Então, minha playmovielist do fim de semana está feita após minha visita à Fantástica Locadora de Vídeos da UFRGS para devolver o Barbarella. Entrei lá e não pude deixar de notar uma prateleira SÓ de Almodovar. Bárbaro, bárbaro. Mas não peguei nenhum deles. Decidi por filmes que eu nunca pensei em ver. Fiz diferente. Fui pegando meio aleatoriamente e deu nisso:

- Magnetismo Selvagem

- Milk

- Requiem para um Sonho

- Os monólogos da Vagina

Segunda-feira eu posto alguma coisa se os filmes citados acima me ensinaram, de fato, alguma coisa.

Fichinha do Filme

Ano: 1968

Gênero: ficção científica (na Wikipedia dizem que também é erótico, mas eu discordo

Resumo da Wiki: No século 40, a astronauta Barbarella, em patrulha com sua nave em algum lugar do universo, é enviada pelo presidente da Terra para capturar o criminoso Duran Duran que inventou um arma num longínquo e desconhecido planeta, colocando em perigo a paz da galáxia, onde há séculos não existem mais guerras. (Foi daí que a banda Duran Duran tirou o seu nome).

Barbarella definitivamente é minha heroína oficial.

Além de astronauta – provavelmente ela também estudou Física haha – e super sacana, ela vive num futuro tão longíquo, mas tããaaao longíquo (muito mais que a época de Star Wars e Battlestar Gallactica) que todo mundo vivia em paz serena, muito bem, obrigado. Não existiam guerras há séculos. E o download era extremamente mais sofisticado – porque no filme o chefe dela faz um upload de uma arma para ela, de nave para nave. Viu só? Baixar filme é pros fracos, quero ver tu baixar uma arma laser carregada, mané.

Mas esse filme, além de super colorido e tal, muito me agrada pela liberdade e valor dado às mulheres. Porque na hora de salvar o planeta Terra, quem é que o chefão lá escolhe como agente mais bem habilitado? Quem? Quem? A Barbarella, aquela loira que fica fazendo strip dentro da sua nave quando está entediada. Só não gosto desse clichê aí de loira lindíssima, mas vá lá, é perdoável frente às referências feministas do filme. Legal que ela é super libertina e nenhum homem vê isso como sinônimo de ser puta; pelo contrário, eles supervalorizam essa libetinagem dela e admiram sua sagacidade.

No fundo é um filme com uma história pueril demais, mas eu gosto muito.

P.S: Achei aquele anjo com quem ela aparentemente faz sexo selvagem em um ninho (!) muito homossexual.

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É bom lembrar que eu só consegui o filme porque tinha disponível na locadora da universidade. Sério, essa locadora é o PARAÍSO. Eu vi na mesma prateleira, um do lado do outro, Barbarella – Scarface – Se beber não case – E o vento levou – Juno – Goonies – Donnie Darko… E em outra prateleira as séries Dexter – Arquivo x – Sex and the City – Simpsons – Futurma – Friends – Thundercats… Galera, passar no vestibular da federal vale a pena só para ter acesso à essa locadora. Isso que eu nem falei das pilhas e pilhas de documentários hiper interessantes, e da disponibilização de quase todos os filmes feitos no Brasil, incluindo os curtas.

E tudo custa sabe quanto? DOIS REAIS a diária.

E tudo em DVD.

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Depois da efervescência sonolenta da minha noite de ontem, em que eu fui dormir as 20h e acordei as 6h do outro dia, super bem disposta… Lembrei de algumas coisas pertinentes sobre o feriado.

E daí se eu marquei uma ida ao cinema na noite dia 1° de maio?

E daí se eu disse que ia na festa de aniversário da minha vizinha dia 1° de maio?

E daí se a minha melhor amiga marcou o capelleti de casa-nova dela dia 1° de maio?

E daí se eu confirmei todos esses compromissos?

