Run my greasy fingers
Up your greasy spine

Estive pensando sobre o que seriam meus calcanhares-de-aquiles morais. Me sinto muito nobre, muito digna, por ser uma pessoa preocupada com as mazelas da humanidade, por ser uma pessoa que se importa com o próximo e está arregaçando as mangas para tentar mudar o mundo – tentando se tornar professora. Porém, todo mundo tem umas fraquezas de que se envergonha muito, e ao mesmo tempo não. Meio difícil de explicar.

Somos Franksteins, cada um formado por retalhos de experiências de vida mescladas à personalidade e ao caráter. Isso faz de nós todos muito diferentes, por mais que tenhamos afinidades com alguns amigos ou parentes. Eu chamo de pequeno frankstein a minha queda por roupas. Por moda. Tento esconder de mim mesma e dos outros, mas tem épocas que não dá. Tipo agora, com toda essa moda de meias-calça coloridas e tal. Eu, que adoro andar de saia curta e bota, fui às alturas. Fico o tempo todo me criticando “Poxa, 50 reais num pedacinho de pano desses! Eu poderia comprar livro X, livro Y… Ou doar para uma instituição, uma ONG, afinal, não tenho necessidade imediata nem básica sobre essa roupa. É só uma roupa. Eu sou cheia delas no meu armário. Tem gente que passa frio na rua porque não tem roupa suficiente!” E daí eu não compro. Então passam dias e dias e eu encontro a mesma peça, em promoção, e levo com uma falsa não-culpa, ou culpa diminuída, não sei. O interessante é que depois que eu adquiro a roupa, eu nem lembro mais do quanto me senti mal por gastar com coisas tão superficiais, tal é o prazer que eu sinto em me vestir bem.

Feed my Frankenstein
Meet my libido
“He’s a psycho”
Feed my Frankenstein
Hungry for love, and it’s feeding time

a Eva Green é muito linda, né?Meu outro pequeno frankstein é uma combinação sedutora de chocolate e cigarro. Adoro fumar. Antigamente fumava uma carteira de Lucky Strike branco por dia. Então ano passado perdi a vontade. Do nada. Não foi uma coisa que eu decidisse tipo “Cigarro faz mal para a saúde, vou parar de fumar.” Não. Só passou a vontade. Hoje em dia eu fumo umas duas  vezes por semana, dois cigarros por vez. Com o chocolate ocorre o mesmo, tenho comido menos, quanto mais velha eu fico. Mas é fato que esses meus franksteins são todos intimamente ligados: acho um charme só aquelas fotos de gente fumando, com ar blasé. Assim como adoro sair toda bonitona por aí para entrar na loja da Copenhagen.

Pensei em tudo isso num átimo de sgundo, ouvindo Alice Cooper. Passei meus 18 anos ouvindo essa banda, que não é do meu gosto musical preferido, mas sei lá, as letras sempre se encaixavam com pequenas partes dessa época da minha vida.  Eles não são caras muito fashion, mas adoro ouvir enquanto estou me vestindo. Me sinto tão cool experimentando roupas antes de sair de casa, ouvindo música no meu próprio toca-discos. Extremamente poser e patética. Me detesto por esses assaltos de auto-exaltação. Por me exibir pela janela para os vizinhos enquanto danço sozinha no quarto. Mas eu me sinto tão feliz fazendo isso. Dá um gás todo interessante, todo íntimo, para começar ou encerrar o dia.

Make my tattoos melt in the heat
Well, I ain’t no veggie
Like my flesh on the bone
Alive and lickin’ on your ice cream cone

Talvez o ser humano precise alimentar seus pequenos franksteins. Eu pretendo deixar de lado esses meus preconceitos sobre minha própria vontade de comprar roupas legais por aí, vou tentar reservar mais felicidade interna para mim mesma. Vou parar de conter a vontade de comer chocolate só porque me disseram que eu engordei, vou parar de esconder o cigarro quando uma pessoa querida passar por mim me olhando feio enquanto eu fumo.

E sim! Terei meus momentos de vaidade, tipo esse que estou tendo com este post hoje. Colocando fotos minhas misturadas à estas fotos de modelos legais e tal. Porque eu sou muito sem-noção e feliz para dar bola para o que os outros vão pensar. Huhu.

