Dizem por aí que a mulher já é livre o suficiente, que pode fazer o que quiser. Pra que feminismo Continue reading
Tag Archives: feminismo
[Daí que eu fiquei um pouco ociosa nos últimos dias.
Adivinha o que acontece com uma pessoa inquieta, sem internet, trancada em casa, numa terça de carnaval? Isso...]
COMPREM NOSSA CAMISETA! Direção, roteiro, edição e protagozização por Nessa Guedes. Tempo recorde de produção: 7 horas, com intervalos para Continue reading
“Esse vídeo é um jeito bem humorado de quebrar certos esteriótipos do feminismo. Sim, eu sei que o feminismo é Continue reading
Uma pequenina reflexão sobre a retrospectiva do ano de um ponto de vista mais amplo, e não pessoal.
Pequenas notas sobre o boom cibernético da semana, o termo ‘feminazi’. Link: cynthiasemiramis.org
Por que essas profissões são predominantemente femininas?
Eu não sou importante na internet. Mas quero que vc assista isso.
Adoro ver True Blood. Mesmo que às vezes seja difícil, nesses tempos de abstinência iminente, conter contrações involuntárias e espamos de gemidos por tantas cenas quentes e estimulantes. Sem contar muitos caras bonitos sem camisa. Tá certo que aparecem muitas mulheres com pouca roupa também, mas acho que aparecem muito mais homens seminus do que mulheres – o que, para mim, é um grande trunfo, que me faz ser fã incondicional da série.

Num mundo cheio de filmes, séries, programas de auditório, etc, recheados de garotas mostrando os peitos e a bunda, não me sobra muita diversão visual. E isso é algo que eu não compreendo, afinal, nós – mulheres – somos metade da população, e talvez até a maioria. Como permitimos que nos tratem desse jeito? Primeiro, os programas só tem menininhas saradas para o bel-prazer do público masculino, e o público feminino tem que se contentar com o Faustão, o Luciano Hulk, o Lobão, o Zeca Camargo, o Pedro Bial, o Gugu, e por aí vai – falando em tv aberta, óbvio, só para usar um exemplo mais amplo. Segundo, a maioria das convidadas desses programas são, obrigatoriamente, lindíssimas, gostosíssimas. Mesmo que tenham sido convidadas para falar do seu trabalho, e mesmo as mais desprovidas de beleza, sempre são muito trabalhadas no make-up, no salto, um decote ali, ou uma perna de fora aqui.
“Vejam só, além de inteligentíssima, Ph.D, líder em seu ramo, ela consegue ser extremamente bonita, simpática, sorridente.” É como se ser competente não bastasse por si só para destacar uma mulher. Ela também tem que ser agradável, simpática, e minimamente bonita.
Fala sério, né?

Mas voltando ao assunto do True Blood, eu gosto muito do jeito como tratam as mulheres nesse seriado. Ele está longe de ser totalmente livre de machismo, mas pelo menos acerta o tom da igualdade dos sexos em muitas partes. A Sookie, protagonista interpretada pela Anna Paquin, seguidamente está cercada de vampiros – homens -, que tentam sobrepor sua idéia sobre o que é melhor para ela o tempo inteiro, e ela frequentemente discorda disso e faz o que ela quer. Outra coisa é o desejo sexual. Na maioria das cenas íntimas que ela tem com o Bill, seu namorado vampiro, é ela quem procura ele. Completamente lasciva. Acho legal, na segunda temporada, quando eles retratam a mulher do reverendo da Sociedade do Sol – cristãos ferrenhos que querem matar os vampiros e trazer à tona valores morais arcaicos – como uma pessoa de opinião, que tem suas próprias idéias, mas acaba anulando-se em prol da imagem do marido. Ela é o oposto da Sookie. Extremamente infeliz dentro da sua vida cheia de moral e bons costumes.
