Eu sempre entro numa pequena crise interna toda vez que escrevo alguma coisa nessa blog. Mais precisamente, algo bem pessoal – que foi o caso do último post, que escrevi ontem de noite, falando sobre o que eu acho de homens inseguros.
Nunca curti esse lance de exposição, sempre foi minha crítica ferrenha ao Big Brother Brasil, por exemplo. Acho que falar demais sobre si mesmo sempre pode ser perigoso. Porém, com o blog, eu fui me soltando com o tempo. Adquiri uma inibição que eu nunca tive na vida, e melhoraram até minhas relações interpessoais, no mundo real. Foi quase o mesmo efeito que tive na época que fiz aula de teatro; fiquei mais espontânea. E sem papas na língua.
Alguém comentou no post, o seguinte: “vejo sempre você dando juízos para os homens; pois bem, agora irei forcenecer um precioso conselho; a níveis de relacionamento -momentâneo ou esporádico- o ideal seria não ficar expondo seus fracassos em meios públicos, como sabes bem, qualquer um pode ler, e esse alguém pode ser aquele carinha almejado (ou almejável).” Foi anônimo, claro. Suspeito que possa ser alguém sobre quem eu já tenha falado por aqui, sempre sem citar nomes, e sempre pensando – inocentemente – que a criatura nunca vai ler.
Se alguém por quem eu já nutri sentimentos desistiu de ficar comigo por causa das coisas que eu escrevo, eu não sei. Provavelmente nunca vou saber. Mas o contrário eu sei que aconteceu sim, de alguém começar a me olhar diferente exatamente pelas coisas que eu escrevo. Não aconteceu necessariamente de alguém se apaixonar por mim, mas sim de ficar mais meu amigo, ou com vontade de me conhecer melhor. Adoro isso, sabe? Adoro porque as pessoas são tímidas, porque a internet aproxima a gente de uma forma que nenhum meio físico de contato faria sem que antes as pessoas criassem laços estreitos de amizade.
Um dia pode ser que eu me arrependa amargamente de expor tanto a minha opinião para gente que eu nunca vi na vida, ou – ao contrário – para pessoas que me conhecem e convivem comigo, mas que eu não faço idéia de que leem essas coisas aqui. É um trunfo que eu boto na mão das pessoas. Elas me conhecem, mas eu não as conheço. Não chego a ficar desconfortável com isso, mas é algo que martela na minha cabeça de vez em quando.
E a última coisa que o anônimo disse: “Se não queres se gabar mentirosamente, mantenha -apenas- os amigos informados sobre esse quinhão da sua vida.” Estamos na internet. Ponto. Se eu quiser chegar aqui e dizer que sou loira, e fui capa da Sexy, acredita quem quiser. Se alguém acha que o que eu escrevi é mentira, a pessoa tem todo o direito de pensar isso, oras. Não há como saber se o que eu contei naquele post é verdade, ou se é tudo coisa da minha cabeça. Eu digo para vocês, eu escrevi o que eu tive vontade e contei sobre coisas que me aborrecem. Se alguém não acreditou, o que eu posso fazer? Nada. A pessoa é livre para pensar o que quiser de mim, assim como pode simplesmente fechar a janela do meu blog e partir para outra.
Outra coisa. Como eu respondi para o anônimo, há algo que é bem importante ressaltar – não que eu faça questão de tornar pública essa minha idéia, mas vá lá, acho pertinente pontuar. Eu jamais escreveria coisas pessoais sobre alguém com quem eu estivesse minimamente envolvida. Até hoje, eu só escrevi sobre dois caras aqui no blog com quem eu já mantive um relacionamento. Um cara com que eu ficava até a metade desse ano, e que rendeu altos posts engraçados, que ele mesmo comentava comigo depois de ler – ou seja, ele não se importava que eu estivesse falando sobre ele, até porque sempre o avisei quando fiz, e nunca escrevi nada pessoal da gente aqui. E o outro cara é um ex-namorado meu, com quem namorei por três anos, dos quais um ano e meio eu já tinha este blog, e ele era raramente citado. Inclusive a gente chegou a ter um blog juntos, que falava sobre livros e games. E, no entanto, jamais falei nada sobre nossas intimidades de casal aqui.
Os outros caras sobre os quais eu falei, ou reclamei, eu nunca cheguei a me envolver. Nunca. E acho que isso até é uma revolta infantil minha, aliás, uma graaaaande infantilidade – é a maneira desajeitada que eu lido com rejeição. Eu escrevo. Eu exorcizo todo aquele sentimento pesado de ódio ou nojo por mim mesma, aquilo que a gente sente quando gosta de alguém, se entrega, e é rejeitado. Quem nunca levou fora na vida? Eu tenho vontades loucas de bater com a cabeça na parede, em reposta à minha atitude burra de correr atrás de alguém que me rejeita. E eu já fiz isso mais de uma vez. Mas, ao invés de bater a cabeça, eu escrevo. Alivio as minhas tensões. E de quebra eu ganho apoio de um monte de gente, cuja maioria eu mal conheço, graças ao blog.
Enfim. Provavelmente eu vou continuar me odiando e tendo crises por ser tão visceral nas coisas que eu exponho na internet. Mas é o preço que eu pago por exorcizar meus demônios e por ser – por que não admitir? – muito narcisista a respeito de mim mesma. E mesmo que eu jamais tenha me achado melhor ou pior do que qualquer um por aí, eu me sinto no dever de gostar de mim mesma e de tudo que eu escrevo. Porque isso é a única coisa que eu produzo para o mundo, para comunidade, para minha sociedade. O meu trabalho não é nada, qualquer um poderia trabalhar onde eu trabalho e fazer as coisas que eu faço, é só ter a mesma formação e um pouquinho de criatividade. Também não faço trabalho voluntário, não sou ativista de porra nenhuma, não contribuo em nada para ajudar a vida dos outros, salvo uma doação que outra para alguma instituição. A coisa mais perto que eu faço de uma ação para melhorar o mundo é escrever o que eu penso. O que eu penso que pode ajudar as pessoas refletirem sobre suas vidas, para tornar o mundo mais habitável e tolerável. E sobre o que eu falaria se não sobre a minha própria vida? É a única coisa que eu conheço direito, oras.
Se eu fosse mais esperta, escreveria ficção, e não auto-biografia.
Mas vocês, por acaso, leriam um blog de ficção?