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Eu gosto de bits e bytes.
Talvez por isso eu tenha estudado infraestrutura de redes, e seja uma grande curiosa da programação; gosto e desgosto das duas áreas, uma relação de amor e ódio profunda. A única neutra para mim é a parte de banco de dados, que é útil para ambas áreas, e que eu acho fantástica. De qualquer jeito, é burrice compará-las, cada área da informática tem seu próprio valor, e raramente uma tem razão de existir sem a outra.
Por exemplo:
Você aí, agora.
Você está usando um computador com internet (suponho). A página que você está lendo contém um texto meu – dã – e ele é exibido num formato agradável para ler. Esse jeitinho bonitinho de apresentar o texto é pura obra de uma linguagem web muito antiga, o HTML, operando junto com o CSS. O HTML dita onde ficam os elementos da página e onde começa e onde termina uma parte dela;  a foto/banner com o nome do blog vem primeiro, a coluna com os links diversos vem depois, o texto postado fica na extrema esquerda etc etc. O CSS tem outra função: ele diz as cores, os espaçamentos, as fontes e etc; faz o estilo do blog. Existem alguns elementos de Ajax, PHP, blablablá, nas páginas da internet, para que elas fiquem mais dinâmicas e você possa brincar no Buddy Poke, na Fazenda Feliz, ver vídeos no youtube, e uma série de coisas.  Isso tudo que eu falei pertence à área de Desenvolvimento Web (uma coisinha com a qual eu trabalho atualmente), ou Webdesign.  Bem… Seguindo adiante, isso tudo que eu contei são coisas que são vistas somente em navegadores ou browsers, que são nada mais nada menos que o Internet Explorer, o Mozilla Firefox, o Google Chrome, o Opera, o Iceweasel, etc. São softwares feitos para que você consiga ler as páginas da internet. E para usar os navegadores, você precisa ter um sistema operacional, que é aquilo que faz o computador interagir com você conforme suas necessidades… hein… humanas. O sistema operacional mais famoso é o Windows, disponível em várias versões (98, XP, Seven, Vista), seguido das distribuições Linux (Ubuntu, KDE, Debian, Kurumin, Fedora, Slackware). Esses últimos elementos de que falei pertencem à área da pura Programação. É aí que moram os grandes cabeções da informática, que ficam dias enfurnados em seus laboratórios de máquinas, programando horas  a fio.

Mas peraí. Para ler esse meu blog, você não precisa apenas da página HTML+CSS, do navegador e do sistema operacional. Você precisa de uma conexão de internet. E para isso o seu computador deve estar: 1 – ligado à um modem de banda larga, ou 2- conectado a uma rede de computadores que tenha acesso à internet. Se você está em casa, provavelmente a opção 1 se encaixa. Mas se você está no trabalho ou na faculdade, a opção 2 provavelmente é a correta. Por quê? Bem, porque em casa normalmente contratamos os serviços de nossa operadora de telefone fixo ou de nosso serviço de tv à cabo para ter conexão do nosso computador ou notebook direto no modem, que dá direto para rua, que dá direto para o cabeamento externo, que faz o dados irem e voltarem até você, percorrendo o planeta todo (sem exageros). No segundo caso, se você está no trabalho, tente procurar um modem aí em cima de sua mesa. Não tem né? Nem na dos outros colegas. Isso é porque tem um cabo azulzinho  ligado aí, chamado RJ-45, que vai até um aparelhinho chamado switch, que por sua vez é ligado em um megacomputador chamado servidor. Este servidor tem um sistema operacional próprio, desenvolvido só para ele, e é ele quem gerencia aquelas pastas compartilhadas entre a sua equipe, ou a caixa de e-mails empresarial (seu Outlook, por exemplo), e é ele que é ligado à um modem que permite que você navegue na internet. Muitas vezes todo esse esquema não usa cabos RJ-45, e sim antenas de wi-fi para se conectar – a famooosa rede wi-fi que você lê por aí -, e a qualidade do serviço normalmente é a mesma ou até melhor que os cabos. Toda essa parafernália – e mais tantas outras que fazem o texto perder o sentido se inseridas aqui – são parte da área nobre, e pouco lembrada, da informática; a Infraestrutura de Rede. Sem ela, o mundo não teria graça e nem o MSN existiria.

