Dei uma relida no e-book do Causa Nobre e fiquei “meio assim”, pensando, porque a protagonista só virou aquela pessoa exemplar, que salvava vidas na África, por causa de um cara. Por causa de um canalha que ela quis esquecer

Eu, que estou sozinha por um bom tempo e não sei o que é me apaixonar para valer – daquele jeito meio cego – há muito tempo, me senti  distante e fria. (Isso não quer dizer que eu tenha parado de stalkear caras gatos em geral, ou colegas bonitos na faculdade)Talvez eu tenha ficado calejada demais, talvez o estrago da vida tenha sido grande. Mas aí eu olho para trás e vejo que nunca sofri nem a metade do que a maioria das pessoas sofre para ficarem tão traumatizadas quanto eu sou. Porque é um trauma sim. Mas é um trauma alheio, sabe? Nenhuma das coisas que já aconteceram na minha vida amorosa são grandiosas o suficiente para justificar minha incredualidade quando alguém diz que gosta de mim. Eu acabo vendo os outros – amigos, familiares, colegas, etc – sofrendo por amor. Vejo toda a sorte azar de pessoas que, supostamente, se amam mas sacaneiam umas às outras de uma forma cega e horrível.

Já refleti sobre isso várias vezes aqui.

É impossível esquecer o fato de que, se eu sair mais de duas vezes com o mesmo cara, ele logo vai pensar que eu quero algo mais sério. Se sair mais de quatro ou cinco, talvez ele entenda que eu quero namorar. O problema é que eles não se dão conta de que eles também estão saindo comigo, e que eu também devo estar pensando o mesmo que eles – e é bem provável que esteja tão medrosa pelo fato de ter que dispensá-los alguma hora quanto eles.

Realmente sei lá porque estou pensando isso. Acho que é saudade mesmo de ser ingênua, de ser corajosa e me jogar com tudo nas paixões – como eu fazia lá com 16 anos. Mas a gente é estúpido nessa idade, e metade das coisas que fazemos é burrice. Fato.

Eu fico pensando se vou sustentar o mesmo pensamento que tenho hoje no dia em que eu ver minha primeira ruga. É legal envelhecer com alguém, suponho. Porque me parece ser mais difícil encontrar ‘casinhos’ quanto mais velho você vai ficando. Não sei se na época em que eu for cinquentona o mundo não vai estar cheio de cinquentões solteiros também, porque os tempos estão mudando. Hoje em dia o fato de ficar para titia me anima um bocado, diferente de antigamente. Porque ficando para titia eu não tenho que me adaptar à ninguém, não tenho que resolver erros que eu não cometi, não tenho DR, não tenho… não tenho, não tenho, e não tenho. Porque “ter” algo implica em se responsabilizar pela posse, e eu acredito que ninguém deva pertencer a ninguém.  Ao mesmo tempo acho lindo segurar a mão de alguém e dizer que se está lá para o que der e vier, porque partilhar os problemas alivia a carga de carregá-los sozinho, porque dividir o aluguel da casa ou a prestação do consórcio é melhor do que pagar sozinho. Que fazer sexo sempre com a mesma pessoa te faz desenvolver uma intimidade incrível que você jamais teria com nenhum peguete de festa.

Cheio de prós e contras.

Por enquanto permanece o pensamento de que é ótimo ter um relacionamento comigo mesma. Mas já não sei o que vou pensar amanhã. Sinto falta daquele frio na barriga, daquela sensação estimulante antes de encontrar a pessoa, aquele frenesi de expectativa sobre como ele vai estar vestido, qual jeito ele vai cumprimentar, se chegou antes de mim ou se vou ter que esperar. Os minutos que parecem uma agonia. A preocupação em parecer muito mais inteligente do que se é, a atenção à todos os detalhes para conferir o que existe em comum entre os dois… Ah… todo mundo sabe disso. Mas faz ERAS que eu não sei o que é isso.

De repente bateu saudade de ser meio burra, meio mesquinha, meio pati, meio… talvez, inteiramente… apaixonada.

Daí eu li esse texto aqui, da Clara Aberbuck, e toda  a merda que aconteceu porque ela foi verdadeira e justa, e correu atrás dos sentimentos dela, para depois um filhadaputa chinelear ela de um jeito que jamais fizeram nem com político corrupto. E eu me senti um pouco mais segura e satisfeita de não estar me apaixonando.

Não, minto. Na verdade me senti aliviada.

Muito aliviada.

2 comments

  1. Charles · September 27, 2010

    É, sorte sua …

  2. Charles · September 27, 2010

    É, sorte sua …