Se tem uma coisa que me deixa PUTA é gente me rotulando sem ter o mínimo embasamento teórico para tanto. Para não ofender pessoas que não merecem, eu não vou explicitar minha raiva aqui no blog, até porque eu iria acabar usando muito palavrões para tanto. Eu sou muito agressiva nesses momentos, e já aprendi a respirar fundo, esperar a IRA passar, e depois expressar minhas idéias.

Foi assim que surgiram meus vídeos no Youtube. Foi exatamente depois de perder minhas estribeiras na internet, por causa de gente machista para caramba, que eu respeirei fundo e segurei a onda de fazer vídeos-resposta irados, com a minha cara espumando de raiva. Violência e ódio nunca levam a gente a coisas produtivas. Então, eu tomei uma água, respirei, arejei o cérebro vendo comédias, e decidi fazer meus próprios vídeos. Sem xingar ninguém, nem nada, só expressando minha opinião.

Hoje, agora, estou espumando de ódio de um certo blog, de um certo blogueiro que se diz progressista. Mas não vou falar muito por causa da raiva que está me tomando conta. Então vou colar aí embaixo as coisa que a Lola disse sobre isso, que exprimem mais ou menos o que eu penso sobre o fato.

COMO FALAR BOBAGENS E SER PUBLICADO NUM BLOG FAMOSO

Jogo dos 7 erros: feminazis emasculam leão

Na terça, quando vi um post da Cynthia explicando como o uso da palavra feminazi é condenável, não entendi por que ela estava falando disso bem naquele momento. Foi depois que vi um texto da Bárbara, remetendo a uma discussão que ela teve com um tal de André no blog do Nassif. E eu não sou fina como Cynthia e Bárbara: como já disse aqui e no Twitter diversas vezes, nunca conheci alguém que usa termos como femininazi e gayzista, ou que diga que o verdadeiro preconceito hoje em dia é contra o homem branco, que não fosse um completo idiota.
Pois então, se alguém ainda precisa de exemplos de como os homens, mesmo os ditos progressistas, são capazes das mais ridículas besteiras machistas, aqui tem. Não sei como o Nassif foi publicar o post de um rapaz que defende o uso do termo feminazi (aliás, tenho uma vaga ideia de que sei, sim. Todos eles quando falam de feminismo derrapam feio, não sabem do que estão falando, e obviamente não demonstram nenhuma vontade de aprender. Neste vídeo há uma mostra de como um dos maiores blogs de centro-esquerda dos EUA, o Huffington Post, é sexista). Em “O Poder das Mulheres” (título que só pode ser irônico, mas não é), André diz que feminazis são feministas radicais, sem definir exatamente o que seria esse radicalismo. Ele parte da dúvida “Seria Dilma uma feminazi?” (pois Dilma, numa entrevista pro Washington Post, disse que era contra o apedrejamento de mulheres). Mais adiante, nos comentários, ele diz que sim, a declaração de Dilma poderia ser interpretada como de uma feminazi, já que ela condenou apenas a morte de mulheres, não de homens. Ou seja, sempre que estivermos falando de estupro, devemos dizer que somos contra os estupros de homens também. Caso contrário, estaremos nos manifestando a favor do estupro de homens. Hum, sério, você já conheceu alguém que fosse contra o estupro de mulheres, mas não o de homens?
André não fala coisa com coisa, e isso fica ainda mais visível quando ele se atrapalha nos comentários. É incapaz de uma argumentação linear. Por exemplo, quando alguém lhe ensina que o termo feminazi foi criado em 1992 pelo ultraconservador Rush Limbaugh, André diz que só porque algo foi criado por alguém não muito bem-credenciado não significa que haja um erro, e, como exemplo, diz que, se não fossem os americanos, não haveria internet, ou que o rap não deve ser odiado por ser popular entre “a bandidagem”. Hã? O que esse menino anda fumando? Já liberaram?
O mal de André com as feminazis é que, pelo que pude entender, algumas mulheres não gostam dele e o veem como inimigo, só porque, em outro post também publicado pelo Nassif, ele defendeu o Dia do Homem, tadinho. Tipo, pra ele as profissões mais mal pagas cabem aos homens. Tsc, tsc. No grande livro que é Backlash, Susan Faludi explica justamente o contrário. Na nossa sociedade, um dos trabalhos que um homem com menor qualificação pode ter é auxiliar de pedreiro. Para a mulher, é empregada. Em geral, um auxiliar de pedreiro ganha mais que uma empregada. Um pedreiro ganha mais que uma cabeleireira. Assim como um chef ganha mais que uma cozinheira. Um estilista de moda ganha mais que uma costureira. Precisa continuar? Fazer com que certas profissões sejam identificadas apenas a um gênero (a maior parte dos psicólogos é mulher; a maior parte dos psiquiatras é homem — quem ganha mais, um psicólogo ou um psiquiatra?) é uma forma de fazer com que mulheres recebam menos que homens. Adoraria ver uma estatística que provasse que não, mulheres têm salários maiores no nosso mundo. Ha, não tem nem quando exercem a mesma função!
