Surpresa. Grande surpresa.Todo o burburinho que fizeram sobre o filme, é real. Todos os longos dez anos (?) que levaram para produzi-lo valeu a pena. Todo o auê de marketing não foi dinheiro desperdiçado. Se você tem vergonha na cara, não faça download, levante a bundinha e vá até o cinema contribuir seu dízimo para com qualquer porcaria de empresa que ajudou o filme a ser feito, porque, minha gente, é justo.

Avatar é simplesmente o melhor roteiro que eu já assisti na vida. E de longe um dos filmes mais emocionantes que eu já vi – semana que vem vou no 3D, ontem assisti na telinha normal.
Vou transcrever minhas impressões e opiniões sobre alguns trechos do filme.

SEM SPOILER
Resuminho rápido pra quem não assistiu ainda: A história é básica. Um cara de cadeira de rodas – com as pernas imóveis – é irmão gêmeo de um cientista fodão que foi recrutado para viajar ao planeta Pandora e lá colaborar com o departamento de pesquisas da base humana que se instalou lá. Só que o cientista fodão morre. Como é muito caro o investimento para se criar um avatar – ser geneticamente copiado dos habitantes de Pandora, os Navis, criaturas humonóides azuis, de uns três metros de altura,  rabo e lindas expressões faciais – o paraplégico (que é soldado) acaba indo no lugar do gêmeo falecido. E ele acaba curtindo muito o seu Avatar, a ponto de preferi-lo a seu corpo humano. Plausível, eu acho que eu também preferiria. Viver em Pandora e ser Navi é o máximo, eles têm os ideiais e o sentimento de ‘mundo’ mais coerente que eu já vi. Sem contar que os efeitos visuais são demais!
Então, se ainda não viu o filme, o que tu tá fazendo aí sentando? Vai lá, porra. É um filme cheio de pancadaria das boas, com um roteiro plausível dentro do tema que é proposto, sem muitos clichês, tem um pouquinho de romance – acho que 0,5% -, fala sobre preservação ambiental (não diretamente), mostra máquinas futurísticas sendo usadas pelo exército, tem cenas LINDAS de elementos bioluminescentes em paisagens de tirar o fôlego, há um dos vilões mais cruéis da história do cinema – arrisco em afirmar, colocando minha mão no fogo -, tem bichos fantásticos que travam lutas entre si, tem um povo que vive compartilhando energia em harmonia – inclusive com plantas, dando todo um significado especial à ligação que eles tem com a vida em todo o planeta em que eles vivem -, tem cientistas com falas e ações super coerentes com o papel deles de cientistas (os biólogos, principalmente, vão se identificar), é uma crítica ferrenha ao capitalismo, e um GRANDE puxão de orelhas referencial à época da crueldade da colonização das américas.
Tem cada batalha no ar! Meu deus, é demais. Tem até uma cena de um Navi dando uma de Legolas; naquela cena que ele faz miséria em um olifante no segundo Senhor dos Anéis, só que em Avatar o cara faz isso com uma nave! Enfim, vai lá ver o filme de uma vez, pow.