Só não gosto muito do fato de terem colocado uma mulher no personagem que reatrata uma Ménade – na mitologia, seguidoras do deus do vinho, Dionísio. Porque sempre atribuem às mulheres o retrato da discórdia, da razão da violência entre os homens, da promiscuidade, etc. Como se sexo fosse uma coisa muito feia. Tem um amigo meu que sempre fala “são tudo piranha!” quando alguém está contando sobre um problema no namoro, ou se alguém conta que está apaixonado, ou se alguma mulher começa a falar algo inteligente na televisão. Porque a galera adora condenar as gurias libertinas, as gurias que não estão interessadas em serem castas, e etc. Eu não acho errado alguém querer ser virgem, ou uma menina querer tomar atitudes que a mantenham o mais longe possível do rótulo injusto de “puta”. Mas eu acho péssimo que se atribuam falta de moral à liberdade sexual. Puta falta de sacanagem isso. Eu tenho uma mania meio radical, de categorizar os guris, e desvalorizá-los pelo quantidade de putaria que fazem. É errado pensar assim, eu sei. Mas eles fazem comigo o tempo inteiro. Dá vontade de pegar a cabeça de cada um deles e bater na parede até que sangrem e fiquem tontos a ponto de parar de pensar essas babaquices. Por que eles podem e eu não posso? Por que eles podem ficar com um monte de gurias sem serem taxados de modo pejorativo? Por que comigo tem que ser assim?

Bem, fuji do assunto do True Blood. Continuando… Outra coisa que me instiga e me motiva a vê-lo é a grande denúncia que eles fazem ao machismo no trabalho. Na parte humana do elenco, existe só uma mulher ocupando um cargo de destaque: uma policial negra. Acho tudo muito legal, muito bonito, mas ela é gordinha e extremamente rabugenta – o estereótipo que normalmente tratam personagens que ocupam cargos tipicamente masculinos. O resto das humanas são garçonetes e donas de casa. A única que se sobressai um pouco é a Sookie, mas só porque um homem se apaixonou por ela e “abriu sua mente” para o mundo. Já a parte vampira do elenco é diferente. A própria representante da raça, que realiza os debates nos programas de televisão que são promovidos entre humanos e vampiros, é uma mulher. As vampiras todas fazem o que lhe der na telha, e muito frequentemente usam os homens como objetos. Adoro uma cena, na segunda temporada (ali pelo episósio 7 ou 8), em que um casal bate na porta do quarto de hotel onde está Bill e Sookie, e ele atende e pergunta quem são eles. E ela diz “Eu sou Fulana de Tal, e ele é meu acompanhante”. Meu acompanhante. O cara não mereceu nem ter seu nome mencionado. Adorei, adorei. Outra cena que acontece mais ou menos no mesmo episódio, é o serviço de quarto chegando e entregando um rapaz muito bonito no quarto, e uma vampira recém-criada o pegando pelo braço e puxando para sua cama. Quando ela leva uma bronca do Bill sobre isso, ela responde “Mas ele estava no cardápio!”, e nós sabemos que ela não estava falando em tomar o sangue dele, mas em usá-lo para fazer sexo. Eu gostei disso porque existe um gigantesco número de putas no mundo, e a maioria é heterossexual. Já gigolôs – prostitutos – existem bem poucos, e desses poucos a maioria é homossexual ou bissexual. Porque não existe demanda para gigolôs heterossexuais (se eu estiver errada, alguém me corrija). Sempre fantasiei, quando adolescente, a minha mãe me pegando pela mão e dizendo “Hoje vou te levar num puteiro e tu vai aprender a pegar um homem”. Não que eu tenha a mínima vontade de pagar alguém para fazer sexo comigo, acho isso muito nojento e broxante. Mas como eu sabia que isso acontecia com os meninos, dos pais levarem-os para puteiros para perderem a virgindade, eu achava que eu merecia essa escolha tanto quanto eles – nunca achei legal essa diferença nos tratamentos.
Resumindo, eu acredito na igualdade dos sexos. E embora desvalorizar os homens pelos mesmos motivos que eles desvalorizam as mulheres seja um princípio controverso para alguém que quer ser bem-tratada, eu acho que estamos numa fase em que precisamos de atitudes como essa para chocar. Situar o agressor na situação da vítima faz ele pensar duas vezes no que está fazendo. Acredito que o sexismo pode ser tratado assim. Se a gente colocar os homens do modo com que eles nos colocam, logo logo eles estarão pensando muito bem antes de chamar uma garota de puta, piriguete, galinha, piranha, blablablá.