André também acha que a violência sexual que homens sofrem nas cadeias é “tão grande numericamente quanto a violência sexual sofrida pelas mulheres”. Sei. 30% da população total de mulheres (esse é um dado internacional, inclusive) sofreram algum tipo de abuso sexual em suas vidas. Sério que 30% dos homens sofreram abuso sexual? Qual a porcentagem da população masculina na cadeia? Chega a 1%? E nunca vi feminista defender estupro de homens, na cadeia ou fora dela. Mas, sendo que o estupro na cadeia é o único tipo de estupro que apavora os homens (pois estupro de mulheres é assunto nosso; os homens de bem o têm nada com isso), gostaria de saber o que os homens vêm fazendo contra essa realidade. Campanhas? Mobilização? Exigência de direitos humanos na prisão? Ahn, não. Tudo que vejo é homem fazendo piadinha sobre o perigo que é se abaixar pra pegar sabonete. E queria lembrar que mulheres não estupram homens. Homens estupram homens. E homens estupram mulheres. Admitir isso não é dizer que todos os homens estupram. Mas é pedir demais que vocês considerem o estupro um problema seu também, e que vocês também lutem para combatê-lo, como nós feministas extremamente radicais fazemos?
André lamenta que o câncer de próstata mate tantos homens quanto o câncer de mama mata mulheres, e que as verbas públicas para o câncer de mama sejam maiores. Dados, por favor? O que qualquer pessoa que trabalha no serviço de saúde sabe é que homens procuram bem menos atendimento médico que mulheres. E essa é uma das provas de como o machismo não faz mal apenas à mulher, como faz ao homem também. Homem tem complexo de superherói. Aprende desde cedo que não pode chorar, não pode sentir dor, que fragilidade é coisa de mulherzinha. Aí eles ficam doentes e acham que é frescura, que vai passar logo. O exame de próstata (o maridão já fez, diz que não dá nem pra sentir) dói menos que o papanicolau a que mulheres se submetem sempre. É esse exame de toque do reto que pode detectar o câncer de próstata, e providenciar um tratamento rápido. Mas como detectar, se os homens acham que tal exame vai contra a sua virilidade, e se todos os programas de humor fazem gracinha em cima disso? O governo gasta um dinheirão fazendo campanhas implorando que homens depois dos 50 anos façam o exame. Eles não fazem, porque tem toda uma estupidez cultural por trás. E aí a culpa de homens morrerem de câncer de próstata é das feminazis?
Nos comentários, André especifica que feminazis são mulheres que querem o extermínio de todos os homens. Hã, talvez tais mulheres existam (eu nunca conheci, mas tem louco pra tudo), mas digamos assim, elas são representativas de alguma coisa? Mais adiante ele diz que feminazis não são apenas as que querem exterminar o gênero masculino, e fornece exemplos sobre as suecas (é, elas estão na moda). Segundo André, feminazis suecas conseguiram que “uma estátua de leão fosse capada”, conseguiram “obrigar que um doador de esperma [fosse] responsabilizado pelas crianças geradas pelo esperma doado”, e conseguiram “ameaçar a realização de concursos de beleza” (André vê como mal terrível pra humanidade se concursos de miss desaparecem). Na realidade, se você clicar em cada um desses links (todos de um site que tem notícias sobre a Suécia em inglês) verá uma história um pouco diferente. Sobre o leão capado, na realidade não foi uma estátua (sei que seria mais simbólico imaginar que feminazis foram até a estátua e zap, emascularam o leão), mas uma insígnia. O brasão do exército sueco trazia um leão com aquilo roxo, como já disse um dos nossos piores presidentes. E as feministas, se bem que não tá nem explicado que seriam feministas, apenas soldados mulheres (soldadas?), acharam que, como tem mulher no exército, aquela representação tão máscula não as representava. E o artista apagou o pênis do leão. É uma perda irreparável, eu sei.
No segundo exemplo, um casal de lésbicas teve três filhos com o mesmo doador de esperma e, depois que elas se separaram, uma delas pediu ao pai pensão para as crianças. A palavra feminista não é mencionada uma só vez no artigo, muito menos feminazi. Logo, por que elas seriam feministas? Ah, porque são lésbicas, é mesmo! Esqueci que toda lésbica é feminista e toda feminista é lésbica e toda feminista é feminazi. Que memória, a minha!
O terceiro link é sobre o cancelamento do concurso de miss na Suécia. O artigo não cita qual movimento feminazi, ou sequer feminista, foi contra o concurso. É que entrevista apenas uma fonte, um “rei do biquíni”, o dono dos direitos do concurso (André desconhece que as feministas, nos anos 60, não queimavam sutiãs, mas já atrapalhavam concursos de misses, aquelas femininazis horríveis, proibindo que empresas de maiô lucrassem os tubos, quero dizer, que mulheres pudessem ter o direito de se liberar mostrando seus corpos).
Mas André cita esses três casos como mostra irrefutável que, sim, as feminazis estão dominando o mundo. Que tanta asneira ganhe espaço no blog de um progressista como o Nassif é mais um exemplo de que ninguém precisa ser um fascistóide como o Rush Limbaugh para ser preconceituoso. O post do André pode ser um estudo de caso: como falar um monte de besteiras sem citar uma só estatística e ser publicado como post num dos blogs mais acessados do país

