-se’ aos cuidados que os outros tem com a própria aparência e saúde?

    O cigarro em si já é um problema. Ele é feito para dominar o corpo e ganhar mais consumidores desonestamente. Talvez você não se encaixe no perfil mas a liberdade de muitos fumantes é ceifada a partir do momento em que o corpo é dominado pela abstinência e deixa de ser guiado pela razão. Como chamar isso de liberdade?

    É até irônico você criticar os “playboyzinhos” que se incomodam com o cigarro dos outros – porque eles já deveriam esperar o cigarro nesse tipo de ambiente – quando você mesma se incomoda que exista discriminação com o cigarro. Ora, o que você esperava?

  2. Renan Akamine · December 27, 2010

    Tem vícios que incomodam mas o cigarro certamente bate todos os recordes. A começar pelo cheiro insuportável que, mesmo você cuidando para não espalhar, deixa tudo ao redor fedido. Que direito é esse que manda um ‘foda-se’ aos cuidados que os outros tem com a própria aparência e saúde?

    O cigarro em si já é um problema. Ele é feito para dominar o corpo e ganhar mais consumidores desonestamente. Talvez você não se encaixe no perfil mas a liberdade de muitos fumantes é ceifada a partir do momento em que o corpo é dominado pela abstinência e deixa de ser guiado pela razão. Como chamar isso de liberdade?

    É até irônico você criticar os “playboyzinhos” que se incomodam com o cigarro dos outros – porque eles já deveriam esperar o cigarro nesse tipo de ambiente – quando você mesma se incomoda que exista discriminação com o cigarro. Ora, o que você esperava?

  3. Antonio · December 27, 2010

    Eu li isso tudo. É uma opinião pessoal. Quem sou eu, tenho só 12 anos, uma casa perto da praia e um nojo de cigarro. O fato é que voce nunca foi anti-fumante, isso eu te garanto. Sim, todo mundo sabe que fumar faz mal, mas as pessoas falam isso umas as outras na tentativa de alertar o quanto ela está se matando. Por que voce não jogou seu maço de cigarros no lixo quando leu a primeira vez como fumante que fumar faz mal a saúde no verso da cartelinha? Ou porque voce é uma maria-vai-com-as-outras que fuma porque todo mundo está fumando, ou porque voce é uma imbecil, ou porque voce não sabia ler na época.

    Voce fala como se fumar 1 maço de Lucky strike por dia fosse muita coisa. Meu pai já fumou 4 maços de hollywood original por dia e parou de fumar.

    Se voce acha que fumar é normal (voce já deve estar cansada de saber disso), saiba que a cada 8 segundos alguém morre por causa daquele cilindro tóxico. E sabe a única pessoa que se beneficia com isso? O dono da souza cruz e o dono da empresa de cigarros do camarada. E se também acha que pessoas que morrem por serem fumantes passivas no mundo são casos isolados, vai nesse site daqui ó (não tem virus não, pode confiar)
    http://www.onu-brasil.org.br/busca.php

    • garotacocacola · December 27, 2010

      Oi, Antonio
      Como você disse, meu texto é uma opinião pessoal.
      Também penso que “fumar muita coisa” pode variar de pessoa para pessoa. Para mim, 1 maço de L.S. era muito, sim, e continuo achando. 4 maços de Hollywood então, nem se fala.
      Entendo seu desgosto pelo cigarro, principalmente por ser tão novo, e por ter um pai ex-fumante. Continue com sua convicção de que cigarro é ruim, não fume. Porém, respeite o livre-arbítrio das pessoas que fumam, e não se limite a pensar que as pessoas fumam porque são imbecis, maria-vai-com-as-outras, ou porque não sabem ler.
      Você é muito novo, um dia vai descobrir que na vida as pessoas não se dividem em apenas vilões e mocinhos, o certo e o errado.

      Beijos

  4. Antonio · December 27, 2010

    Eu li isso tudo. É uma opinião pessoal. Quem sou eu, tenho só 12 anos, uma casa perto da praia e um nojo de cigarro. O fato é que voce nunca foi anti-fumante, isso eu te garanto. Sim, todo mundo sabe que fumar faz mal, mas as pessoas falam isso umas as outras na tentativa de alertar o quanto ela está se matando. Por que voce não jogou seu maço de cigarros no lixo quando leu a primeira vez como fumante que fumar faz mal a saúde no verso da cartelinha? Ou porque voce é uma maria-vai-com-as-outras que fuma porque todo mundo está fumando, ou porque voce é uma imbecil, ou porque voce não sabia ler na época.

    Voce fala como se fumar 1 maço de Lucky strike por dia fosse muita coisa. Meu pai já fumou 4 maços de hollywood original por dia e parou de fumar.

    Se voce acha que fumar é normal (voce já deve estar cansada de saber disso), saiba que a cada 8 segundos alguém morre por causa daquele cilindro tóxico. E sabe a única pessoa que se beneficia com isso? O dono da souza cruz e o dono da empresa de cigarros do camarada. E se também acha que pessoas que morrem por serem fumantes passivas no mundo são casos isolados, vai nesse site daqui ó (não tem virus não, pode confiar)
    http://www.onu-brasil.org.br/busca.php

    • garotacocacola · December 27, 2010

      Oi, Antonio
      Como você disse, meu texto é uma opinião pessoal.
      Também penso que “fumar muita coisa” pode variar de pessoa para pessoa. Para mim, 1 maço de L.S. era muito, sim, e continuo achando. 4 maços de Hollywood então, nem se fala.
      Entendo seu desgosto pelo cigarro, principalmente por ser tão novo, e por ter um pai ex-fumante. Continue com sua convicção de que cigarro é ruim, não fume. Porém, respeite o livre-arbítrio das pessoas que fumam, e não se limite a pensar que as pessoas fumam porque são imbecis, maria-vai-com-as-outras, ou porque não sabem ler.
      Você é muito novo, um dia vai descobrir que na vida as pessoas não se dividem em apenas vilões e mocinhos, o certo e o errado.

      Beijos

  5. Antonio · December 27, 2010

    ah e digite lá na busca cigarro, ta bem?

  6. Antonio · December 27, 2010

    ah e digite lá na busca cigarro, ta bem?