Nunca te convidam para nada, e quando convidam, fazem um complô para convidarem todos no mesmo dia, só para ver quem é mais importante para você. E ter agenda organizada é pros fracos. E felicidade de pobre é outros quinhentos, né. E convites masculinos que é bom, zero. O mais interessante é que eu penso isso, mas ao mesmo tempo tô pouco me lixando. Acho que eu tô meio que… crescendo?

Putz.

Que chatinho esse papo.

Nessas horas eu queria ser a própria Barbarella e seus figurinos futurísticos. Porque bah, usando aquelas roupas, não ia ter barbado do mundo que resistisse a mim, e nem Lady Gaga que me batesse.

Jane Fonda rules.

Minha saga na aula de Química Fundamental não está nem perto de terminar. Recebi aquela maldita prova hoje e adivinha só: tirei metade da nota que deveria ter tirado. Por quê? Porque não li a observação no topo da prova, que dizia “Faça a análise dimensional de todas as questões”. Ou seja, fui avaliada, literalmente, pela metade.

Fazer o quê, né? É a vida. Uns lêem todas as linhas, outros simplesmente querem se livrar da prova e da professora e acabar logo com aquilo. Tipo eu. Yay.

O pior de tudo foram os exemplos infelizes da aula de hoje. A professora, super normal, comparou uma reação química à um CASAL.

Sim!

A um casal!!!

Ela foi lá e disse: “Um ácido é como uma mulher de personalidade forte: acaba com um homem, que é a base de tudo.”

Sério, eu quase explodi de raiva.

O que ela quer dizer com isso? Que mulher não deve ter opinião própria? Que mulher também não pode ser a base de tudo? …Deve ser complexo de cinquentona que se acha acabada, só pode. E é ranzinza ainda por cima.

Mas como se não bastasse, os colegas engenheiros riram da piada. E ainda teve um deles – o desgraçado – que falou que estava notando no caderno, para lembrar quando se deparasse com uma mulher ácida. E todo mundo riu de novo, incluindo as meninas. Eu, prevendo que seria chamada de mal-amada, fiquei na minha ao invés de soltar os cachorros na turma – que era o que eu queria ter feito -, e me limitei a lançar um olhar de fúria para a professora e o cidadão que se pronunciou.

Foi aí, lançando o meu Olhar Fulminante N°4, que eu vi quem era o cara. Era o mesmo que eu notei que usava uma camiseta do Che Guevara um dia, mas a camiseta tinha um balãozinho do saindo da boca do Che. O balãozinho dizia “Eu apoio esta idéia”. E embaixo tinha o logotipo da implantação do Parque Tecnológico da UFRGS. Justamente no dia em que eu estava indo para Reitoria protestar contra a implatação do Parque sem a discussão com a comunidade acadêmica, junto com meus amigos de esquerda. Sério, esse guri é o símbolo da intolerância patriarcalista. Só poderia ser engenheiro mesmo.*

E pior que o desgraçado é gato. Gato para caramba. Filhodaputa. Esse tipinho deveria ser extinto do mundo.

*Eu sei que engenheiros são pessoas legais que constroem as coisas e tal, se houver algum engenheiro de esquerda lendo aqui, eu peço desculpas pelo meu momento de exaltação. Eles são frequentes.

Enquanto eu venho tendo ataques de amor e compaixão e sensiblidade pelas dores do mundo inteiro, virando vegetariana, virando voluntária para cuidar de cachorro de rua – numa total vibe Atlas lifestyle (se você não lembra, o Atlas foi o cara da mitologia grega que carregava o mundo nas costas. Dã) -, o meu desempenho acadêmico fica variando entre máximos e mínimos relativos, como se a minha vida fosse a junção de vários gráficos relacionando tipo:

Vontade de beber = f(notas) = notas² x auto-estima

Estado de espírito = f(moral) = moral + (posts humanitários no blog)

Humor = f(sexo) = sexo / número de homens que tem medo de mim

Acessos consumistas = f(meu manequim) = meu manequim (novos cortes de cabelo)³

Assim, né.. TUDO proporcional.