16 comments

  1. Silvio Belbute · December 10, 2010

    Oi “garota coca-cola”,

    Só não identifiquei teu nome. Gostei do blog. Cheguei aqui pelo twitt da @rutevera.
    Quanto ao tema em questão: não vejo o Nassif como progressista, mas vá lá, é só minha opinião. Já o tal do André, nem vale a pena comentar. O cara tá totalmente fora da casinha. Apenas acho que tu “encheu” a bola dele. Tá, eu sei, precisava citá-lo para poder fazer o contraponto. Tá certo. Mas não esquece que tem gente que faz estas coisas só pra receber atenção. Talvez seja o caso dele. Não o estou desculpando. Ao contrário, concordo em gênero, número e grau com o titulo da postagem. E com o conteúdo e contra-pontos.
    Acho de última criar outro adjetivo para o que não precisa: feminista é feminista. Esse lance de “feminazi” é o “ó”. E tem “machazi”?
    Na real o que essa galera metida a machista tem é inveja. Ou tem medo de “sair do armário”. Dia do Homem? Já sei, todos sairão em passeata a lá Village People, entoando “Macho, macho man”.
    Mas não precisa ficar irada. Ignora este tipo de gente que em nada acrescenta.
    Abraços.

    • garotacocacola · December 10, 2010

      Obrigada pelo apoio e compreensão, Silvio.