COM SPOILER
Bah, eu juro que me vi na pele daquela cientista chefe do departamento de pesquisa na hora que ela recebeu na equipe dela um soldado sem conhecimento nenhum sobre pesquisa de campo. Vocês não sabem o quanto é difícil obter resultados e analisa-los, coletar material, usar bem as amostras, etc, e um cara que não tem noção de como se faz isso nunca vai conseguir fazê-lo de modo satisfatório de primeira. Se eu fosse ela, eu teria dado um soco no cidadão quando ele olhou para ela e respondeu “Dissequei um sapo na escola” quando ela pergunta qual era a experiência dele. E essa cena, para mim, é um dos símbolos de que a atuação da galera está impecável. Eu sou muito chata com isso, principalmente em filmes sci-fi, hi-tech, blablablá, porque é fato que sempre tem uns atores com cara-de-nada ou de mosca-morta que passam despercebidos por serem ofuscados pelo brilho dos efeitos especiais e batalhas impressionantes. Mas em Avatar isso não existe, todo mundo se puxou no seu trabalho.
Pandora é um lugar lindo. O produtor/diretor não nos poupa de detalhes, desde as plantas até os bichos mais colossais. É uma obra de arte. A noite do planeta é tocante, tudo lá brilha no escuro, até mesmo sementes de árvores e os próprios Navis. Vocês não sentiram seus olhinhos brilhando naquela cena em que o Jake tem seu fogo apagado e se dá conta da luminosidade própria do planeta, como se tudo estivesse ligado?
E está ligado, não é o máximo?!
Enfim, nota 10 para cena que eles tentam salvar a vida da cientista. Aquele bando de gente se tocando e dançando junto em volta da árvore, aquele canto primitivo… Isso mostra que sozinhos nós não somos nada, temos que nos comportar como uma coisa só para alcançar nossos objetivos. E a conexão deles com aqueles ‘cavalos’ bizarros e/ou bichões alados? Lindo lindo lindo. Eles sentem um ao outro, nada mais justo, é uma lição de desapoio à submissão e os maus-tratos aos animais, mesmo que alguém pense que eu estou louca por fazer tal conexão com este fato do filme. Sei lá, fizeram um ótimo trabalho com o filme.
E tem o adicional de ser um roteiro feminista, como a Lola falou. Mais da metade dos personagens fortes são femininos, algo inédito em Holywood. E nenhuma mulher no filme, em nenhum momento, é julgada por sua aparência física. Muito bom. Acho que a representação máxima do NÃO AO PATRIARCALISMO é a cena em que o general-locão-da-cicatriz está brigando com a cientista e ele diz “Cala a boca, mulher!”. Sei lá, foi tão forte que até eu segurei um eco na minha garganta, parece que essa frase dele – aos berros – entrou fundo nas minhas veias como se tivesse catalisado muitos sentimentos que já tive a longo da vida ao ser subestimada pela minha condição de mulher. Na hora eu pensei: putaquepariu, ele acabou com ela, agora fudeu minha idéia de que esse filme era feminista, ela ficou muda e vai ficar sem resposta para ele. Mas que nada! A cientista responde no mesmo tom de ofensa e desprezo que ele lançou para ela “Quem você pensa que é, recruta zero?!” (não é exatamente assim, mas é algo nesse estilo) e ela se vira para o cara do lado e diz “Faz o favor de educar esse cachorro?”. Muito bom, hehe. Pontos para o diretor.
Enfim, por enquanto é isso.
Acho que Avatar é o melhor filme que eu já vi até hoje, porque junta todos os temas que eu acho pontuais de ser levar para um blockbuster, tem efeitos completamente inovadores – afinal, até os bichos não parecem ter nenhum resquício de intervenção gráfica computacional -, é feminista e fala sobre ecologia.

Muito muito muito dez. Perfect, eu diria.

Blogged with the Flock Browser

Declaro aqui a minha revolta pessoal e preguiçosa sobre o calor insuportável que faz em Porto Alegre desde o dia 23. Foi um natal suado este ano, e os ventiladores salvaram meu corpo várias vezes, mesmo que meu nariz tenha se rebelado constantemente com uma rinite forte – obviamente que todo aquele frescor no meio do inferno teria que ter um preço, afinal, o mundo é injusto. O calor é tanto, mas TANTO, que fui numa festa open bar ontem e tomei ÁGUA com gelo o tempo todo que fiquei na festa (salvo dois copos de cerveja que fizeram meu estômago se revoltar); e ainda por cima nunca fui embora tão cedo de uma festa na vida, 1h30 da noite.
E agora estou aqui tentando reunir os amigos disponíveis para gente acampar no ano novo, num lugar que tenha cachoeira – o psicodália para mim faliu, não pergunte porquê, somente reflita que em 2010 teremos Metallica, Dream Theater, Epica e Guns em Porto Alegre (hehe ;-]).
Mas então fiquei aqui refletindo debaixo do ventilador do meu quarto – estou com preguiça de pegar o ônibus e me atirar na psicina do clube – e fui repassando várias cenas da minha vida, fazendo tipo auto-análise, já que é fim de ano e época de refletir, né. {Alerta de “Perigo” ligado; eu usei a palavra auto-análise). Daí me dei conta que eu sou uma pessoa extremamente romântica. Eu nunca fui muito de andar de mãos dadas, de esperar flores, de mandar música de letra melosa, etc. Porém eu sempre fui muito agradável nos meus namoricos, e nunca deixei de admirar a pessoa de um modo extremamente poético. Já tive diálogos que eu percebi que deveria escrever em algum lugar, para não esquecer, e um dia colocar num roteiro de um filme ou no texto de um livro.