Eu acho importante que as pessoas tenham noção dessas coisas, de todo esse “mundo” que opera atrás do simples ato de twittar, de responder um scrap, ou de enviar um arquivo. Poucas pessoas se ligam que as músicas que a gente escuta no Winamp podem ter trafegado até mesmo por um oceano, em milésimos de segundos, e que elas são convertidas de arquivos mp3 para várias coisas até chegarem à forma de impulsos elétricos, que passam dos cabos de um computador para outro, para depois serem reconvertidos e reconvertidos até voltarem a ser um arquivo mp3 novamente. Existem cabos de fibra óptica espalhados pelos países, ligando um ao outro, formando a Internet, a mãe que nunca dorme.

A internet nada mais é do que um número monstruoso de computadores ligados uns aos outros, requisitando arquivos um para o outro, se comunicando constantemente. Como nós, os humanos.

Enfim, divaguei demais.

Queria falar sobre a Ada Lovelace e a importância das mulheres da informática e da ciência, mas me perdi completamente a contemplar esse mundo tão vasto que é a Informática, a ciência dos últimos séculos.

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… Porque tudo que eu sei fazer é derivar meus exercícios, vagar pelos corredores vazios, desviar de conhecidos, navegar na internet, lamentar as pessoas que me machucaram, comer chocolate, trabalhar.

E viver de… amar as pessoas.

Tem dias que me surpreendo demais com meus próprios amigos.

No restaurante universitário, meio-dia de uma terça-feira, dia nubaldo…

Amigo X: Tu conhece aquela Fulana ali?

Eu: Não. Por quê?

Amigo X: Nada demais.

Eu: Que quê tem?

Amigo X: …

Eu: Ah!!!! Me conta!!!…

Amigo X: Ok. Ela está uns semestre avançada, e ela é muito boa no meu curso. Preciso fazer ela cair no ordenamento.

Eu: Mas ela não tá semestres a mais que tu? Que diferença faz?

Amigo X: Ela boa demais, pode me prejudicar no futuro.

Eu: !!!!!!

Amigo X: Mas é verdade.

Eu: E como tu vai fazer a pessoa cair no ordenamento?

Amigo X: Soube que ela namora um cara que vive numa cidade distante. Vou dar um jeito de fazer ela pensar que o namorado trai ela com outra, e fazer ela sair da cidade num dia que ela tiver alguma prova muito importante.

Eu:

Amigo X: Então ela roda numa disciplina e cai no ordenamento.

Eu: Tu tá vendo muita Malhação.

Amigo X: …Talvez.

Cada dia me convenço mais de que a academia é uma guerra nada bonita.

A melhor parte de um escritor está no papel, a outra geralmente é bobagem. [Charles Bukowski]

Comprei um livro novo do véio. E daí que eu não tenho cara de quem lê literatura suja? Aprendi mais com ele sobre a época da Depressão norte-americana do que com qualquer professor de História. Ele também é culpado pela minha distinta paixão por fumar Lucky Strike toda a vez que bebo uísque – minha bebida favorita, depois de água.

O seu Charles me ensinou umas coisinhas que eu nunca consegui aprender direito na rua:  xingar as pessoas com verdadeira vontade, falar os palavrões corretos nas horas propícias (afinal, tem uma palavra chula certa para cada momento certo), e lembrar que os fracassados também se divertem. Me ensinou que litaratura não é uma coisa reta, certa, métrica e bonita, como eu sempre idealizei. Ele me ensinou que eu poderia escrever qualquer porcaria que viesse à minha cabeça, e que os outros se explodam. Porque ninguém é obrigado a ler ou gostar do que eu escrevo, e eu não sou obrigada a agradar ninguém a não ser a mim mesma. E é isso que eu faço desde que descobri-o. Às vezes queria tê-lo conhecido, outras não. Talvez ele não fosse como eu imagino, mas pelo menos o que eu leio sobre ele por aí é que ele era aquele ser nojento que eu admiro tanto. Porque franqueza de caráter, quando você não tem um bom caráter, é difícil de se demonstrar – e ele o fez.