P.S¹: Vegetariana vendo seriado que mostra vampiros, canibalismo, e sangue para caramba? Bem, eu gosto de vampiros, gosto de ver a raiva aflorando, e pessoas tirando sangue umas das outras. Acho que mostra bem sobre a nossa natureza violenta. Mas agressões contra animais, esses inocentes, eu continuo dispensando.
P.S²: Dont worry, eu não sou tão radical sobre os homens, eu sei que existem uns não-sexistas e muito legais. Mas também sei que tem uns que é só para dar uns tapas e depois bye bye.
Mais uma pequena vitória para nós, mulheres.
O mundo começa a me deixar um pouquinho menos envergonhada…
Link da notícia: http://www.piniweb.com.br/construcao/carreira-exercicio-profissional-entidades/canoas-rs-tem-400-vagas-para-cursos-gratuitos-de-construcao-destinados-168907-1.asp
Vídeo sobre o assunto: http://mais.uol.com.br/view/99at89ajv6h1/mulheres-buscam-espaco-e-vagas-na-construcao-civil-0402316CDCB10386?types=A&
Surpresa. Grande surpresa.Todo o burburinho que fizeram sobre o filme, é real. Todos os longos dez anos (?) que levaram para produzi-lo valeu a pena. Todo o auê de marketing não foi dinheiro desperdiçado. Se você tem vergonha na cara, não faça download, levante a bundinha e vá até o cinema contribuir seu dízimo para com qualquer porcaria de empresa que ajudou o filme a ser feito, porque, minha gente, é justo.
Avatar é simplesmente o melhor roteiro que eu já assisti na vida. E de longe um dos filmes mais emocionantes que eu já vi – semana que vem vou no 3D, ontem assisti na telinha normal.
Vou transcrever minhas impressões e opiniões sobre alguns trechos do filme.
SEM SPOILER
Resuminho rápido pra quem não assistiu ainda: A história é básica. Um cara de cadeira de rodas – com as pernas imóveis – é irmão gêmeo de um cientista fodão que foi recrutado para viajar ao planeta Pandora e lá colaborar com o departamento de pesquisas da base humana que se instalou lá. Só que o cientista fodão morre. Como é muito caro o investimento para se criar um avatar – ser geneticamente copiado dos habitantes de Pandora, os Navis, criaturas humonóides azuis, de uns três metros de altura, rabo e lindas expressões faciais – o paraplégico (que é soldado) acaba indo no lugar do gêmeo falecido. E ele acaba curtindo muito o seu Avatar, a ponto de preferi-lo a seu corpo humano. Plausível, eu acho que eu também preferiria. Viver em Pandora e ser Navi é o máximo, eles têm os ideiais e o sentimento de ‘mundo’ mais coerente que eu já vi. Sem contar que os efeitos visuais são demais!
Então, se ainda não viu o filme, o que tu tá fazendo aí sentando? Vai lá, porra. É um filme cheio de pancadaria das boas, com um roteiro plausível dentro do tema que é proposto, sem muitos clichês, tem um pouquinho de romance – acho que 0,5% -, fala sobre preservação ambiental (não diretamente), mostra máquinas futurísticas sendo usadas pelo exército, tem cenas LINDAS de elementos bioluminescentes em paisagens de tirar o fôlego, há um dos vilões mais cruéis da história do cinema – arrisco em afirmar, colocando minha mão no fogo -, tem bichos fantásticos que travam lutas entre si, tem um povo que vive compartilhando energia em harmonia – inclusive com plantas, dando todo um significado especial à ligação que eles tem com a vida em todo o planeta em que eles vivem -, tem cientistas com falas e ações super coerentes com o papel deles de cientistas (os biólogos, principalmente, vão se identificar), é uma crítica ferrenha ao capitalismo, e um GRANDE puxão de orelhas referencial à época da crueldade da colonização das américas.