Eu aqui, com empreguinho bom, universitária, um monte de amigos e uma família legal, fazendo blogzinho, pagando de globalizada, de legal.

Assim é muito fácil levar a vida, né?

Daí eu acordo de manhã e leio isso. E lembro quantas meninas sofrem pelo mundo. Fazendo sexo com estranhos, em troca de comida ou para poderem comprar uma Barbie.

UMA BARBIE!

E isso me dá uma vontade de chorar.

É muito fácil e cômodo botar a mão na minha cabeça, afagar, e dizer “Vanessa, a vida é assim. A gente tem que tocar a vida porque o mundo é assim e a gente não vai conseguir mudar nada se revoltando”.

Muito cômoda é essa história de pensar que alguns tem sorte, outros não, e não importa o que a gente faça, sempre vai ter gente nesse tipo de situação.

Sabe… eu realmente discordo dessa opinião.

É sim muito bonitinho botar a mão na boca e dizer “oooh, que horror” na frente da Tv, e chegar no trabalho e dizer “vocês viram que absurdo?”, e sua comoção parar por aí.

Se cada um arregaçasse as manguinhas e fizesse alguma coisa de realmente útil para mudar o mundo, ao invés de ir ali na rua fumar um cigarro ou passar a tarde no shopping, com certeza algumas crianças não precisariam passar nem por um décimo do que elas passam hoje.

Se você guardasse o papel do Halls no bolso e jogasse no lixo em casa, ao invés de tocar no chão ou pela janela do carro, o mundo seria infinitamente mais limpo. Você pensa: ah, mas eu sozinho não faço diferença nenhuma frente aos milhares que vão continuar jogando não só o papel do Halls mas até uma lata no chão. Aí você tem que parar e pensar que se todos guardassem o papel do Halls no bolso, isso faria a maior diferença. Imagina se cada um pensasse nisso cada vez que fosse jogar lixo no chão. Sacou a idéia?

Sozinho ninguém muda nada. Mas se cada “sozinho” do mundo pensar do jeito correto, e não ficar supondo que o resto vai fazer o errado e que por isso ele vai fazer errado também, o mundo chegaria cada vez mais perto do ideal de comercial de margarina que a gente vê na tv. Não é tão difícil.

O mesmo raciocínio se estende para essas meninas prostituídas pelo mundo a fora.  Se ao invés de ficar exclamando “ohs” de horrorização ao ver as notícias podres na tv ou na internet, as pessoas colaborassem e não fossem tão sectárias – se elas ao menos deixassem de culpar só o governo pelas barbaridades do mundo – bem que arragaçariam as manguinhas e fariam alguma coisa para ajudar.

Ajudar com o quê de maneira imediata e prática, eu ainda tento descobrir. Mas alguma hora eu vou, e realmente não tenho pretensão de ficar com a bundinha sentadinha aqui na cadeira, brincando de blogueira, o resto da vida, enquanto tanta coisa ruim acontece com gente indefesa lá fora.

E a vontade chorar não passa…

Vou fazer um serviço de utilidade pública hoje. Eu sei que quem vem aqui geralmente é jovem, então vou escrever sobre uma coisa que talvez ajude muitos, ou talvez faça outros rirem. Enfim, trata-se de algo que ficou muito alarmante para mim e me preocupou. E talvez justifique porque vejo tanta gente com potencial e desempregada, ou sem estágio. Bem, segue abaixo.

Se tem uma coisa que eu aprendi durante abril, é que mais vale um currículo bem montado do que uma lista comprida de recomendações. Pelo menos na área de Informática e Design. E Webdesign, né.