Comecei a lembrar mais nítidamente dessas conversas, e tem uma muito bonitinha, que aconteceu com um cara que trabalhou comigo durante um tempo e depois que eu sai da empresa a gente ficou junto durante umas semaninhas.
O negócio era mais ou menos assim:
Estávamos vendo um filme meio meloso, e eu estava me emocionando com as cenas e tal, eram super fortes de um casal extremamente apaixonado. Aí ele passou o braço pelos meus ombros e me abraçou forte. Eu senti uma coisa bem boa – aquel esquema de sentir o sangue correndo nas veias, claramente – e de repente meu braço começou a ficar com um monte de bolinhas (manchinhas) vermelhas, bem pequenas. E ele:
- O que é isso? Tá com alergia de alguma coisa?
- Nâo… É que isso acontece às vezes, quando meu coração bate mais rápido.
Silêncio. Haha! Na hora eu queria me matar, odeio ser piegas, e parecia que eu tinha ensaiado aquilo. Só que foi muito espontâneo. Eu falei aquilo sem pensar duas vezes e depois me toquei, porém fui muito sincera – eu tenho aquele tipo de problema em que tu fala ao mesmo tempo em que pensa, fazendo a voz acompanhar a velocidade do pensamento, mas as vezes é desastroso -. No fim ele gostou, eu acho, pelo menos não pareceu ficar intimidado, porque sorriu para mim e segurou minha mão. Bonitinho né? Pena que eu sou uma chata exigente, e agora a gente é só amigo. Yay.
Outra conversa legal foi com um ex-namorado. Na verdade a conversa rolou antes de a gente ter qualquer coisa. Foi pelo msn. Na época eu estava saindo com um menino muito legal, e convidei-o para ir comigo no aniversário de uma amiga bem íntima. Não costumo fazer essas loucuras de levar alguém para festas onde tenham amigos meus, mas sei lá porquê eu tive essa idéia de girico. Chegando na festa, eu conheci um certo moço bem apessoado(hehe). Jésus. Senti formiguinhas subindo para lá e para cá na minha nuca. Mas eu não poderia fazer nada, néam, eu estava acompanhada – aff, nessas horas eu admiro a estupidez do ser humano -, mas não deixei barato, e quando eu vi que a gurizada (bandenerd) estava brincando de world of warcraft (não pergunte) eu me meti no meio. Aí era um esquema meio de lutinha, que eu não brincava desde os meus… sei lá… 10 anos de idade? Enfim. Fiz o esforço e acabei ( cof cof!)  arranhando sem querer (cof! cof!) o moço lá. Well, passado um tempo, comecei a sair mais com aquela galera – e agora SEM o bendito casinho que eu tinha levado comigo antes – e fui progressivamente me apaixonando pela criatura. Aí adicionei no msn né – nerd femme tatics – e as conversas foram fluindo durante semanas. Até que:
Ele: ô Nessa… tu ainda tá com aquele cara lá?
Eu: Que cara?
Ele: Aquele que tu levou na festa da Fulana aquela vez…
Eu: Ah, não…
Ele: Vcs terminaram?
Eu: Olha, a gente nunca namorou. Mas posso dizer que terminamos sim, faz um tempo.
Ele: E pq vcs acabaram?
Eu: pq aquela vez q a gente se conheceu, eu meio q curti te arranhar lá na festa da Fulana.
Tá, ok, não foi lá muuuito romântico o que eu fiz, na verdade eu meio que dei um marretaço na cabeça do coitado. Mas lá, do meu jeito insano, foi um exemplo de franqueza romântica. Eu estava apaixonada, pô. Queriam que eu mandasse flores para ele?? Enfim.

