AAAAAH!

Adivinha a  idéia excelente que eu tive nesta manhã ensolarada. Nada melhor para acalmar os nervos para prova da tarde do que dar uma volta com o meu cachorro pelas praças, não é?

Parace tão inocente esse David...

Parace tão inocente esse David...

Não é?

Pois eu sou uma menina tão boazinha que nunca apertei a coleira no pescoço dos cães, sempre deixei tudo num esquema intermediário, nem folgadão, nem apertado demais. Aí então o David total descobriu isso e usou o fato a seu favor, óbvio. Quando eu abri o portão ele zaaapt! Se libertou da coleira e da guia , e saiu alegre e saltitante à mil pela rua.

Gente, eu adotei esse cachorro quinta-feira. Se acontecer qualquer coisa com ele a culpa é minha. A responsabilidade é sempre do ser racional, o humano (embora em outras situações há controvérsias sobre essa racionalidade). Eu ia ficar completamente louca se ele se machucasse ou algo assim, em qualquer circunstância, imagina  se sob minha culpa.

Sai disparada atrás dele, coleira e guia na mão. Uns cinco cães latindo para ele ao  longo do trajeto, e ele só com uma rosnada botou-os para correr. E então ele se perdeu da minha vista, mas eu não parei de correr. Cheguei naquele ponto em que tu começa a perguntar para os transeuntes “tu viu um cachorro escuro,  com um olho claro outro preto, correndo por aí?” e as pessoas afirmavam, me indicavam a direção com o dedo e lá eu seguia desembestada, gritando:

-David! David!

No mínimo pensavam que eu estava procurando meu filho, ou meu irmão. Acho que só a coleira na minha mão indicava que era um cachorro que eu procurava.

Até que vi um senhor velhinho passeando com um cocker e perguntei se ele tinha visto o meu cachorro. Daí ele deu uma risadinha e apontou para algo atrás de mim e disse “Aquele ali?”. daí eu vi a última cena que eu queria naquela hora.

Pausa para o momento “minha vida só pode ser o show de thrumam”, porque né, parecia que tinha sido tudo ensaiado.

Na rua larga vinha um ônibus de um lado, e um carro do outro, em direções opostas. Eles iam se cruzar, cada um em seu espaço no paralelepípedo. E no meio, quem estava? O David! Pulando com o linguão para fora, de um lado para o outro, como se estivesse numa espécie de parque de diversões de cachorro, e não no meio de uma rua, há dez metro de um carro e seis de um ônibus que não dava sinal de que ia parar.

Me atirei na frente do ônibus.

Sério. Eu não vi outra saída, porque eu estava rouca e meus gritos não saíam, então os motoristas não me ouviam. Só me restou o apelo visual. Daí eu dei uns quatro passos largos e de repente eu estava entre o ônibus e o carro também, como o David. Aí eles pararam. Buzinaram e xingaram, mas pararam.

E o David?

Bem, o safadinho jogou as duas patas enormes nos meus ombros quando me viu, e me desequilibrou. Encheu o meu queixo de saliva e ficou abanando aquele toquinho de rabo. Como se o que ele fez fosse completamente aceitável, e como se eu estivesse me divertindo tanto quanto ele.

Prendi ele na coleira e a gente voltou.

Agora ele tá ali na janela me fitando, com cara de triste, talvez se perguntando porquê a brincadeira acabou.

Dar uma volta no sol para me acalmar para prova? Como eu sou ingênua. Às vezes eu esqueço que Murphy me ama, muito.

2 comments

  1. kyhetha · June 7, 2010

    Murphy nos ama
    HAUHSUHAUHUSHUAHUHSUHUAHUA

    tadinho do David, parece tão tranquilo xD

  2. kyhetha · June 7, 2010

    Murphy nos ama
    HAUHSUHAUHUSHUAHUHSUHUAHUA

    tadinho do David, parece tão tranquilo xD