Fazendo a seleção do pessoal novo que viria para compor minha equipe de Web Desenvolvimento, recebi 18 currículos, todos de universitários da federal. Muitos mandaram em formato .doc, outros em .odt, outros mandaram o link para o Lattes, e – pasmem – teve alguém que mandou um .dat que até agora eu não entendi o motivo. Mas o que mais me agradou foi quem mandou em PDF. Dá um ar muito mais profissional. O PDF é um arquivo não-editável, bonito, e que 98% dos computadores do mundo têm o leitor que abre o arquivo. Os documentos em formato ODT só são abertos por quem usa uma versão open source (o famoso software livre) do Office, ou seja, POUQUÍSSIMAS pessoas – tem gente que nem sabe o que é ODT. E o formato DOC, invariavelmente, me lembra os tempos de quando eu abria o Word e ficava olhando para aquela página em branco, tentando pensar em como começar meu próprio currículo e quais informações inserir nele – além de que o DOC é um documento editável e dá um ar muito capenga para quem recebe, eu não sei explicar direito, mas é parecido com uma sensação de insegurança ou descaso de quem está mandando.

Eu não sou especialista em Recursos Humanos, e também não sou uma pessoa com 15 anos de carreira. Bem longe disso. Eu tenho 20 anos de vida, e 5 de experiência profissional. No entanto, me achei no direito de opinar e dar conselhos sobre como fazer um currículo que preste. Porque, meus caros, eu sempre achei que aquele monte de parágrafo no maior estilo “NOME: Fulano de Tal   FILIAÇÃO: Beltrano e Cicrana de Tal ESCOLARIDADE: Ensino Médio Completo na Escola Não Sei Das Quantas” era coisa do passado. Coisa de quem nunca teve internet na vida, sabe? Mas como sou ingênua… Depois dessa experiência de receber currículos e fazer entrevistas, descobri que a história desses “currículos afasta-emprego” é muito mais frequente do que eu sequer sonhara. Então as minhas dicas cruciais são as seguintes:

- Envie no formato PDF

É tendência. É mais bonito, mais agradável de ler, e mostra que você é antenado e sabe fazer um arquivo PDF. Mas se isso é uma mentira e você não tem nem idéia de como se cria um PDF, eu ensino: entra no Google e procura um programa conversor de arquivos doc em pdf, ou atualiza o Microsoft Office porque ele oferece a opção de salvar em pdf nas últimas versões. Mas se você tem um Microsoft Office pirata e não consegue atualizar, faz um favor para a humanidade e baixa uma coisa chamada BrOffice, que é de graça, e tem a opção de salvar tudo em pdf desde os tempos mais remotos de suas primeiras versões.

- Seja objetivo

A melhor coisa quando se abre um currículo é ler imediatamente as informações que mais interessam. No meu caso, o que eu queria saber era o nome do vivente, a formação dele ligada ao cargo a que ele estava se propondo, a idade, e o e-mail. Isso é o essencial para se colocar no topo do currículo. Depois, claro, é bom ver os últimos empregos do cara – sempre na ordem cronológica decrescente. Explico: se você trabalhou no lugar A em 2007, no lugar B em 2003, e no lugar C em 2009, não coloque as experiências profissionais na ordem tradicional “2003 – Lugar B; 2007- Lugar A; 2009 – Lugar C”, colque-os de trás para frente, mostrando sempre o último emprego em primeiro lugar2009 – Lugar C; 2007 – Lugar A; 2003 - Lugar B”. Entendeu? A mesma regra serve para a escolaridade. Coloque a última graduação que concluiu ou está concluindo (pós-graduação, graduação, ensino técnico, ensino médio, etc), seguido dos anteriores, até chegar ao ensino fundamental (por exemplo).  Claro que as informações de contato são super importantes, mas – e isso é uma opinião muito pessoal – eu acho muito mais prático deixar isso como rodapé ou coluna secundária (no fim deste post eu vou colocar exemplos de currículos para download).

- Seja estiloso, SE PUDER

Mas sem exagero, né. É extremamente agradável receber um currículo que além de limpo e objetivo, tem um visual diferenciado e bonito. Obviamente que ninguém contrata pessoas avaliando o design do currículo, mas isso sempre conta pontos, pois mostra que você é uma pessoa que se preocupa com a aparência da sua apresentação – garantir uma boa primeira impressão quer dizer que você vai fazer isso quando precisar representar a empresa externamente também, ou quando for montar slides para apresentar algum projeto. Se você sabe que não tem nenhuma noção de design não tente fazer nada. O bom preto, o bom negrito, e a boa possibilidade de mudar o tamanho da fontes, com certeza garantem a hierarquia das informações e um currículo minimamente apresentável.