Eu acredito nessa coisa de sinceridade e romantismo. Eu sou romântica com a minha espontaneidade, com a minha falta de papas na língua. É um jeito diferente, mas eu gosto. Com meus amigos é a mesma coisa. Tenho um monte de amigos homens e normalmente eu vejo as outras gurias, que vivem a mesma situação, abraçando-os contantemente, sentando no colo dos guris, como se fosse um modo de provar a inocência da amizade entre eles. Eu não tenho esse comportamento. É eles na deles, e eu na minha. Mas às vezes eu tenho surtos de carinho e abraço-os, ou digo o quanto os amo. Meio assim, do nada, raríssimamente, mas é sincero. Eu sou incondicionalmente apaixonada pelos meus amigos, todos tem algo que eu admiro e que adoro ouvi-los falar, e eu sou romatica do meu modo com eles. Obviamente que é um romantismo bem diferente do que eu vou ter por um cara porque eu estou atraída e apaixonada no sentido bíblico da palavra. Mas enfim.

Muitas divagações para um fim de semana quente.
Eu vou ler meus feeds e dormir enquanto a noite não chega.

Blogged with the Flock Browser

Entrei em um blog que leio de vez em quando. Havia uma promoção que sorteava dois conjuntos de perfume do Boticário, um kit feminino e outro masculino. No feminino havia o perfume, algum hidratante (não lembro bem) e uma bolsa colorida. No masculino havia o perfume, um creme de barbear, e uma caixinha de pequenas ferramentas. Me apaixonei pela caixinha de ferramentas (eu sou a rainha dos conjuntos de chave de fenda de todos os tamanhos e tipos possíveis e imagináveis, tô sempre fazendo plantão na volta do meu pai quando tem promoção no posto que dá esse tipo de coisa na troca de óleo, haha), até porque tinha umas coisas lá que eu não identifiquei e fiquei hiper curiosa para ver o que são e onde eu posso mexer com elas. Aí fui participar da promoção, mas como sou mulher, eu só poderia tentar o kit feminino, da bolsa. Aff.

Aí me peguei divagando, né. Quanta besteira isso de darem carrinhos para os meninos, bonecas para meninas, esse tipo de coisa. Todo mundo deveria ser criado igual, com estímulo de interesse por tudo. Depois a gente cresce e fica tudo muito definido, tudo muito chato. – a gente cresce e o mundo fica chato, sim.

Eu queria aquelas ferramentas pow.

O que eu ia fazer com o perfume? Dar para algum amigo, sei lá, eu já tenho o meu.

Agora me ocorreu que uma boa campanha para marcas de cosméticos seria esse tipo de coisa: dar para as mulheres objetos não esperados como brinde na compra dos produtos, tipos coisas para conserto de carro, de computador, sei lá. Enfim…

Uma belo dia tu conhece uma pessoa qualquer.
A pessoa rouba um vale-amizade de ti, te conquista, cativa teu carinho, te convence que é boa o suficiente para ter tua consideração, até mesmo te faz lindas homenagens, conhece teus amigos. Vocês começam a sair juntas. Trocam segredinhos. Bebem. Falam mal dos homens, falam bem dos homens. Se preocupam com suas faculdades, comentam seus livros. Vão ao cinema. A pessoa te mostra que é legal. (POXA, as pessoas são boas, gente, é só dar chance).
E tu, na maior boa vontade, junta-a com teu melhor amigo. É a melhor idéia do mundo, genial. E eles se dão bem, começam a ficar, evoluem para um namoro sério, e teu amigo fica eternamente grato, e tu fica satisfeita pela boa-ação, etc, e…

…e lá se vai teu melhor amigo.

