Eu estou apaixonada pelo Mike Portnoy. Vou atrás dele até os EUA, vou sequestrá-lo, e não vou libertar enquanto ele não me ensinar a tocar bateria daquele jeito maravilhoso.

Tá, é brincadeirinha.

Mas bah, ontem fui no show do DT e foi demais. Fiquei na fila desde as 14h30 (o show foi só às 21h40), e valeu a pena. Eu também fui para fila segunda durante a tarde, no dia anterior, para fazer companhia para um amigo que fez questão de ser o primeiro da fila – cheguei lá e além de ele ser o primeiro, era o único, mas eu o admiro por isso.

A banda de abertura, Bigelf, foi um show à parte. Completamente inesperado, nunca tinha ouvido falar deles, e me deram um showzaço. Como disse a Ju para mim lá no show, “valeria a pena vir aqui só para ver esses caras”. A gente gritou bastante. A começar por terem colocado o tema de Star Wars antes de entrar no palco; depois o figurino inusitado; e por fim, a excelência das músicas. Tô escutando agora. É uma mistura de Jehtro Tull com Ayreon e psicodelia dos anos 60, adicionados à muita técnica e domínio do teclado e da guitarra. Amei, amei.

Mas amei mais ainda a performance do Richard Powell. Chegou lá no palco como quem não quer nada, tanto que pensei que ele era um dos caras que tava passando o som antes do show. Ledo engano. Depois de testar a guitarra, ele começou a tocar um solinho tímido, com a face inalterada, bem de boa, como se estivesse tirando um som qualquer em casa, no quarto, sozinho. Minha amiga virou para trás e comentou “putz, tem que ter muita coragem para vir aqui na frente dessa galera e tocar só isso aí”. Nessa hora foi como se o Richard tivesse ouvido o que ela falou, porque o cara endiabrou num solo fodástico e daí só foi para melhor. Levou a galera ao delírio. Eu, que no início achei que o cara ia acabar vaiado, descobri que estava redondamente enganada, porque ele encerrou abaixo de gritos histéricos do público Richard! Richard! Richard! E a minha amiga, que tinha subestimado o talento dele, se despediu do cara gritando feito groupie de boy band. Amazing.

Bem, quanto ao Dream Theater, foi o que eu esperava: demais, demais. À despeito do aperto que eu passei por estar próxima demais da grade e cercada de caras muito grandes e doidos, eu consegui curtir o show. Fique completamente dolorida, mas gostei. Emocionante foi ver o Jordan Rudess em duelinho com o Petrucci, um no teclado e um na guitarra. O Jordan faz umas caras engraçadas quando toca, tipo aqueles caras que fazem caras bizarras quando gozam, saca? É estranho, mas é uma prova de que a pessoa tá gostando tanto daquilo que mal consegue controlar-se. Bom, muito bom. O Petrucci continua o mesmo desde que eu vi ele no G3, em 2006 –  mas ele tocando com a sua banda original é muito melhor do que ver ele tocando com o Satriani e o Eric Johnson.

O Myung, como sempre, entrou mudo e saiu calado, sem maiores demonstrações de afeto pelo público, mas tocando maravilhosamente. Um mestre. Tum-dum-dum-dum! Aquele baixo de seis cordas faz coisas fantásticas, pena que eu não sei o nome de todas as músicas do novo albúm porque ele aparece bastante nelas. Já o James LaBrie parace um véio doido, meio criança mimada, sei lá. O importante é que ele canta o suficiente para acompanhar esta excelente banda, mas não é aquilo que eu diga ‘óóó, que maravilha!’, só dá pro gasto.

Agora… O Mike Portnoy. Meldelz. Que baterista!!! Gente, só a bateria dele já é um show à parte, de tão linda. E o que ele faz com ela é demais, não é à toa que ele já foi considerado o melhor batera da atualidade. Até porque o cara estuda música mesmo, não é só um babacão que abala numa banda porque é naturalmente bom. Aliás, ele é naturalmente bom. Mas ele não se detém só nisso, ele vai atrás e desenvolve o dom, entra de cabeça nos pratos, ele respira a música. Isso sem contar que eu nunca  vi um baterista tão carismático. Quando assisti o show dele no G3 não pude perceber isso, porque o G3 é voltado para os guitarristas, ele era mero acompanhante dos caras. Mas ontem eu vi a verdadeira face do Portnoy. Muito ativo, participativo, em contato com a galera o tempo todo. Enfim, eu quero casar com um cara desses um dia.

Bom, sem demoras, o show foi bem bom, fora os hematomas nos meus braços e pernas – mas eles saem um dia, diferente da memória do show fantástico, que vai ficar para sempre.

– Ainda tive o adicional de ganhar um beijo completamente inesperado, de uma pessoa completamente inesperada, que com certeza esta lendo este post. E por mais que eu viva de mihões de aventuras por aí, por mais que eu possa amar muitas pessoas, por mais que eu saiba que vou ter relacionamentos com pessoas legais que eu nem conheço ainda, por mais que eu tenha zilhões de amigos… existe aquele, que por mais que a gente tenha se machucado e feito coisas imperdoáveis um para o outro, vai ser sempre ele quem eu vou lembrar nesses shows de metal e de progressivo. E ele estava lá, na nossa banda favorita de todos os tempos, Dream Theater, e por mais que uma grade nos separasse, ele foi lá e pegou a minha mão, e por alguns segundos não existia mais nada no Pepsi On Stage além da gente, e da nossa banda preferida aguardando para tocar.

2 comments

  1. magnus · March 17, 2010

    e pensar que teve gente que escolheu ver guns!
    (bom, que eu quero falar? não fui a nenhum…)

  2. magnus · March 17, 2010

    e pensar que teve gente que escolheu ver guns!
    (bom, que eu quero falar? não fui a nenhum…)