- Evite escrever “Curriculum Vitae” no topo

No lugar disso, apenas escreva seu nome. “CURRICULUM VITAE” é muito cafona, sério. Ninguém mais faz isso (exceto as pessoas cafonas, embora eu espero que ninguém aqui leve isso para o lado pessoal, ok?).

Bem, essas três dicas aí são bem diretas, da minha parte. Mas também tem uma coisinha meio óbvia que algumas pessoas simplesmente ignoram, que é o seguinte: não se candidate a vagas em que o seu perfil não se encaixe. E eu falo sério. Isso é extremamente ridículo, patético, e sem sentido. Se você – por exemplo – estuda Artes Plásticas e tem cursos de formação como mediador de museus, e restauração de obras, jamais se candidate  a uma vaga de Programação C++. Por mais estranho que isso possa soar,  existe. Há muitas pessoas sem a mínima noção de bom-senso no mundo. E se o chapéu serviu para você, não se abata por ter dado a mancada; trate de não fazer mais, só isso. O mundo tem muitas oportunidades, uma hora a certa vai surgir. Só não pode ficar mandando currículo à la loca para qualquer coisa que aparecer só porque você colou no currículo que tem vontade de aprender e é pró-ativo. E para quem o chapéu não serviu, eu só tenho a dizer: continue assim, coerência é a chave do negócio.

Vou finalizar deixando aqui uns modelos de currículos feitos por mim, incluindo aquele que me garantiu metade dos empregos que consegui. Modéstia parte, eu sempre fui chamada para entrevista em todas as vagas para que me candidatei. Sempre achei isso muito bizarro e inesperado, mas agora entendo os motivos. Num mar de currículos não-objetivos, cheio de candidatos sem formação na área específica, é óbvio que eles iam chamar quem teve  a melhor apresentação inicial e correspondeu as expectativas da empresa sobre a formação acadêmica, etc. Exemplo real: nunca enviei currículo para ser secretária – por mais que tenha me dado vontade, ainda mais em tempos de vacas magras, quando surgiam oportunidades muito boas (financeiramente falando). Por quê? Bem, porque minha formação é Técnica em Redes de Computadores, não tem nada a ver com Secretariado. Entendeu? Hoje em dia eu trabalho com Desenvolvimento Web, que pouco tem a ver com Redes de Computadores (que lida com infraestrutura), mas só cheguei nessa área porque casualmente as necessidades da vida e das empresas onde trabalhei sempre se voltavam para esse lado, então adquiri experiência numa área onde não tenho formação. Mas nunca deixei de fazer cursos para me atualizar depois que decidi permanecer na área.

Enfim, vocês sacaram a idéia, né? Então é isso, me estendi muito no assunto. Espero ajudar pelo menos uma pessoa, algum dia.

Modelos de Currículo (em PDF):

Modelo Curriculo 1

Modelo Curriculo 2

Modelo Curriculo 3

É difícil me concentrar em escrever um artigo para um site sério (enquanto corrijo um script javascript) quando alguém fica me chamando no msn, falando sobre meus peitos (!), e eu não sei se dou um corte para acabar com a brincadeira infantil e inesperada (para um cara bonito e inteligente de quase 30 anos) ou se eu pego e dou a real que se ele fosse bem corajoso ele vinha e tirava suas próprias conclusões sobre os meus peitos ao vivo, entre quatro paredes.

Odeio esse tipo de homem.

Parecem bixas.

Daí eu lembro que as bixas são extremamente mais corajosas que eles e penso: eles parecem mesmo são bebês.

AIVSO: Esse post pode conter muitos erros de digitação. Etsejam avisaods.

