aquele em que eu pulei o portão para entrar no show

O cansaço da abertura para o diálogo está me matando aos poucos. Ando sempre exausta de ouvir “você é muito radical”, ou mesmo “sua opinião não conta porque você é radical”, é como se não aceitar o status quo automaticamente desqualifique minha opinião para discutir qualquer assunto de interesse público. Desde o preço da gasolina até a composição química do Red Bull.

Quando você levanta bandeiras e assume seu posicionamento – e aqui eu falo principalmente das redes sociais – algumas pessoas nunca param para pensar o quanto você leu, viveu, viu, sentiu e estudou para chegar a conclusão de que aquela causa vale a pena. É como se te subestimassem intelectualmente, ou como você perdesse credibilidade como cidadão com opinião formada a partir do momento em que toma partido de alguma coisa que nem todas as pessoas entendem, ou que a mídia faz um serviço de desinformação a respeito – nesse sentido, para mim, especificadamente na questão do hacktivismo e do feminismo -, assim como te condenam por não ter uma opinião tão superficial e senso-comum como a maioria – aqui falo do vegetarianismo e cicloativismo.

O desconhecido, ao invés de provocar curiosidade e interesse, provoca medo e receio. Nesse caso, quando eu falo de software livre, isso fica muito evidente.

Ontem eu fui assistir um show com entrada gratuita. Aconteceram uma série de coisas chatas na entrada, e a polícia acabou usando gás de pimenta e afastando o pessoal que chegou mais tarde para ver o Franz Ferdinand, lá no festival da Cultura Inglesa. Desisti de esperar e fui embora com os meus amigos. Passando por trás do parque, onde acontecua o show, para ir embora, havia um portão que alguém decidiu testar para ver se estava trancado. E surpresa: o portão abriu. Então aproveitamos e entramos – literalmente! – pelos fundos. Andamos vários metros no mato, no escuro, e pulamos uma cerca de arame de cerca de 1,80m. Poderíamos ter sido presos por invasão de propriedade, mas enfim, na hora eu lembrei que nunca fazia esses vandalismos quando era menor de idade porque morria de medo que meus pais tivessem que responder em tribunal por alguma coisa que eu havia feito – afinal, eu sempre pensei que os meus atos eram responsabilidade minha, mesmo muito nova e rebelde, eu sempre me continha porque quando tivesse que ser processada, etc, por alguma coisa, eu deveria responder pelo meu ato -, mas também outro sentimento me ocorreu. Me senti muito marginal, ali, quebrando regras claras.

Depois eu realizei que eu não estava sendo muito mais marginalizada à sociedade do que quando me julgam antes de eu abrir a boca, por eu ser vegetariana, ou feminista, ou (insira aqui qualquer uma das bandeiras que eu levanto por aí). Ou seja, nós que temos a opinião “radical” – porque defender seus direitos e as coisas que você acha certo é ser radical (e algo ruim), e baixar a cabeça sem contestar para qualquer coisa que lhe digam, não – precisamos nos manter calados à força, pois se fizemos o contrário, temos direito a duas reações: a) as pessoas vão caçoar de você sem nem prestar atenção no que você estava dizendo, ou seja, a discussão séria e baseada em argumentos virá só do contestado, o resto vai fingir que ouviu e descambar tudo para argumentos do naipe “mas é assim que é o mundo mesmo, você não vai mudar nada, sempre foi assim”, ou b) vão ouvir tudo o que você tem a dizer, e depois vão te chamar de extremista e  radical. Entre essas duas, tem vezes que eu me sinto cansada de pegar fulaninho pela mãozinha e explicar esmiuçadinho, tudo. Dá vontade de criar cartões com links de artigos e sair distribuindo para as pessoas,ao invés de responder as provocações.