      Meu nome é Vanessa, eu trabalho no mesmo lugar que a Rute.

      O Nassif publicou uma nota sobre a discussão no blog dele, mas foi tão mesquinho e tratou as feministas como crianças histéricas, sabe? Fiquei lívida.
      Mas vou seguir seu conselho e ignora-lo. É o único modo de tratar quem implora por atenção com modos tão rudes.

  2. Silvio Belbute · December 10, 2010

    Oi “garota coca-cola”,

    Só não identifiquei teu nome. Gostei do blog. Cheguei aqui pelo twitt da @rutevera.
    Quanto ao tema em questão: não vejo o Nassif como progressista, mas vá lá, é só minha opinião. Já o tal do André, nem vale a pena comentar. O cara tá totalmente fora da casinha. Apenas acho que tu “encheu” a bola dele. Tá, eu sei, precisava citá-lo para poder fazer o contraponto. Tá certo. Mas não esquece que tem gente que faz estas coisas só pra receber atenção. Talvez seja o caso dele. Não o estou desculpando. Ao contrário, concordo em gênero, número e grau com o titulo da postagem. E com o conteúdo e contra-pontos.
    Acho de última criar outro adjetivo para o que não precisa: feminista é feminista. Esse lance de “feminazi” é o “ó”. E tem “machazi”?
    Na real o que essa galera metida a machista tem é inveja. Ou tem medo de “sair do armário”. Dia do Homem? Já sei, todos sairão em passeata a lá Village People, entoando “Macho, macho man”.
    Mas não precisa ficar irada. Ignora este tipo de gente que em nada acrescenta.
    Abraços.

    • garotacocacola · December 10, 2010

      Obrigada pelo apoio e compreensão, Silvio.

      Meu nome é Vanessa, eu trabalho no mesmo lugar que a Rute.

      O Nassif publicou uma nota sobre a discussão no blog dele, mas foi tão mesquinho e tratou as feministas como crianças histéricas, sabe? Fiquei lívida.
      Mas vou seguir seu conselho e ignora-lo. É o único modo de tratar quem implora por atenção com modos tão rudes.

  3. magnus · December 10, 2010

    oi, garota

    tem um probleminha de colagem no texto.
    =]

    • garotacocacola · December 10, 2010

      onde, magnus?
      tô lesada, eu acho… =p

  4. magnus · December 10, 2010

    oi, garota

    tem um probleminha de colagem no texto.
    =]

    • garotacocacola · December 10, 2010

      onde, magnus?
      tô lesada, eu acho… =p

  5. Helder Melo · December 10, 2010

    “Se tem uma coisa que me deixa PUTA é gente me rotulando sem ter o mínimo embasamento teórico para tanto.”
    É exatamente o que eu sinto também quando leio textos de feministas, os da Lola, principalmente.

    • garotacocacola · December 10, 2010

      Por quê, Helder?

      • Helder Melo · December 10, 2010

        Porque quem não concorda com os princípios e teses feministas é imediatamente acusado das piores coisas, de ter intenções assassinas ou de agressão. TODOS os posts da Lola A. são assim. Vou copiar uma frase do post que vc reproduziu para te dar um exemplo:
        “Mas, sendo que o estupro na cadeia é o único tipo de estupro que apavora os homens (pois estupro de mulheres é assunto nosso; os homens de bem não têm nada com isso)”
        O texto tem vários pontos proporcionais, mas aqui ela descamba para o odioso. Todos os homens que eu conheço MORRERIAM para proteger suas companheiras do estupro. Antes de falar de sentimento de posse, lembre-se que se morrem na ação, eles não podem possuir mais nada. Como é que ela pode generalizar assim, “homens”? Isso seria apenas tosco se ela não tivesse entrado nos labirintos do combate à homofobia. Na cabeça desse mulher, o sujeito praticar uma religião que interdita o homossexualismo é sinal que ele alimenta pretensões assassinas (homofobia, tal como o termo nasce na psiquiatria).
        Pronto, só por essas objeções, sou troll (essa merda de chamar todo mundo que não concorda de vândalo nasceu com o Nassif, que ora prova do próprio veneno), machista, homofóbico: fascista em suma. Que essa patrulha obcecada de repente tenha sido comparada a práticas nazistas de perseguição dos adversários é mais irônico que injusto (a comparação, não que feministas sejam LITERALMENTE nazistas, mas que sob UM CERTO PONTO DE VISTA elas lembrariam nazistas). E quem chamou não foi um conservador. Foi um progrefista. Eu nunca usei feminazis. Nem vou usar.
        Para mim o problema é moral: se eu defender que mulheres infiéis tem de morrer, eu cruzei limites morais. Se você disser que o aborto é direito humano inalienável, você cruzou a linha. Não existe o Grande Machismo Universal: o que existe é o egoísmo humano. Feminista, machista, esquerdista e direitista podem ou não ser suas máscaras.