Adoro Charles Bukowski porque não o amo nem o odeio; somente aprecio suas palavras vomitadas, e absorvo cada lição que ele me dá ao descrever seus porres e suas transas frustradas, suas mulheres decadentes e seus homens espinhentos. E ainda sou uma fã idiota, até hoje não sei se o nome dele se diz Bucounsqui ou Bucovisqui. mas enfim, quuem se importa? Já dizia Shakespeare com aquela frase que hoje é clichêzona para cacete “O que chamamos rosa, sob uma outra designação teria igual perfume”.

Estou louca que chegue a aula das 18h30 para eu assinar a última chamada do dia, e depois sair correndo para ler o meu Pulp, a última obra do véio.

É possível amar o ser humano caso você não o conheça tão bem

Um brinde ao meu pai literário.

O amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece.

Acordei de noite e não conseguia me mexer. Meu pescoço estava apertado e eu não conseguia falar. Senti minhas pernas formigando, como se estivessem apertadas com nós há muito tempo.Queria gritar para chamar meus pais lá embaixo, mas a boca não abria. Se não fosse pelo Sorinam que eu botara na vias nasais antes de dormir, eu acho que teria sufocado.

SINISTRO.

De repente consegui me mexer e pulei da cama. Acendi a luz de um pulo, peguei meu travesseiro e meu edredon e sai correndo pela porta. Encontrei meu pai nas escadas apavorado “Tem alguma coisa acontecendo aí em cima?” E eu respondi com cara de entendiada “Nah, pai. Vai dormir. Eu que tô com insônia”. Na real eu queria dar um abraço nele, chorar, e dizer que estava com medo, porque sempre fui muito cética e acontecer uma coisa dessas era impressionante. Mas não sou muito dada à demonstrações de afeto ou fraqueza na frente do pai, então fiquei na minha. Ele voltou para o quarto dele e eu fiquei sozinha no corredor do andar de cima. Senti o ar carregado de alguma coisa pesada, só não conseguia explicar o que era. Desci as escadas e peguei um colchão de visitas para pôr na sala. Consegui dormir tranquilamente.

De repente acordo com gemidos, ganidos e unhas arranhando a porta dos fundos. Minha cadelinha estava desesperada. Acendi as luzes da garagem e abri a porta. Ela entrou correndo, arfando, me olhando de cima para baixo com os olhinhos arregalados. Olhei para a casinha dos cachorros e vi a outra cadela – surda e cega – dormindo tranquilamente. Acalmei o cão, e coloquei-o para dormir de novo com a cega-surda. Calmaria novamente.

Voltei para o colchão na sala e a minha mãe se juntou a mim, reclamando que meu pai estava usando cobertor no calor de 25°C dentro de casa. Antes de adormecermos ela comentou que quando eu ainda estava no meu quarto, no andar de cima, ela ouviu eu murmurar durante o sono “Sai daqui!… Me deixa em paz!”.

Senti um calafrio, mas consegui dormir.

Minutos depois de ter entrado em sono profundo…

PAM-PAM-PAM

Som de passos apressados e pesados no corredor acima das nossas cabeças.

Levantei o corpo e fiquei sentada na cama, de olhos arregalados. Olhei pro lado e vi que minha mãe havia repetido a mesma ação.

“Tu ouviu também?”

“Ouvi.”

Ficamos nos olhando em silêncio. Dali uns segundos, outro barulho vindo lá de cima. O barulho era idêntico ao que eu faço quando mexo no pote onde guardo minhas pulseiras no quarto, em cima do criado-mudo.

Silêncio.

“Alguém entrou aqui em casa”, disse desnecessariamente a minha mãe.

Subimos as escadas juntas, sem esquecer de levar um dos cães junto. O cão farejou lá em cima, olhou, e desceu as escadas despreocupadamente. Eu e a minha mãe olhamos todos os cantos e nada. Não tinha ninguém.

SINISTRO.

Me senti dentro do próprio Atividade Paranormal. Eu, que nunca acreditara nessas coisas.

Fomos dormir de novo. Nem sei quantas vezes acordei nesta noite.