E aí, me deparo com esse paradoxo:

Nesta época considerada pós-ideológica e pós-utópica, a radicalidade se tornou execrável. Somos continuamente alertados acerca da importância do diálogo e insistentemente instados a dialogar. Uma recusa ao diálogo é considerada uma posição radical e, no mínimo, um indício de uma possível tendência à violência. (Texto do Fabiano Camilo)

Não está fácil viver confortável em um mundo que parece que, se você não se ajusta aos padrões de opinião superficial, você é meramente… um radical.

 

18 comments

  1. Adriano · May 28, 2012

    É, Nessa. Ainda há muito pela frente nesse sentido, de quererem desqualificar as tuas ou as minhas argumentações por serem muito “fora do esperado”. Já fui criticado por “não tomar partido algum” ou de “ficar muito em cima do muro”, ou até “considerar demais ambos os lados numa discussão”. E isso lá é argumento para invalidar a minha opinião em qualquer assunto? Aliás, por que que isso deixa de ser uma opinião, por que que tem que ser preto OU branco? Pelo menos, essa inabilidade das pessoas de não me entenderem, felizmente, não é da minha competência. Aí eu vou saturando, criando um casulo. É a preguiça que toma conta quando alguém na minha volta, seja em casa, no trabalho ou no ensaio da banda, fala algo que discordo mas não retruco. Preguiça de retrucar, de querer espatifar aquela argumentação rasa, de até me indispôr porque eu sou “radical” (e eu nem sou tão radical assim, viu? Não sou vegetariano mas adoro a prática, não ando com camiseta do Che mas flerto fortemente com as ideias de esquerda, dirijo um carro BEM eventualmente, mas morro de vontade de ter minha bike e só pedalar dali em diante). Acho que entendo a tua frustração, e o pior que para mim, essa questão da crítica mais lúcida é tão nova. Cansa, mas não tem jeito. Não temos volta, pois discordar do senso comum até que lá no fundinho dá uma sensação boa.

  2. Adriano · May 28, 2012

    É, Nessa. Ainda há muito pela frente nesse sentido, de quererem desqualificar as tuas ou as minhas argumentações por serem muito “fora do esperado”. Já fui criticado por “não tomar partido algum” ou de “ficar muito em cima do muro”, ou até “considerar demais ambos os lados numa discussão”. E isso lá é argumento para invalidar a minha opinião em qualquer assunto? Aliás, por que que isso deixa de ser uma opinião, por que que tem que ser preto OU branco? Pelo menos, essa inabilidade das pessoas de não me entenderem, felizmente, não é da minha competência. Aí eu vou saturando, criando um casulo. É a preguiça que toma conta quando alguém na minha volta, seja em casa, no trabalho ou no ensaio da banda, fala algo que discordo mas não retruco. Preguiça de retrucar, de querer espatifar aquela argumentação rasa, de até me indispôr porque eu sou “radical” (e eu nem sou tão radical assim, viu? Não sou vegetariano mas adoro a prática, não ando com camiseta do Che mas flerto fortemente com as ideias de esquerda, dirijo um carro BEM eventualmente, mas morro de vontade de ter minha bike e só pedalar dali em diante). Acho que entendo a tua frustração, e o pior que para mim, essa questão da crítica mais lúcida é tão nova. Cansa, mas não tem jeito. Não temos volta, pois discordar do senso comum até que lá no fundinho dá uma sensação boa.

  3. Fabricio Zuardi · May 28, 2012

    Não entendi.

    Você ser marginalizada pelos outros por ser vegetariana te ajudou a aliviar o seu peso de consciência de ter cometido uma infração e/ou funcionou como justificativa?

    Tipo: “ah, nego já me chama de radical mesmo… vou furar esta fila aqui no banco” ou “já que estão me julgando sem considerar meus motivos vou estacionar na vaga deste deficiente aqui”.

    Entrar pelos fundos em um show, ainda que gratuito não é um direito, não é uma causa, enfim, não é certo. É malandragem.

