Estive pensando sobre o que seriam meus calcanhares-de-aquiles morais. Me sinto muito nobre, muito digna, por ser uma pessoa preocupada com as mazelas da humanidade, por ser uma pessoa que se importa com o próximo e está arregaçando as mangas para tentar mudar o mundo – tentando se tornar professora. Porém, todo mundo tem umas fraquezas de que se envergonha muito, e ao mesmo tempo não. Meio difícil de explicar.
Somos Franksteins, cada um formado por retalhos de experiências de vida mescladas à personalidade e ao caráter. Isso faz de nós todos muito diferentes, por mais que tenhamos afinidades com alguns amigos ou parentes. Eu chamo de pequeno frankstein a minha queda por roupas. Por moda. Tento esconder de mim mesma e dos outros, mas tem épocas que não dá. Tipo agora, com toda essa moda de meias-calça coloridas e tal. Eu, que adoro andar de saia curta e bota, fui às alturas. Fico o tempo todo me criticando “Poxa, 50 reais num pedacinho de pano desses! Eu poderia comprar livro X, livro Y… Ou doar para uma instituição, uma ONG, afinal, não tenho necessidade imediata nem básica sobre essa roupa. É só uma roupa. Eu sou cheia delas no meu armário. Tem gente que passa frio na rua porque não tem roupa suficiente!” E daí eu não compro. Então passam dias e dias e eu encontro a mesma peça, em promoção, e levo com uma falsa não-culpa, ou culpa diminuída, não sei. O interessante é que depois que eu adquiro a roupa, eu nem lembro mais do quanto me senti mal por gastar com coisas tão superficiais, tal é o prazer que eu sinto em me vestir bem.
Feed my Frankenstein
Meet my libido
“He’s a psycho”
Feed my Frankenstein
Hungry for love, and it’s feeding time
Meu outro pequeno frankstein é uma combinação sedutora de chocolate e cigarro. Adoro fumar. Antigamente fumava uma carteira de Lucky Strike branco por dia. Então ano passado perdi a vontade. Do nada. Não foi uma coisa que eu decidisse tipo “Cigarro faz mal para a saúde, vou parar de fumar.” Não. Só passou a vontade. Hoje em dia eu fumo umas duas vezes por semana, dois cigarros por vez. Com o chocolate ocorre o mesmo, tenho comido menos, quanto mais velha eu fico. Mas é fato que esses meus franksteins são todos intimamente ligados: acho um charme só aquelas fotos de gente fumando, com ar blasé. Assim como adoro sair toda bonitona por aí para entrar na loja da Copenhagen.
Pensei em tudo isso num átimo de sgundo, ouvindo Alice Cooper. Passei meus 18 anos ouvindo essa banda, que não é do meu gosto musical preferido, mas sei lá, as letras
sempre se encaixavam com pequenas partes dessa época da minha vida. Eles não são caras muito fashion, mas adoro ouvir enquanto estou me vestindo. Me sinto tão cool experimentando roupas antes de sair de casa, ouvindo música no meu próprio toca-discos. Extremamente poser e patética. Me detesto por esses assaltos de auto-exaltação. Por me exibir pela janela para os vizinhos enquanto danço sozinha no quarto. Mas eu me sinto tão feliz fazendo isso. Dá um gás todo interessante, todo íntimo, para começar ou encerrar o dia.
Make my tattoos melt in the heat
Well, I ain’t no veggie
Like my flesh on the bone
Alive and lickin’ on your ice cream cone
Talvez o ser humano precise alimentar seus pequenos franksteins. Eu pretendo deixar de lado esses meus preconceitos sobre minha própria vontade de comprar roupas legais por aí, vou tentar reservar mais felicidade interna para mim mesma. Vou parar de conter a vontade de comer chocolate só porque me disseram que eu engordei, vou parar de esconder o cigarro quando uma pessoa querida passar por mim me olhando feio enquanto eu fumo.
E sim! Terei meus momentos de vaidade, tipo esse que estou tendo com este post hoje. Colocando fotos minhas misturadas à estas fotos de modelos legais e tal. Porque eu sou muito sem-noção e feliz para dar bola para o que os outros vão pensar. Huhu.
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