Eu tenho um grupo de amigos com quem eu passo o fim de semana inteiro. Jogamos volei, jantamos juntos, vamos ao posto, compramos bebidas, conversamos, vemos WWF de luta livre, assistimos Simpsons, etc. De vez em quando eles lêem esse blog, de vez em quando a gente se fala no orkut ou no msn, mas é muito raro. A gente se fala muito mais pessoalmente e por telefone.
Esse fim de semana eu deixei meu celular desligado de propósito, para eu ficar mais em casa, estudar e terminar alguns trabalhos que vão render um bom dinheirinho no fim do mês. Funcionou.
De domingo para segunda eu sonhei com eles. Nada demais, sonhei que a gente estava indo comer pizza. E notei a falta enorme que eles me fazem quando fico mais de uma semana sem vê-los. E eles são todos meninos, o que me faz pensar que isso está diretamente ligado ao fato de que eu sempre quis ter um irmão mais velho. Não sei se porque meu pai foi super ausente enquanto eu crescia – mesmo sendo casado com a minha mãe e morando debaixo do mesmo teto – ou se porque eu nunca conseguia me aproximar muito dos meus primos, já que a minha mãe era superprotetora e não me deixava brincar com eles porque eram meio ‘selvagens’ (em suma, crianças normais). Eu sempre fazia amizade com as meninas, era o modo natural das coisas, e não me misturava com os meninos porque minha mãe não curtia muito. Depois de um tempo, mais crescida, aconteceu o oposto, fui me aproximando mais dos guris. Hoje em dia eu posso dizer que só tenho duas amigas super íntimas, do sexo feminino, e uns seis do sexo oposto. Obviamente que não quer dizer que não tenha muitas amigas mulheres, claro que sim, mas eu falo em intimidade.
Eu conheci esses meus amigos há uns dois anos só, mas parece que é uma vida inteira. A opinião deles, a presença deles, é muito especial e importante para mim. É tanta sinceridade e honestidade comigo que chega a ser engraçado.
Não sei se é por isso que eu fico receosa de me relacionar com alguém. Eu duvido que qualquer namorado que eu tenha simplesmente encare numa boa a constante presença dos meninos no meu fim de semana. Duvido que ele tolere as massagens nos pés que eu ganho, os abraços apertados quando eu peço, os beijinhos estalados nas minhas bochechas enquanto danço nas festas. Duvido. Dificilmente vou poder viajar com eles ou acampar, sem magoar o namorado.
Aí minha mãe me pegou com uma questão esses dias. Ela apontou que talvez eu não me relacione mais com nenhum cara direito porque eu já tenho carinhos masculinos suficientes dos meus amigos, mesmo que não tenha nada carnal com nenhum deles. Ponderei. Talvez ela esteja, em partes, certa. Mas eu nunca deixei de ficar com ninguém por causa deles, eles até me estimulam, talvez eu tenha deixado só de pensar em permitir as coisas se aprofundarem para além de uma simples noite, ou um simples affair. Eu sempre tenho medo do dia que eu me apaixonar por alguém de verdade e a pessoa de repente não gostar das minhas amizades. Eu não duvido que eu abra mão do relacionamento pelas amizades. Afinal, os amigos estão ali para o que der e vier, e mesmo que eu abrisse mão deles, o dia que eu tornasse a estar sozinha, eu sei que eles me acolheriam de novo. E é exatamente por isso que eu nunca os abandonaria.E isso não se aplica só a um grupo de amigos, mas a todos.
Até que ponto as amizades me levariam a desistir de um amor? Eu não sei, mas temo que por muito pouco.
Eu não sei vocês, mas o carinho vindo do amigo é tão delicado, é tão sincero. Não te pede nada em troca, não é dado porque ele quer algo de ti. É simplesmente afinidade, apreciação da tua companhia, admiração pela tua pessoa. É ótimo. É consolação para os dias tristes, exaltação nos dias de felicidade, compartilhar as conquistas, dividir as dores. Para mim, é o porto seguro que me salva das depressões espontâneas, da minha infelicidade com as injustiças do mundo, dos meus desapontamentos amorosos.
Os meus amigos são a válvula motivadora da minha vida.