    Pode me chamar de radical :)

    • garotacocacola · May 28, 2012

      Então, não aliviou peso nenhum, eu só tracei um paralelo. Nunca tinha me dado conta de que eu estava enquadrada em um perfil à margem por ser vegetariana, feminista, etc. Tive a bendita epifania quando me chamei de ‘marginal’ por pular uma cerca.
      Tipo, eu já era marginal – dã.
      Eu acho ridículo entrar pelos fundos em show, e jamais pensaria que é uma causa, e assumo a atitude besta feita no calor do momento.
      Mais uma merda para lista de histórias para contar pros netos, o que não quer dizer que me orgulhe.

      • Fabricio Zuardi · May 28, 2012

        Esclareceu. Agora saquei melhor o que quis relatar.

        []s

        • garotacocacola · May 28, 2012

          :)

  4. Fabricio Zuardi · May 28, 2012

    Não entendi.

    Você ser marginalizada pelos outros por ser vegetariana te ajudou a aliviar o seu peso de consciência de ter cometido uma infração e/ou funcionou como justificativa?

    Tipo: “ah, nego já me chama de radical mesmo… vou furar esta fila aqui no banco” ou “já que estão me julgando sem considerar meus motivos vou estacionar na vaga deste deficiente aqui”.

    Entrar pelos fundos em um show, ainda que gratuito não é um direito, não é uma causa, enfim, não é certo. É malandragem.

    Pode me chamar de radical :)

    • garotacocacola · May 28, 2012

      Então, não aliviou peso nenhum, eu só tracei um paralelo. Nunca tinha me dado conta de que eu estava enquadrada em um perfil à margem por ser vegetariana, feminista, etc. Tive a bendita epifania quando me chamei de ‘marginal’ por pular uma cerca.
      Tipo, eu já era marginal – dã.
      Eu acho ridículo entrar pelos fundos em show, e jamais pensaria que é uma causa, e assumo a atitude besta feita no calor do momento.
      Mais uma merda para lista de histórias para contar pros netos, o que não quer dizer que me orgulhe.

      • Fabricio Zuardi · May 28, 2012

        Esclareceu. Agora saquei melhor o que quis relatar.

        []s

        • garotacocacola · May 28, 2012

          :)

  5. Rafael Daud · May 28, 2012

    O problema do mundo é que as pessoas não costumam se dar conta do quanto radical ainda é sexy.

    Ou, como diria o pai do Denzel Washington em Ganster: o problema do mundo é que vc não sabe onde fica o coração dele… pra enfiar uma faca bem no meio!

    • garotacocacola · May 28, 2012

      Daud, você tem os melhores comentários haha.

  6. Rafael Daud · May 28, 2012

    O problema do mundo é que as pessoas não costumam se dar conta do quanto radical ainda é sexy.

    Ou, como diria o pai do Denzel Washington em Ganster: o problema do mundo é que vc não sabe onde fica o coração dele… pra enfiar uma faca bem no meio!

    • garotacocacola · May 28, 2012

      Daud, você tem os melhores comentários haha.

  7. Dea Balle · May 28, 2012

    Nessa, quanto a isso de dialogar, eu tenho que te dizer que o pessoal com posições bem-estabelicidas também muitas vezes não quer dialogar, quer pessoas que concordem com eles. Não é todo mundo, mas é assustador o número de pessoas que se colocam dessa forma.

    Recentemente, comentei num post de assunto meio polêmico, dizendo basicamente que não concordava com a opinião da moça, apesar de respeita-la. Ela me respondeu me mandando ler o post de novo, por que eu não havia entendido. Li, continuei com a mesma opinião e argumentei, ponto por ponto, no que concordava, no que não concordava, inclusive dizendo que queria que ela estivesse certa, mas o por que que eu achava que as idéias que ela propõe não iam funcionar. Ela me disse DE NOVO que eu não tinha entendido e que devia ler e me informar mais antes de falar. Ler mais o que, se eu peguei ponto por ponto?