[tô com preguiça de corrigir]

Depois de um absurdo de tempo, passei as fotos do meu celular para um computador outra vez.

Ali, naquela pasta atirada sem cuidado nenhum ao desktop, está o resumo da minha vida de novembro para cá.

Quilogramas de fotos do pôr-do-sol do Guaíba – os gaúchos tem certo tipo de obssessão por essa rara paisagem bonita de que dispõem para exibir aos turistas (e estes quase sempre fingem um deslumbrante interesse por um mero pôr-do-sol capenga que se encontra em 80% de qualquer lugar do mundo, mas que aqui nós insistimos em dizer que é especial) -; fotos minhas para acompanhar a revolução dos meus cabelos na posteridade; fotos da minha irmã para rir da aparência dela na posteridade e mostrar para meus futuros cunhados (ninguém disse que eu era uma irmã boazinha); fotos de mapas para lugares que eu mesma havia esquecido que havia ido; fotos minhas fazendo caretas.

Mas, sobretudo, fotos dos meus amigos. A quantidade de fotos que eu tiro deles é surpreendente. É como se eu quisesse tê-los para sempre junto de mim, com medo que eles sumam de repente. Com medo de que eu pense que todas aquelas tardes e noites felizes foram em vão, ou serão esquecidas no abismo da vida, do tempo… da saudade. E de fato, eu vi fotos de pessoas que não vejo há meses, mas que nem por isso passei a gostar menos.

Achei que tinha fotos felizes.

E comecei a rir sozinha  por ter uma história tão trágica na adolescência – marcada por mortes e mais mortes, de muitas pessoas essenciais na minha vida -, mas ao mesmo tempo uma vida tão colorida e tão cheia de risos. Eu tenho tanto a agradecer a tantas pessoas, que nem ao menos fazem idéia… Resolvi fazer desse um post feliz.

“Se a vida lhe deu apenas limões, faça uma limonada”.

(E eu fico cada dia mais clichê… ai ai)

Quando eu não tenho coisas úteis para fazer em casa, fico testando caretas novas para fazer paras as crianças que ficam me olhando pela janela do carro enquanto eu estou no ônibus.

Sim, às vezes eu não sou muito normal. Mas vocês já devem ter percebido. (Ah, também faço caretas para pessoas que eu não gosto e professores injustos quando saem da sala. yeah. Maturidade bombando por aqui!)

Esses aqui são meus amigos imitando os Powers Rangers na noite do ano novo, depois do trago da meia-noite e talz. Nem vou comentar que fui eu quem começou o motim, depois fui eu quem tirou as fotos da gurizada. Reza a lenda que existe um vídeo meu dessa noite, dançando pole dance com uma coluna de concreto no salão de festas. Mas deixa no off.

Essa daqui é a foto que eu tirei da placa do carro em que eu e Bibi (minha amiga) batemos numa noite excepcionalmente bêbada – e eu simplesmente não conseguia anotar a placa do carro, então achei melhor tirar uma foto, para gente passar pro seguro do carro da Bibi cobrir a besteira. Por favor, não façam isso nunca. Dirigir alcoolizado é perigoso para você e as pessoas na volta. Sem contar que pode ser caro e é crime.

Aqui é a Silvana, a melhor amiga que alguém poderia ter, e seu excelentíssimo, em seu novo apartamento. Também é uma noite excepcionalmente bêbada, pós-Hora Feliz (o nome da festa semanal do curso de Geologia aqui da UFRGS), onde eles tentavam tirar minha atenção das latinhas de cerveja e me mostravam os posters e fotos com que decorariam o apartamento na semana seguinte. Ainda  não fui lá conferir a decoração, mas irei em breve. na próxima vez que eu ficar bêbada depois d euma Hora Feliz e ficar com receio de chegar em casa fedendo à pinga.

