Adoro ver True Blood. Mesmo que às vezes seja difícil, nesses tempos de abstinência iminente, conter contrações involuntárias e espamos de gemidos por tantas cenas quentes e estimulantes. Sem contar muitos caras bonitos sem camisa. Tá certo que aparecem muitas mulheres com pouca roupa também, mas acho que aparecem muito mais homens seminus do que mulheres – o que, para mim, é um grande trunfo, que me faz ser fã incondicional da série.

Num mundo cheio de filmes, séries, programas de auditório, etc, recheados de garotas mostrando os peitos e a bunda, não me sobra muita diversão visual. E isso é algo que eu não compreendo, afinal, nós – mulheres – somos metade da população, e talvez até a maioria. Como permitimos que nos tratem desse jeito? Primeiro, os programas só tem menininhas saradas para o bel-prazer do público masculino, e o público feminino tem que se contentar com o Faustão, o Luciano Hulk, o Lobão, o Zeca Camargo, o Pedro Bial, o Gugu, e por aí vai – falando em tv aberta, óbvio, só para usar um exemplo mais amplo. Segundo, a maioria das convidadas desses programas são, obrigatoriamente, lindíssimas, gostosíssimas. Mesmo que tenham sido convidadas para falar do seu trabalho, e mesmo as mais desprovidas de beleza, sempre são muito trabalhadas no make-up, no salto, um decote ali, ou uma perna de fora aqui.

“Vejam só, além de inteligentíssima, Ph.D, líder em seu ramo, ela consegue ser extremamente bonita, simpática, sorridente.” É como se ser competente não bastasse por si só para destacar uma mulher. Ela também tem que ser agradável, simpática, e minimamente bonita.

Fala sério, né?

Mas voltando ao assunto do True Blood, eu gosto muito do jeito como tratam as mulheres nesse seriado. Ele está longe de ser totalmente livre de machismo, mas pelo menos acerta o tom da igualdade dos sexos em muitas partes. A Sookie, protagonista interpretada pela Anna Paquin, seguidamente está cercada de vampiros – homens -, que tentam sobrepor sua idéia sobre o que é melhor para ela o tempo inteiro, e ela frequentemente discorda disso e faz o que ela quer. Outra coisa é o desejo sexual. Na maioria das cenas íntimas que ela tem com o Bill, seu namorado vampiro, é ela quem procura ele. Completamente lasciva. Acho legal, na segunda temporada, quando eles retratam a mulher do reverendo da Sociedade do Sol – cristãos ferrenhos que querem matar os vampiros e trazer à tona valores morais arcaicos – como uma pessoa de opinião, que tem suas próprias idéias, mas acaba anulando-se em prol da imagem do marido. Ela é o oposto da Sookie. Extremamente infeliz dentro da sua vida cheia de moral e bons costumes.

Só não gosto muito do fato de terem colocado uma mulher no personagem que reatrata uma Ménade – na mitologia, seguidoras do deus do vinho, Dionísio. Porque sempre atribuem às mulheres o retrato da discórdia, da razão da violência entre os homens, da promiscuidade, etc. Como se sexo fosse uma coisa muito feia. Tem um amigo meu que sempre fala “são tudo piranha!” quando alguém está contando sobre um problema no namoro, ou se alguém conta que está apaixonado, ou se alguma mulher começa a falar algo inteligente na televisão. Porque a galera adora condenar as gurias libertinas, as gurias que não estão interessadas em serem castas, e etc. Eu não acho errado alguém querer ser virgem, ou uma menina querer tomar atitudes que a mantenham o mais longe possível do rótulo injusto de “puta”. Mas eu acho péssimo que se atribuam falta de moral à liberdade sexual. Puta falta de sacanagem isso. Eu tenho uma mania meio radical, de categorizar os guris, e desvalorizá-los pelo quantidade de putaria que fazem. É errado pensar assim, eu sei. Mas eles fazem comigo o tempo inteiro. Dá vontade de pegar a cabeça de cada um deles e bater na parede até que sangrem e fiquem tontos a ponto de parar de pensar essas babaquices. Por que eles podem e eu não posso? Por que eles podem ficar com um monte de gurias sem serem taxados de modo pejorativo? Por que comigo tem que ser assim?