    Ou seja, continuar na discussão ad infinitum, né. Eu li e entendi os pontos dela, e disse mais de uma vez que respeitava , só discordava e dava meus argumentos. E ela nem rebatia os argumentos em si, só dizia que eu não tinha lido, não tinha entendido, não tinha vivência e visão (e ela não me conhece).

    Não sei se o pessoal recebe tanta patada que se fecha, mas eu acho complicado que um comportamento assim venha de pessoas que justamente dizem incentivar o diálogo e as idéias diferentes. “Incentivam” quando você repete o discurso deles, quando é minimamente diferente (até por que eu não acusava a pessoa de nada, só estava discordando) você é a malvada, retrógrada e burra (por que a pessoa insistir que tu não entende quando tu esmiuça os argumentos é te chamar de burra).

    Acho maniqueísmo meio perigoso, de todas as partes. E eu vejo esse maniqueísmo em muitos movimentos. Como eu disse, pode até ter ser um instinto de proteção, mas essa falta de vontade de conversar e debater idéias vinda de movimentos que se propõem a mudar algo e trazer novas idéias é bem irônica. E infelizmente me dá uma preguiça danada.

    Aí eu fico sem saco e fujo de discussões políticas/sociais, por que eu quase sempre sou “coluna-do-meio”, e as pessoas que curtem discutir política/questões sociais tendem a ter posições bem definidas pra um lado ou pra outro. Aí todo mundo tenta mudar a minha opinião, quando eu não quero, quando a minha opinião bem definida é a de conciliação, de adaptação do cenário atual pra levar à mudança.

    O mais bobo é que quando eu encontro pessoas que querem realmente dialogar, eu tento ser o mais cabeça aberta e pegar tudo que pode ser positivo pra mim, rever alguns pontos, vai que eu estava vendo do jeito errado? BTW, aconteceu isso na semana passada e eu vi que realmente eu estava me fechando no meu mundinho em um ponto e não estava vendo o cenário geral. Ou quando eu era mais jovem e contra cotas sociais, por que acreditava na meritocracia (pensando que todo mundo tem o mesmo cérebro, o que é verdade), sem ver que o ferramental muda muito de uma pessoa pra outra pela educação básica que ela recebeu. Mas quando a criatura me tira pra burra, eu me fecho. Eu espero que quando uma pessoa abre um diálogo, ela possa receber também meus argumentos.

    Então, pra tentar fechar, por que eu me empolgo escrevendo: aceitar idéias diferentes é sempre difícil. E é muito bom achar pessoas que curtem dialogar.

    • garotacocacola · May 28, 2012

      Eu sei, Deia. O maior cuidado que eu tenho é de não me fechar, mesmo com as minhas opiniões fortíssimas, eu sempre escuto quando alguém acha que estou errada.
      E olha, muitas vezes aprendi coisas inesperadas. Inclusive, ouvir esse tipo de argumento, contrário, ajuda você a solidificar mais ainda sue próprio discurso.
      Vale a pena respirar fundo e ouvir o que o outro tem a dizer. Ele tem uma vida, uma história, um contexto, completamente diferente do seu.
      Sobre essa pessoa que não entendeu o que vc falou no post, eu nem tenho muito o que dizer. O mundo está recheado de gente assim, muitos dos quais são baitas ‘caga-regras’ que não conseguem enxergar um palmo na frente do nariz.
      Btw, meu próximo post é mais ou menos sobre isso. :)

  8. Dea Balle · May 28, 2012

    Nessa, quanto a isso de dialogar, eu tenho que te dizer que o pessoal com posições bem-estabelicidas também muitas vezes não quer dialogar, quer pessoas que concordem com eles. Não é todo mundo, mas é assustador o número de pessoas que se colocam dessa forma.