Essa foto aí registra o carinho que nós – estudantes do Campus do Vale – dispensamos aos cachorros que vivem aqui. Na foto, uma aula de Física Geral I, meu colega Luciano dividindo o espaço com a Roliça, uma cadelinha que geralmente fica dormindo na parada de ônibus e se alimenta de rações que o pessoal deixa embaixodas escadas do campus.

Essa é a fogueira da melhor festa junina de todos os tempos – da CEFAV – que media mais ou menos uns 3,5 metros de altura de puro fogo. Foi bem na época que começou a fazer 0°C aqui em Porto Alegre, e essa fogueira estava tão quente que a gente tinha que ficar afastado num raio de 4m dela (acho que dá para ver o pessoal lá longe na foto). Esse foi o dia que um grande amigo meu me contou que ia ser pai; foi o dia em que cuidei de três pessoas bêbadas desconhecidas, em lugares distintos da festa; foi o dia em que vi marmanjões da faculdade dançando quadrilha animadamente; foi o dia em que eu confundi um colega meu (baixinho) com uma criança  e perguntei se ele estava perdido e onde estavam os pais dele. Mico total. Mas pelo menos conheci os banco de trás de um carro enorme, com um menino muito interessante. (Bingo!)

Esse é o símbolo absoluto de várias tarde que eu gastei esse verão, passeando à esmo pela orla de Ipanema – sim, aqui em Porto Alegre temos um arremedo de praia chamado, de fato, Ipanema. Vai entender?

Legal que a cada fim de semana eu ia para lá arrastando um grupo de amigos diferente, e a maioria – principalmente quem mora longe de lá – ficava com aquela cara de tédio, e sempre queriam me matar por fazê-los caminhar até lá para depois ter que voltar correndo porque anoitecia logo em seguida, e o lugar ficava perigoso.

Bem, aqui mostro a minha mão com as unhas pintadas de vermelho, num total arrombo de narcisismo – só porque esse esmalte com aspecto de tinta-guáche (é assim que se escreve isso?) é a mais nova onda do inverno. Me sinto muito moderna usando esse esmalte.

HAHA.

Not.

Essa foto podre que eu tirei do Bruno Marques é da noite do meu aniversário esse ano – quando o Marcelo (que faz aniversário no mesmo dia que eu) passou lá em casa de carro  e depois na casa do Bruno, e nós fomos para praia, sem saber direito nem se íamos ter lugar para ficar. Em pleno sábado de carnaval. No fim ficamos num camping furreca na primeira noite, depois a mãe de um outro amigo nosso deixou a gente ficar na casa  que eles estavam alugando, e nós tivemos que desmontar as barracas debaixo da chuva para mudar de lugar. E acabamos o dia no centro da cidade litorânea, cantando e dançando axé, vestindo camisetas do Metallica. E perdendo pequenas – mas significativas – quantidades de dinheiro em jogos de azar, bem como pagando altos micos para uma pirralhada numa máquina de Pump It Up.

A branca é a Kika, 16 anos, e a preta é a Preta, 4 anos. Mãe e filha. Minhas filhas.

A Preta é aquela que pula em mim fazendo festa quando eu chego da festa, e arranha a meia-calça linda que eu estou usando – e é a mesma que rói as minhas botas quando deixo-as arejando no pátio.

A Kika é aquela que eu tenho que guiar até o pote de comida, caso contrário, ela não encontra direito porque é surda e quase cega, de tão velha; e é aquela que me diverte ao sair correndo atrás do carteiro, esquecendo completamente que existe um portão entre ela e o carteiro, e ela bate de cara no tal portão, cai no chão, levanta, e continua latindo tonta, como se nada tivesse acontecido.

Tá, cansei de brincar de fazer legenda de foto.

Mas isso é tipo 1/287 de pedacinho da minha vida que estava guardada no celular.