Ficam, os dois, os pombinhos, mais de um mês sem falar contigo. De repente – do nada – o melhor amigo aparece e te sequestra numa noite chuvosa para comemorar o aniversário dela. Quando tu estás no auge da diversão na festa, ele te pede para ir embora com ele, e mais: para dizer que foi tu quem quis ir embora ao invés dele, para que ela não fique chateada. E ela fica. E rola uma confusão.
Pronto, mais um mês sem vê-los. Mas o importante: sem vê-lo.
E ele diz que vai embora para outro país no ano seguinte, mas continua demorando mais de uma semana para responder teus e-mails, nunca mais vai te sequestrar na faculdade como era antigamente, para quase te obrigar a ir naquele show legal com ele, para te intimar a ir para casa dele para ficar sem fazer nada além de ver the Big Bang Theory e comer pizza. Tu pintas o cabelo de loiro e ele nem vê; tu te apaixona por um cara meio louco e babaca, e ele nem tá ali para trazer juízo para tua cabeça; tu quer encher a cara de cerveja na beira do Guaíba, mas ele não tá ali para ir contigo. E ele nunca mais faz planos mirabolantes contigo. Só.. some. E ela mal atende teus telefonemas, não quer saber de cinema, nem de tomar um choppinho. Só quer ficar de programinhas na volta dele – provavelmente entre quatro paredes.
E tu liga para os dois, desliga, liga de novo, deixa scrap, manda e-mail. E nada. De nenhum deles.
De repente, num lindo dia de sol, ela vem conversar contigo pela internet. Mal dá oi, nem pergunta como tu tá, e já sai indo direto ao assunto. Te pede um favor, de um jeito muito sutil. Tu sente aquele frio na barriga. E ela diz: “adiciona um aplicativo no orkut para eu ganhar umas coisinhas?.”

Putaquepariu.

- Depois eu faço cara feia para uma amiga minha que sempre diz que eu tenho tendência a gostar de todo mundo, por qualquer motivo. Eu sou facinha, né?
Mas agora eu aprendo. Na marra, mas aprendo.

Blogged with the Flock Browser

Então eu disse para eu mesma que precisava parar de ouvir Beatles e me lamuriar por coisas idiotas o fim de semana todo.
Porque mesmo que a minha mãe me siga a semana inteira pela casa – nos poucos minutos em que nós duas estamos em casa no mesmo momento – atirando ofensas sobre minha massa corporal, predizendo minha velhice de solteirona, anunciando minha provável infelicidade por não ter um homem para me aporrinhar depois dos trinta, e maldizendo meus pneuzinhos; i feel good. Mesmo que as minhas calças 40, que antigamente era largas, agora mal fecham na minha cintura, e agora eu preciso comprar calças 44 se quero usar roupa folgada, e tenho que comprar 42 se quero alguma coisa justa na bunda, e me sinto um barril de chopp toda vez que visto um top; i feel good. Porque mesmo que eu esteja repetindo uma cadeira para a qual eu realmente me dediquei esse semestre, e que me fez desperdiçar umas dez horas por cada semana de agosto até novembro – sem contar os nove créditos que a disciplina já exige -; i feel good. Porque mesmo que eu tenha gastado todos meus últimos centavos destinados às festas do mês em uma única noite, e tenha que costurar e pegar mais freelas do que eu pensei no mês para sustentar meu alcoolismo burguês de fim de semana, e que tenha precisado pedir CINCO reais emprestado para o meu pai para comprar Coca-Cola ontem; i feel good.

Eu estava me lamuriando pelo meu potencial desperdiçado no dia de ontem, em que eu não produzi nada, não me exercitei, não pensei, nada. Só dormi,  vi filmes, e fiquei jogando conversa fora no msn. Essas ociosidades da vida moderna matam a gente.

E cheguei a conclusão de que a gente pode se divertir das formas mais improváveis mesmo nas noites que parecem ser as piores da vida da gente, e que rir com os amigos quando ambos estão falidos e decadentes é a melhor troca que pode existir entre duas pessoas.
 