        • garotacocacola · December 10, 2010

          Olha, Helder. Eu entendo que nenhum homem que não se encaixa na descrição da Lola acaba se sentindo desconfortável com a generalização das palavras dela.
          Mas vou te contar o meu caso. Demorou muito tempo para alguns amigos meus perceberem que até mesmo as piadinhas que eles faziam sobre estupro estavam, mesmo que minimamente, colaborando para a sua aceitação na sociedade. A banalização desse tipo de crime acaba por tocar a mente daqueles propensos a executar o ato, e depois ninguém consegu explicar porque diabos o cara não entendeu que estupro é crime.
          Nunca duvidarei que você e os homens que você conhece morreriam para proteger suas companheiras de um estupro, mas o texto não fala disso. Não fala que um homem qualquer sairia correndo e deixaria a namorada ao bel-prazer do estuprador, para se poupar da violência. Não, não. O que foi dito ali puxa para o sentido de que os homens se abstem dessa conversa, que por sub-entenderem que estupro é coisa de gente doente, acabam por não trazer o assunto à baila, e acabam tornando difícil a percepção de outros homens sobre isso. Às vezes o cara faz uma coisa e acha que nem é abuso. Às vezes a menina aparenta dar bola para um cara, e quando ele a indaga sobre, ela diz que ‘não’, mas o cara não respeita, porque aprendeu desde pequeno que mulher adora fazer doce. E aí que mora o perigo, percebe? Eles acham que a gente tem prazer em gritar, espernear e pedir socorro. E é mais ou menos sobre isso que a Lola reclama ao dizer que “estupro de mulheres é assunto nosso”. Já se ligou no número de academias com curso de defesa pessoal para mulheres? Isso sim é confirmar que o problema é nosso, porque muita gente – eu incluída nisso – acaba se obrigando a aprender uma coisa que não se tem interesse nenhum (tipo arte marcial) porque é melhor prevenir do que remediar, né?
          Mas o que ninguém se toca é que se os pais deixassem de ensinar para os filhos que é legal chamar mulher de ‘gostosa’ na rua, que é legal ignorar quando elas dizem ‘não’, e que tomá-las à força é errado, nenhuma mulher precisaria ficar se preocupando com a roupa que sai na rua, com a aula de defesa pessoal, etc.
          Entende?

  6. Helder Melo · December 10, 2010

    “Se tem uma coisa que me deixa PUTA é gente me rotulando sem ter o mínimo embasamento teórico para tanto.”
    É exatamente o que eu sinto também quando leio textos de feministas, os da Lola, principalmente.

    • garotacocacola · December 10, 2010

      Por quê, Helder?