-Minha mãe fez o meu pai comprar meu presunto favorito, e depois ela mesma foi até o supermercado comprar um dos meus pratos favoritos: coxinha de galinha assada enrolada em bacon. Tudo porque eu contei para ela que não estava mais comendo carne. No fim ela ficou super frustrada porque eu mal olhei para aquilo tudo – mesmo que ela literalmente atirasse os pedaços de presunto na minha frente, na mesa, e esfregasse as coxinhas de galinha embaixo do meu nariz. Acho que ela também se frustrou porque eu não fiquei xingando a família enquanto eles se deleitavam na carne e eu comia humildemente minha berinjela com cenoura.

- Cortei uma franja.

-Vi Crimes em Wonderland e decidi que estou cansada desse tipo de filme. Sempre gostei muito, mas agora a fórmula violência+sexo+drogas+diálogos de impacto está cansando meu cérebro. Gostei muito mais de Pieces of April que parecia mais um drama muito água-com-açucar mas no fim me surpreendeu muito.

Negligenciei a minha refeição diária de estudante pobre hoje, e comprei uma lata de coca e um salgado vegetariano na lancheria caríssima do campus.

Que delícia de salgado, véi, ninguém poderia imaginar. Veio lotado de azeitonas verdes. E eu sou tarada por azeitona (fikdik).

Isso faz vir à tona minha lenta e fixa idéia inconsciente de não comer mais carne. Não é que eu não goste; bem pelo contrário. Eu sou gaúcha, tchê. Mas quando eu fui a São Paulo ver o Ac/Dc ano passado, na correria da ida até o aeroporto para voltar para Porto Alegre, passei por um protesto de um grupo vegan na avenida Paulista. Passei bem de relance, mas deu tempo de eles me darem um panfleto. Que eu simplesmente ignorei, como ótima e típica transeunte que eu sou, e guardei o panfleto no bolso da mochila – porque eu não jogo lixo no chão né, deus-me-livre de ver aquelas enchentes na terra da garoa e ficar lembrando que quando eu passei por lá eu joguei um papelzinho no chão, e, logo, ser reponsável por 0,000000000000001 % dos casos de leptospirose por alagamento consequente do entupimento de bueiros.

Bem, o fato é que eu achei o papelzinho na mochila semana passada. Ele sobreviveu à lavagem de janeiro e as chuvas de fevereiro nas minhas idas à faculdade. Estava lá ele esquecido no bolso que eu nunca uso da mochila. E sem aviso prévio, mesu olhos decidiram cair nas palavras escritas ali.

O panfleto é do grupo AtiVeg. E ontem, enquanto eu ajudava meu colega Luciano a dar banho com sabonete contra-sarna num cachorro sarnento no campus, lembrei dele. Lembrei porque o Luciano é vegetariano, mas se serve de carne no restaurante universitário para levar para os gatos dele. Porque gatos são carnívoros e não tem opção, diz ele. Eu concordo, claro.

O que mais se destaca no meu pensamento é o seguinte:

- Manter animais vivos com objetivo para abate é uma crueldade tão ruim quanto a escravidão;

- Fazer animais procriarem, cuidar deles,  e matá-los para alimentar uma população que não precisa de alimentação carnívora para viver, é muito nojento;

- Subjugar uma espécie, sem fazer parte de seleção natural/cadeia alimentar/etc, conscientemente em prol de puro prazer gastronômico, é revoltante;

- Obrigar animais a comerem sem parar (foi gras) para ficarem gordos o suficiente para o abate é… bem, nem vou comentar, tirem suas conclusões.

Agora não consigo mais olhar para um pedaço de bacon como antes.

E isso que sempre fui mega doida por bacon. E toucinho. E salame. E bife mal-passado sangrento. E salmão cru com shoyo.

Onde é que eu estava com a cabeça?

Lentamente, mas muito lentamente, esses pensamentos foram entrando na minha mente. E ontem, do nada, tomaram uma dimensão enorme de reflexão.

Antigamente quando falavam em abolir a escravatura, as pessoas riam; hoje a realidade é completamente diferente. Antigamente, quando falavam que lavar um ferimento (ao invés de queimar com óleo quente) era melhor, as pessoas riam.

Hoje quando falamos de vegetarianismo, as pessoas riem.