aquele sobre um ano superado

Existe um Tumblr chamado Advice For All My Children, cujas imagens eu adoro usar por aqui. Muitas delas realmente dizem coisas que eu gostaria de falar para minhas próprias ‘children'; sejam elas meus futuros filhos mesmo, ou os meus próprios amigos. Tem uma imagem que eu vi por lá esses dias, que diz muito sobre a minha política de lidar com problemas em 2012.

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O problema é que ao longo do ano eu descobri que eu sou, sim, um pouquinho de todas as trevas pelos quais eu passei. Elas são minha história, e elas vão estar lá no meio das minhas rugas quando eu for mais velha.

Esse ano foi foda. Se eu pudesse enumerar tudo pelo o que eu passei, daria para provar minha certeza de que foi o ano em que a vida mais me ensinou. E no fim das contas, depois de apanhar muito, acho que venci. Dia 5 de janeiro eu escrevi um post aqui falando que a única resolução de ano novo para 2012 era sempre agradecer a todos os que me estendessem a mão. Então, acho que cumpri minha única resolução de 2012. Bingo. Até porque ajuda foi o que eu mais recebi no ano que passou, e foi a única coisa que me manteve firme. Amizade no final das contas é um bálsamo mesmo. Por isso, nunca vou deixar de acreditar nas pessoas. O mundo ainda pode ser um lugar muito belo. Acredite.
Porém, se no dia 5 de janeiro eu soubesse a metade do que aconteceria na minha vida, eu teria prometido mais coisas para 2012. Eu teria dito que eu a) não me deixaria influenciar por ingenuidade, b) não esqueceria de pedir ajuda quando precisasse, c) passaria a acreditar que vilãs de novela existem de verdade, d) entenderia que se eu não tiver vontade de viver, ninguém vai poder me ajudar, e) sempre devemos denunciar quem nos faz mal, para que não possam fazer mal a outras pessoas também, f) os amigos nos conhecem melhor do que nós mesmos, devemos escutá-los sempre.
O ano começou com um grande buraco na minha conta do banco, seguido do meu aniversário de 22 anos que sucedeu a uma crise de convivência insana que me fez sair do apartamento fantástico em que eu morava, para me amontoar em um quarto de 20m² com uma amiga, com simplesmente todas as nossas coisas – duas camas de casal, escrivaninha, guarda-roupa, malas, caixas, etc. Com isso veio a separação dos meus gatos, contra minha vontade – mas movida pela força da situação -, e um contínuo desarranjo da minha vida profissional. Por uma série de fatores ridículos, eu me deixei levar, e de repente eu não tinha mais freelas, não dava mais aula, ficava em casa em uma inércia infindável. Meses depois eu percebi que tudo foi estrategica e diplomaticamente arquitetado por alguém bem maquiavélico; mas no momento eu não vi, eu não conseguia acreditar que qualquer um pudesse estar provocando tudo aquilo. Não que eu não acreditasse na maldade das pessoas, mas porque eu achava que ninguém se daria ao trabalho de estragar tanto a minha vida daquele jeito – porque olha, deve ter dado trabalho sim -, sendo que eu nunca fiz mal a ninguém. Bom, março foi o pior mês da minha vida. Parece que durou cinco anos. Em contrapartida, eu também vivi. E muito. À despeito de todas as desgraças que ocorriam no lar, fora dela a vida foi vivida intensamente – em todos os sentidos. Beijei muito, namorei, conheci pessoas ímpares, pedalei muito, escrevi, comecei projetos fantásticos. Foi nesse mês que eu participei da minha primeira bicicletada. Foi demais. Depois abril entrou como um bálsamo. Consegui me mudar para um lugar pequeno, terno, acolhedor, longe, mas incrivelmente meu. Calmo. Mesmo que pertencesse a uma amiga, eu sentia que era muito mais meu – nosso – do que qualquer outro lugar onde eu havia morado antes. Foi aí que comecei a entender a verdadeira importância dos amigos de verdade nos momentos que a gente precisa. Os meus gatos voltaram para o meu colo, e aí eu devo agradecer às duas anjinhas que cuidaram deles enquanto eu precisei, porque sem elas eu não sei o que faria. Uma delas ainda por cima tinha alergia, e passou dois meses inteiros com dois peludos no apartamento. Nem dá para encontrar palavras para dizer o quanto eu fui grata. Outras pessoas me ajudaram financeiramente, quando eu achava que esse tipo de ajuda era too much, e ninguém deveria me ajudar nesse sentido. Mas ajudaram. E eu não passei fome.
Foram tantas ajudas nesse período negro. Suporte emocional do namorado da época, que me ouvia incansavelmente e me dava o ombro para chorar quando eu precisava (mesmo que a relação não tenha ido para frente, esse sentimento de agradecimento eterno ficou), a ajuda financeira das amigas distantes, o suporte das amigas próximas, o gás que todo mundo me deu para continuar indo em frente…
Minha amiga que sofreu as dores de março comigo, escreveu hoje que o ano dela se resume a uma palavra: ousadia. É, acho que todos nós fomos ousados esse ano e sobrevivemos. Aos trancos e barrancos. Erramos demais. Acertamos de menos. Mas quando acertamos, foi para valer. Bem, acho que se eu fosse descrever o meu ano em uma palavra seria: superação.  Superar minhas covardias e enfrentar um medo diferente todos os dias. Nunca deixei de ter medo, mas encará-lo é incrível. Superar, então. Nossa.
Eu superei. Eu venci.

E escrevi tanto as palavras ‘amiga’ e ‘amigas’ nesse texto, que cheguei a me emocionar. Logo eu, que até dois anos atrás não tinha muitas amigas mulheres e escrevia tanto nesse blog sobre meus amigos homens e minha tendência em ser amiga deles, e só deles. Olhem como o mundo dá voltas. Hoje eu tenho dezenas de amigas. Mulheres. Incríveis. Algumas não nasceram mulheres, tornaram-se; outras sabiam que eram mulheres desde a mais tenra infância, mesmo que todos lhe dissessem que não; umas tem filhos, sendo mães muito diferentes daquelas que eu conhecia, e são o retrato da mãe que eu quero ser um dia; outras sabem que não querem ter filhos nunca e não se deixam abater pelos jantares de família e as perguntas inconvenientes. Mulheres que matam um leão por dia. Amigas. Minha mãe dizia que não existia amizade entre mulheres. Hoje eu ensino minha mãe que existe, sim. Não acredite no que os outros te falam só porque são mais velhos que você: a experiência de vida deles, é deles. A sua é a sua.

Em 2012 eu superei. Eu beijei. Eu me apaixonei de novo ao longo do ano, e continuo apaixonada como se fosse sempre o primeiro dia, o primeiro beijo. Eu mudei de carreira, e subitamente me apaixonei pelo trabalho. Eu conheci pessoas novas todos os meses, e todas elas são fantásticas. Eu abracei. Eu briguei. Eu chorei. Eu gritei. Eu amei.

Resolução para 2013?

Me manter sempre apaixonada. Pelo trabalho, pelas pessoas, pela família paulista, pela família gaúcha, pelos gatos. Pela vida.

One comment

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  1. Marília Moschkovich · December 31, 2012

    Lindinha. Te amo. <3