      • Helder Melo · December 10, 2010

        Porque quem não concorda com os princípios e teses feministas é imediatamente acusado das piores coisas, de ter intenções assassinas ou de agressão. TODOS os posts da Lola A. são assim. Vou copiar uma frase do post que vc reproduziu para te dar um exemplo:
        “Mas, sendo que o estupro na cadeia é o único tipo de estupro que apavora os homens (pois estupro de mulheres é assunto nosso; os homens de bem não têm nada com isso)”
        O texto tem vários pontos proporcionais, mas aqui ela descamba para o odioso. Todos os homens que eu conheço MORRERIAM para proteger suas companheiras do estupro. Antes de falar de sentimento de posse, lembre-se que se morrem na ação, eles não podem possuir mais nada. Como é que ela pode generalizar assim, “homens”? Isso seria apenas tosco se ela não tivesse entrado nos labirintos do combate à homofobia. Na cabeça desse mulher, o sujeito praticar uma religião que interdita o homossexualismo é sinal que ele alimenta pretensões assassinas (homofobia, tal como o termo nasce na psiquiatria).
        Pronto, só por essas objeções, sou troll (essa merda de chamar todo mundo que não concorda de vândalo nasceu com o Nassif, que ora prova do próprio veneno), machista, homofóbico: fascista em suma. Que essa patrulha obcecada de repente tenha sido comparada a práticas nazistas de perseguição dos adversários é mais irônico que injusto (a comparação, não que feministas sejam LITERALMENTE nazistas, mas que sob UM CERTO PONTO DE VISTA elas lembrariam nazistas). E quem chamou não foi um conservador. Foi um progrefista. Eu nunca usei feminazis. Nem vou usar.
        Para mim o problema é moral: se eu defender que mulheres infiéis tem de morrer, eu cruzei limites morais. Se você disser que o aborto é direito humano inalienável, você cruzou a linha. Não existe o Grande Machismo Universal: o que existe é o egoísmo humano. Feminista, machista, esquerdista e direitista podem ou não ser suas máscaras.

        • garotacocacola · December 10, 2010

          Olha, Helder. Eu entendo que nenhum homem que não se encaixa na descrição da Lola acaba se sentindo desconfortável com a generalização das palavras dela.
          Mas vou te contar o meu caso. Demorou muito tempo para alguns amigos meus perceberem que até mesmo as piadinhas que eles faziam sobre estupro estavam, mesmo que minimamente, colaborando para a sua aceitação na sociedade. A banalização desse tipo de crime acaba por tocar a mente daqueles propensos a executar o ato, e depois ninguém consegu explicar porque diabos o cara não entendeu que estupro é crime.
          Nunca duvidarei que você e os homens que você conhece morreriam para proteger suas companheiras de um estupro, mas o texto não fala disso. Não fala que um homem qualquer sairia correndo e deixaria a namorada ao bel-prazer do estuprador, para se poupar da violência. Não, não. O que foi dito ali puxa para o sentido de que os homens se abstem dessa conversa, que por sub-entenderem que estupro é coisa de gente doente, acabam por não trazer o assunto à baila, e acabam tornando difícil a percepção de outros homens sobre isso. Às vezes o cara faz uma coisa e acha que nem é abuso. Às vezes a menina aparenta dar bola para um cara, e quando ele a indaga sobre, ela diz que ‘não’, mas o cara não respeita, porque aprendeu desde pequeno que mulher adora fazer doce. E aí que mora o perigo, percebe? Eles acham que a gente tem prazer em gritar, espernear e pedir socorro. E é mais ou menos sobre isso que a Lola reclama ao dizer que “estupro de mulheres é assunto nosso”. Já se ligou no número de academias com curso de defesa pessoal para mulheres? Isso sim é confirmar que o problema é nosso, porque muita gente – eu incluída nisso – acaba se obrigando a aprender uma coisa que não se tem interesse nenhum (tipo arte marcial) porque é melhor prevenir do que remediar, né?
          Mas o que ninguém se toca é que se os pais deixassem de ensinar para os filhos que é legal chamar mulher de ‘gostosa’ na rua, que é legal ignorar quando elas dizem ‘não’, e que tomá-las à força é errado, nenhuma mulher precisaria ficar se preocupando com a roupa que sai na rua, com a aula de defesa pessoal, etc.
          Entende?