Acordar de manhã na sua casa, depois de uma festinha com vinte amigos loucos do rock’n'roll, sex and drugs bêbados, pode ser um grande pesadelo – pode ser que sua cozinha esteja mais escura e mais fluosforecente que a selva de Avatar, cheia de pilhas e pilhas de louças, garrafas e latas, e substâncias de origem duvidosa espalhadas pela parede, teto e superfícies em geral.
Mas na minha casa não. Acordei e estava tudo um brinco. Não tinha louça suja na pia. O lixo estava todo separado em sacos de seco e orgânico. Aparentemente, ninguém tinha feito sexo selvagem no banheiro, ou explodido qualquer coisa, etc.
Engraçado que eu lembro de pessoas mordendo batatas e cenouras cruas, gente misturando cachaça com vinho, a minha mãe reclamando de gente vomitando no pátio dos fundos, pessoas se beijando na sacada, panela de quentão virando no fogão, guerra de amendoim, o chão podre de sujo…
Mas de manhã, tudo estava normal. Sem vestígio de festa.
Milagre?
Não sei. Mas vi neguinho que eu nunca vi a mais de dez metros de distância de uma esponja, lavando a louça freneticamente as 6h da matina. Vi, de relance, minha prima coordenando um que outro pela cozinha. Pessoas se dividindo em grupos em busca de copos esquecidos no chão, e garrafas escondidas embaixo do sofá, essas coisas.
Medo. Muito medo.
Abduziram meus amigos e mandaram clones no lugar.
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E né, eu também devo ter sido abduzida. Acordar sem ressaca moral, sem ressaca física, nem nada… Isso não parece muito comigo, sabe? Não faz meu estilo. Ficar sem dormir e permanecer de bom humor o resto dia, essas coisas. Confessar meu apreço por alguém que não seja bem meu amigo, também não é comum. Ficar sem fumar uma carteira de Lucky Strike, essas coisas.