Tem cada batalha no ar! Meu deus, é demais. Tem até uma cena de um Navi dando uma de Legolas; naquela cena que ele faz miséria em um olifante no segundo Senhor dos Anéis, só que em Avatar o cara faz isso com uma nave! Enfim, vai lá ver o filme de uma vez, pow.
COM SPOILER
Bah, eu juro que me vi na pele daquela cientista chefe do departamento de pesquisa na hora que ela recebeu na equipe dela um soldado sem conhecimento nenhum sobre pesquisa de campo. Vocês não sabem o quanto é difícil obter resultados e analisa-los, coletar material, usar bem as amostras, etc, e um cara que não tem noção de como se faz isso nunca vai conseguir fazê-lo de modo satisfatório de primeira. Se eu fosse ela, eu teria dado um soco no cidadão quando ele olhou para ela e respondeu “Dissequei um sapo na escola” quando ela pergunta qual era a experiência dele. E essa cena, para mim, é um dos símbolos de que a atuação da galera está impecável. Eu sou muito chata com isso, principalmente em filmes sci-fi, hi-tech, blablablá, porque é fato que sempre tem uns atores com cara-de-nada ou de mosca-morta que passam despercebidos por serem ofuscados pelo brilho dos efeitos especiais e batalhas impressionantes. Mas em Avatar isso não existe, todo mundo se puxou no seu trabalho.
Pandora é um lugar lindo. O produtor/diretor não nos poupa de detalhes, desde as plantas até os bichos mais colossais. É uma obra de arte. A noite do planeta é tocante, tudo lá brilha no escuro, até mesmo sementes de árvores e os próprios Navis. Vocês não sentiram seus olhinhos brilhando naquela cena em que o Jake tem seu fogo apagado e se dá conta da luminosidade própria do planeta, como se tudo estivesse ligado?
E está ligado, não é o máximo?!
Enfim, nota 10 para cena que eles tentam salvar a vida da cientista. Aquele bando de gente se tocando e dançando junto em volta da árvore, aquele canto primitivo… Isso mostra que sozinhos nós não somos nada, temos que nos comportar como uma coisa só para alcançar nossos objetivos. E a conexão deles com aqueles ‘cavalos’ bizarros e/ou bichões alados? Lindo lindo lindo. Eles sentem um ao outro, nada mais justo, é uma lição de desapoio à submissão e os maus-tratos aos animais, mesmo que alguém pense que eu estou louca por fazer tal conexão com este fato do filme. Sei lá, fizeram um ótimo trabalho com o filme.
E tem o adicional de ser um roteiro feminista, como a Lola falou. Mais da metade dos personagens fortes são femininos, algo inédito em Holywood. E nenhuma mulher no filme, em nenhum momento, é julgada por sua aparência física. Muito bom. Acho que a representação máxima do NÃO AO PATRIARCALISMO é a cena em que o general-locão-da-cicatriz está brigando com a cientista e ele diz “Cala a boca, mulher!”. Sei lá, foi tão forte que até eu segurei um eco na minha garganta, parece que essa frase dele – aos berros – entrou fundo nas minhas veias como se tivesse catalisado muitos sentimentos que já tive a longo da vida ao ser subestimada pela minha condição de mulher. Na hora eu pensei: putaquepariu, ele acabou com ela, agora fudeu minha idéia de que esse filme era feminista, ela ficou muda e vai ficar sem resposta para ele. Mas que nada! A cientista responde no mesmo tom de ofensa e desprezo que ele lançou para ela “Quem você pensa que é, recruta zero?!” (não é exatamente assim, mas é algo nesse estilo) e ela se vira para o cara do lado e diz “Faz o favor de educar esse cachorro?”. Muito bom, hehe. Pontos para o diretor.
Enfim, por enquanto é isso.
Acho que Avatar é o melhor filme que eu já vi até hoje, porque junta todos os temas que eu acho pontuais de ser levar para um blockbuster, tem efeitos completamente inovadores – afinal, até os bichos não parecem ter nenhum resquício de intervenção gráfica computacional -, é feminista e fala sobre ecologia.
Muito muito muito dez. Perfect, eu diria.