Bem, fuji do assunto do True Blood. Continuando… Outra coisa que me instiga e me motiva a vê-lo é a grande denúncia que eles fazem ao machismo no trabalho. Na parte humana do elenco, existe só uma mulher ocupando um cargo de destaque: uma policial negra. Acho tudo muito legal, muito bonito, mas ela é gordinha e extremamente rabugenta – o estereótipo que normalmente tratam personagens que ocupam cargos tipicamente masculinos. O resto das humanas são garçonetes e donas de casa. A única que se sobressai um pouco é a Sookie, mas só porque um homem se apaixonou por ela e “abriu sua mente” para o mundo. Já a parte vampira do elenco é diferente. A própria representante da raça, que realiza os debates nos programas de televisão que são promovidos entre humanos e vampiros, é uma mulher. As vampiras todas fazem o que  lhe der na telha, e muito frequentemente usam os homens como objetos. Adoro uma cena, na segunda temporada (ali pelo episósio 7 ou 8), em que um casal bate na porta do quarto de hotel onde está Bill e Sookie, e ele atende e pergunta quem são eles. E ela diz “Eu sou Fulana de Tal, e ele é meu acompanhante”. Meu acompanhante. O cara não mereceu nem ter seu nome mencionado. Adorei, adorei. Outra cena que acontece mais ou menos no mesmo episódio, é o serviço de quarto chegando e entregando um rapaz muito bonito no quarto, e uma vampira recém-criada o pegando pelo braço e puxando para sua cama. Quando ela leva uma bronca do Bill sobre isso, ela responde “Mas ele estava no cardápio!”, e nós sabemos que ela não estava falando em tomar o sangue dele, mas em usá-lo para fazer sexo. Eu gostei disso porque existe um gigantesco número de putas no mundo, e a maioria é heterossexual. Já gigolôs – prostitutos – existem bem poucos, e desses poucos a maioria é homossexual ou bissexual. Porque não existe demanda para gigolôs heterossexuais (se eu estiver errada, alguém me corrija). Sempre fantasiei, quando adolescente, a minha mãe me pegando pela mão e dizendo “Hoje vou te levar num puteiro e tu vai aprender a pegar um homem”. Não que eu tenha a mínima vontade de pagar alguém para fazer sexo comigo, acho isso muito nojento e broxante. Mas como eu sabia que isso acontecia com os meninos, dos pais levarem-os para puteiros para perderem a virgindade, eu achava que eu merecia essa escolha tanto quanto eles – nunca achei legal essa diferença nos tratamentos.

Resumindo, eu acredito na igualdade dos sexos. E embora desvalorizar os homens pelos mesmos motivos que eles desvalorizam as mulheres seja um princípio controverso para alguém que quer ser bem-tratada, eu acho que estamos numa fase em que precisamos de atitudes como essa para chocar. Situar o agressor na situação da vítima faz ele pensar duas vezes no que está fazendo. Acredito que o sexismo pode ser tratado assim. Se a gente colocar os homens do modo com que eles nos colocam, logo logo eles estarão pensando muito bem antes de chamar uma garota de puta, piriguete, galinha, piranha, blablablá.

P.S¹: Vegetariana vendo seriado que mostra vampiros, canibalismo, e sangue para caramba? Bem, eu gosto de vampiros, gosto de ver a raiva aflorando, e pessoas tirando sangue umas das outras. Acho que mostra bem sobre a nossa natureza violenta. Mas agressões contra animais, esses inocentes, eu continuo dispensando.

P.S²: Dont worry, eu não sou tão radical sobre os homens, eu sei que existem uns não-sexistas e muito legais. Mas também sei que tem uns que é só para dar uns tapas e depois bye bye.

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