Dali minutos… O desespero do cachorro no pátio voltou. Com o adicional de que também começara a cair uma chuva forte, com ventos assobiando os vidros das janelas. A cadelinha uivava, chorava e latia em direção à porta da gagarem. Onde não tinha nada, só os carros. Minha mãe foi até ali, se abaixou para ver embaixo dos carros, procurou e procurou. A cadela quase infartou quando a mãe foi ali ver se tinha alguém escondido na garagem.Mas não tinha ninguém. E mais uma vez eu acalmei a cadelinha, a coloquei para dormir, e voltei pro colchão.

Então tá né. De manhã já era outro dia, e eu fiquei abstraindo os fatos da noite anterior.

Chegando agora na faculdade, escuto no rádio “E o papa declara um treinamento intensivo para padres, pois haverá um grande ataque de demônios esse ano…”.

Quê?

Papa, o senhor chegou atrasado. Lá em casa já rolou. Mas podexá comigo, vou catar eles tudim tudim antes que os padres cheguem.

Sério, que medo meo. Vou me benzer, fucky it all.

Sinistro…

Gente, eu estava mexendo no CSS do código do meu blog aqui no WordPress, e descobri que tenho que pagar uns 15 dólares para salvar a alteração. Ainda bem que eu salvei tudo e editei no Dreamweaver. Uma mulher previnida vale por duas! ;-]
Mas enfim, só para dizer que volta e meia pode aparecer alguma alteração doida aqui no layout enquanto eu resolvo essa história. Vou ver se consigo pagar com meu Visa… Ai, ai.

Eu estou apaixonada pelo Mike Portnoy. Vou atrás dele até os EUA, vou sequestrá-lo, e não vou libertar enquanto ele não me ensinar a tocar bateria daquele jeito maravilhoso.

Tá, é brincadeirinha.

Mas bah, ontem fui no show do DT e foi demais. Fiquei na fila desde as 14h30 (o show foi só às 21h40), e valeu a pena. Eu também fui para fila segunda durante a tarde, no dia anterior, para fazer companhia para um amigo que fez questão de ser o primeiro da fila – cheguei lá e além de ele ser o primeiro, era o único, mas eu o admiro por isso.

A banda de abertura, Bigelf, foi um show à parte. Completamente inesperado, nunca tinha ouvido falar deles, e me deram um showzaço. Como disse a Ju para mim lá no show, “valeria a pena vir aqui só para ver esses caras”. A gente gritou bastante. A começar por terem colocado o tema de Star Wars antes de entrar no palco; depois o figurino inusitado; e por fim, a excelência das músicas. Tô escutando agora. É uma mistura de Jehtro Tull com Ayreon e psicodelia dos anos 60, adicionados à muita técnica e domínio do teclado e da guitarra. Amei, amei.

Mas amei mais ainda a performance do Richard Powell. Chegou lá no palco como quem não quer nada, tanto que pensei que ele era um dos caras que tava passando o som antes do show. Ledo engano. Depois de testar a guitarra, ele começou a tocar um solinho tímido, com a face inalterada, bem de boa, como se estivesse tirando um som qualquer em casa, no quarto, sozinho. Minha amiga virou para trás e comentou “putz, tem que ter muita coragem para vir aqui na frente dessa galera e tocar só isso aí”. Nessa hora foi como se o Richard tivesse ouvido o que ela falou, porque o cara endiabrou num solo fodástico e daí só foi para melhor. Levou a galera ao delírio. Eu, que no início achei que o cara ia acabar vaiado, descobri que estava redondamente enganada, porque ele encerrou abaixo de gritos histéricos do público Richard! Richard! Richard! E a minha amiga, que tinha subestimado o talento dele, se despediu do cara gritando feito groupie de boy band. Amazing.

Bem, quanto ao Dream Theater, foi o que eu esperava: demais, demais. À despeito do aperto que eu passei por estar próxima demais da grade e cercada de caras muito grandes e doidos, eu consegui curtir o show. Fique completamente dolorida, mas gostei. Emocionante foi ver o Jordan Rudess em duelinho com o Petrucci, um no teclado e um na guitarra. O Jordan faz umas caras engraçadas quando toca, tipo aqueles caras que fazem caras bizarras quando gozam, saca? É estranho, mas é uma prova de que a pessoa tá gostando tanto daquilo que mal consegue controlar-se. Bom, muito bom. O Petrucci continua o mesmo desde que eu vi ele no G3, em 2006 -  mas ele tocando com a sua banda original é muito melhor do que ver ele tocando com o Satriani e o Eric Johnson.