    Recentemente, comentei num post de assunto meio polêmico, dizendo basicamente que não concordava com a opinião da moça, apesar de respeita-la. Ela me respondeu me mandando ler o post de novo, por que eu não havia entendido. Li, continuei com a mesma opinião e argumentei, ponto por ponto, no que concordava, no que não concordava, inclusive dizendo que queria que ela estivesse certa, mas o por que que eu achava que as idéias que ela propõe não iam funcionar. Ela me disse DE NOVO que eu não tinha entendido e que devia ler e me informar mais antes de falar. Ler mais o que, se eu peguei ponto por ponto?

    Ou seja, continuar na discussão ad infinitum, né. Eu li e entendi os pontos dela, e disse mais de uma vez que respeitava , só discordava e dava meus argumentos. E ela nem rebatia os argumentos em si, só dizia que eu não tinha lido, não tinha entendido, não tinha vivência e visão (e ela não me conhece).

    Não sei se o pessoal recebe tanta patada que se fecha, mas eu acho complicado que um comportamento assim venha de pessoas que justamente dizem incentivar o diálogo e as idéias diferentes. “Incentivam” quando você repete o discurso deles, quando é minimamente diferente (até por que eu não acusava a pessoa de nada, só estava discordando) você é a malvada, retrógrada e burra (por que a pessoa insistir que tu não entende quando tu esmiuça os argumentos é te chamar de burra).

    Acho maniqueísmo meio perigoso, de todas as partes. E eu vejo esse maniqueísmo em muitos movimentos. Como eu disse, pode até ter ser um instinto de proteção, mas essa falta de vontade de conversar e debater idéias vinda de movimentos que se propõem a mudar algo e trazer novas idéias é bem irônica. E infelizmente me dá uma preguiça danada.

    Aí eu fico sem saco e fujo de discussões políticas/sociais, por que eu quase sempre sou “coluna-do-meio”, e as pessoas que curtem discutir política/questões sociais tendem a ter posições bem definidas pra um lado ou pra outro. Aí todo mundo tenta mudar a minha opinião, quando eu não quero, quando a minha opinião bem definida é a de conciliação, de adaptação do cenário atual pra levar à mudança.

    O mais bobo é que quando eu encontro pessoas que querem realmente dialogar, eu tento ser o mais cabeça aberta e pegar tudo que pode ser positivo pra mim, rever alguns pontos, vai que eu estava vendo do jeito errado? BTW, aconteceu isso na semana passada e eu vi que realmente eu estava me fechando no meu mundinho em um ponto e não estava vendo o cenário geral. Ou quando eu era mais jovem e contra cotas sociais, por que acreditava na meritocracia (pensando que todo mundo tem o mesmo cérebro, o que é verdade), sem ver que o ferramental muda muito de uma pessoa pra outra pela educação básica que ela recebeu. Mas quando a criatura me tira pra burra, eu me fecho. Eu espero que quando uma pessoa abre um diálogo, ela possa receber também meus argumentos.

    Então, pra tentar fechar, por que eu me empolgo escrevendo: aceitar idéias diferentes é sempre difícil. E é muito bom achar pessoas que curtem dialogar.

    • garotacocacola · May 28, 2012

      Eu sei, Deia. O maior cuidado que eu tenho é de não me fechar, mesmo com as minhas opiniões fortíssimas, eu sempre escuto quando alguém acha que estou errada.
      E olha, muitas vezes aprendi coisas inesperadas. Inclusive, ouvir esse tipo de argumento, contrário, ajuda você a solidificar mais ainda sue próprio discurso.
      Vale a pena respirar fundo e ouvir o que o outro tem a dizer. Ele tem uma vida, uma história, um contexto, completamente diferente do seu.
      Sobre essa pessoa que não entendeu o que vc falou no post, eu nem tenho muito o que dizer. O mundo está recheado de gente assim, muitos dos quais são baitas ‘caga-regras’ que não conseguem enxergar um palmo na frente do nariz.
      Btw, meu próximo post é mais ou menos sobre isso. :)