O Myung, como sempre, entrou mudo e saiu calado, sem maiores demonstrações de afeto pelo público, mas tocando maravilhosamente. Um mestre. Tum-dum-dum-dum! Aquele baixo de seis cordas faz coisas fantásticas, pena que eu não sei o nome de todas as músicas do novo albúm porque ele aparece bastante nelas. Já o James LaBrie parace um véio doido, meio criança mimada, sei lá. O importante é que ele canta o suficiente para acompanhar esta excelente banda, mas não é aquilo que eu diga ‘óóó, que maravilha!’, só dá pro gasto.

Agora… O Mike Portnoy. Meldelz. Que baterista!!! Gente, só a bateria dele já é um show à parte, de tão linda. E o que ele faz com ela é demais, não é à toa que ele já foi considerado o melhor batera da atualidade. Até porque o cara estuda música mesmo, não é só um babacão que abala numa banda porque é naturalmente bom. Aliás, ele é naturalmente bom. Mas ele não se detém só nisso, ele vai atrás e desenvolve o dom, entra de cabeça nos pratos, ele respira a música. Isso sem contar que eu nunca  vi um baterista tão carismático. Quando assisti o show dele no G3 não pude perceber isso, porque o G3 é voltado para os guitarristas, ele era mero acompanhante dos caras. Mas ontem eu vi a verdadeira face do Portnoy. Muito ativo, participativo, em contato com a galera o tempo todo. Enfim, eu quero casar com um cara desses um dia.

Bom, sem demoras, o show foi bem bom, fora os hematomas nos meus braços e pernas – mas eles saem um dia, diferente da memória do show fantástico, que vai ficar para sempre.

- Ainda tive o adicional de ganhar um beijo completamente inesperado, de uma pessoa completamente inesperada, que com certeza esta lendo este post. E por mais que eu viva de mihões de aventuras por aí, por mais que eu possa amar muitas pessoas, por mais que eu saiba que vou ter relacionamentos com pessoas legais que eu nem conheço ainda, por mais que eu tenha zilhões de amigos… existe aquele, que por mais que a gente tenha se machucado e feito coisas imperdoáveis um para o outro, vai ser sempre ele quem eu vou lembrar nesses shows de metal e de progressivo. E ele estava lá, na nossa banda favorita de todos os tempos, Dream Theater, e por mais que uma grade nos separasse, ele foi lá e pegou a minha mão, e por alguns segundos não existia mais nada no Pepsi On Stage além da gente, e da nossa banda preferida aguardando para tocar.

Eu estava lendo um post da Juliana Cunha sobre como as pessoas usam o estudo, o conceito de “passar de ano” para justificar que estão avançando na vida, estão obtendo sucesso e tudo. Já fui muito assim. Comecei a trabalhar aos 15 anos e se não obtivesse uma promoção ou um aumento de salário – que era mais frequente que uma promoção para um estagiária – eu não descansava. Ficava com a impressão de dever-não-cumprido. Terminei a escola com 16, com total impressão de sucesso. A época que eu me sentia mais feliz da vida foi aos 18, quando eu fazia faculdade, curso técnico e trabalhava em turno integral; tudo junto. Enquanto não houvesse uma vivalma me elogiando, falando o quanto eu era responsável para a minha idade blablablá, eu não ficava satisfeita. Acabou que em 2009 uma coisa aconteceu comigo que mudou muito o meu modo de ver os progressos da vida.

Larguei o emprego que eu sempre sonhara em ter, para fazer uma faculdade que eu decidi entrar do nada e pela qual eu não nutria grande talento. Porque, para uma pessoa que sempre foi mal em Matemática e Física no colégio, e sempre se saiu bem em História e Português, é muito non-sense decidir fazer licenciatura em Física. Ainda mais que a cadeira de Eletricidade Básica foi a única que eu repeti por pura incompetência quando fiz curso técnico. Mas enfim. Joguei pro alto o emprego fixo e bom, nem quis saber de fazer acordo nem nada, simplesmente me demiti, me lixei pro curso técnico, e fui alegre e saltitante estudar ciência.

Resultado: consegui uma bolsa-mixaria adminstrativa na universidade, parei de andar de salto alto, fiquei sem dinheiro para as festas extravagantes na zona nobre da cidade, fiquei sem dinheiro para voltar para casa de taxi depois das festas, parei de tomar cerveja importada, nunca mais almocei no Riverside’s, parei de me estressar sobre estar sendo produtiva ou não, parei de me preocupar sobre se eu aparentava ter a minha idade ou ser mais velha. Fiquei pobre, mas muito feliz. Passei a conhecer as festas baratas da universidade, aprendi a decorar os horários dos ônibus durante as madrugadas, voltei a beber cervejas normais, descobri que o restaurante universitário tem o melhor feijão do mundo, passei a andar  de tênis e camiseta, nunca mais me preocupei sobre parecer mais velha – na verdade, as pessoas começaram a me pedir a identidade para me vender bebida ultimamente…

E o que aconteceu, academicamente falando? Bem, descobri que sou um lixo total no meu curso; rodei nas duas cadeiras obrigatórias que eu tinha do primeiro semestre. Chorei, me senti horrível, achei que eu era uma vergonha para as mulheres da física, porque pensei que eu comprovava o estereótipo de que mulher não serve para calcular, e sim para ler+escrever+blabla (fazer Letras  e tal). Mas daí eu descobri que 80% das pessoas da minha turma passavam pela mesma situação, e o problema não estava só em mim. Bem, me deu novo gás para continuar.No fim das contas, o curso técnico serviu para alguma coisa, porque esse semestre não estou mais em bolsa administrativa comum, estou numa de informática, que eu gosto bastante.

Mas o que isso tem a ver com o esquema de ter sucesso na vida?

Porque eu nunca me senti tão satisfeita comigo mesma. O que eu aprendi no ano passado não se compara a todos os anos de escola, nem a todo o trabalho que eu produzi. Obviamente, que uma pessoa de 20 anos, com a experiência profissional que eu tenho, tem outra visão de mundo referente às preocupações típicas da idade. E vir para faculdade com essa carga faz muita diferença; me faz agradecer aos céus por ser uma nota no final do semestre a maior preocupação da minha vida. Tem gente que é sortudo e nem sabe. Mas eu sei que eu sou.

UHUL!!

Adoro digitar palavras ou nomes aleatórios no youtube ou no google para ver no que dá.

Agora pouco descobri a banda The Kinks, dessa forma. E acabo de ouvir a música Lola.

Well I’m not dumb but I can’t understand
Why she walked like a woman and talked like a man

Fiquei rindo horrores da letra, e a musiquinha é boa. Me identifiquei, porque muitas vezes eu saio com um cara para jantar e como mais do que ele; ou às vezes ele descobre que eu posso entender mais de computador do que ele; ou que eu não me impressiono com carros; ou que eu mesma posso propor irmos a um lugar mais reservado; ou que eu tomo a iniciativa do primeiro beijo antes dele; ou que eu bebo o mesmo que o vivente e ele fica bêbado antes de mim; etc.

Girls will be boys and boys will be girls
It’s a mixed up muddled up shook up world except for Lola

Também tenho mania de pegar os caras pela mão é dizer “ó, isso se faz assim-assim-assado, viu? eu gosto dessse jeito. isso mesmo”. E não tenho vergonha nenhuma disso. E não só com os guris que eu fico e que eu me divirto; não! Eu faço isso com meus amigos também. Se eu noto que alguém anda mangolão demais, ou que não tem jeito com as gurias, ou que não tem jeito para varrer a casa, arrumar o próprio quarto, essas coisas. Adoro ver meninos se transformando em homens, e a-m-o quando vejo que estou metida até os cabelos no processo todo.

Well I left home just a week before
And I’d never ever kissed a woman before
But Lola smiled and took me by the hand
And said dear boy I’m gonna make you a man

Claro que nem de longe eu sou um modelo de garota, e nem de longe eu tenho desenvoltura para aplicar isso à torto e à direito; nãaaao. Até queria ser mais desenvolta, ou mais corajosa. Mas é fato que tem muita gente precisando de uma Lola aí na vida.

Enfim. Acesso de post inútil esse. Be welcome.

Ouçam The Kinks.