Blogged with the Flock Browser

01: aquele em que fomos para São Paulo

Agora, finalmente, a finalera das aventuras paulistas para ver o AC/DC.
Segundo dia – O melhor dia das nossas vidas

Sexta pela manhã os três mosqueteiros partiram para seu objetivo inicial. Fomos de ônibus do bairro Bela Vista até o Morumbi. Grande observação para o fato de termos ido ao supermercado 24h – o Extra -, cheios de vontade de comprar coisas para enfrentar o longo dia, e descobrimos que ele estava fechado para balanço (outras versões falam que a desculpa foi “o sistema caiu“). Ficamos com cara de whatahell mas seguimos bravamente até a fila para o show munidos apenas com a roupa do corpo, a carteira, o ingresso, e nossos fieis calçados.

douglas, eu e um centésimo de fila

Chegamos lá e caminhamos muitos muitos metros ao longo da fila em que deveríamos ficar, a do portão 2. Multidão, só isso define aquilo. Depois de muito reconhecimento de campo, passamos no teste de localização e encontramos o final da fila. Ali tinha um soldado do interior de São Paulo, o Lincoln,  que havia vindo sozinho para lá, com a cara e a coragem, e uma mochila cheia de suprimentos que nos apeteceram imediatamente (bolachas, sanduíches, e até um bolo de chocolate). Frente à tamanha bravura, logo incorporamos o colega em nossa mini-comitiva. Ao perceber que estávamos preocupados com o esquecimento do protetor solar – eram 10h da manhã, o sol estava à pino, e teríamos que torrar ali parados por mais 7 horas no mínimo – o cara literalmente salvou nossa pele sacando trocentas embalagens de amostras grátis de protetor solar da Avon de dentro da sua mochila mágica. Eu sabia que aquele soldado era de fé, rá.
Sabe, fiquei muito tempo pensando sobre como aquelas quase oito horas de fila passaram tão rápido pela gente. Mas comecei a lembrar e me toquei que a gente fez tanta coisa nesse tempo que parece que poderia ter até sido mais e não seria menos suportável. Foi uma fila feliz. Comprei uma bandeira da turnê e usamos-a de cobertura contra o sol, depois eu a usei exclusivamente como bandana gigante, depois o Douglas usou como saiote (não pergunte), e por fim eu a utilizei como abrigo contra o frio na hora que a chuva nos

os três mosqueteiros

banhou. Também achamos que o Bruno tinha sido abduzido quando ele saiu para buscar comida para o nosso grupo almoçar e demorou mais de uma hora para voltar. Pelo menos ele caçou uns bons Subways e a gente aguentou com aquilo no estômago até a hora de entrar no estádio. Torramos muito no sol, minha tatuagem sombreada ganhou cor, ficou um vermelho degradê. Minha pressão despencava o tempo inteiro, eu ia para sombra, tomava água, ia para o sol de novo e aguentava mais uns 40min até a pressão baixar outra vez. Caos, caos, mas ainda sim era um caos muito empolgante.
Os portões abririam as 16h, e acredito que devam ter aberto mesmo. Nós entramos por volta das 17h30/18h, bem na hora em que estávamos todos tremendo no vento e com os dedos roxos, morrendo de frio devido à chuva que despencou na nossa cabeça ali pelas 16h e pouco. Chuva não né, tempestade. Com direito a trovão e tudo. A revista na porta do estádio era feita pela própria polícia, e era bem demorada. Eu não sei qual das duas situações foi a mais cômica: eu na entrada entregando meu ingresso e meu comprovante de matrícula completamente enxarcados, quase nem dava para abri-los, e convencendo a mulher a me deixar entrar; eu perdendo um pedaço do meu ingresso na metade do caminho da entrada até a revista, e

vaqueiros

correndo de volta para juntar no chão a parte que se separou,  sambando ao correr naquele chão molhado; ou a policial da revista que pegou meus chocolates derretidos e apertou para ver se tinha algum objeto cortante ali dentro (!!) e acabou fazendo o chocolate escorrer para fora, sujando sua mão.
Entrei no estádio com os guris que pacientemente me esperaram e me ajudaram nessa situações cômicas na entrada, mas a única coisa em que eu pensava no momento era “aonde ficam os banheiros peloamordedeus”. A situação estava crítica com aquela chuva gelada. Feitas as necessidades fisológicas iminentes, encontramos um bom lugar para assistir o show. Sentamos ali pelo chão do estádio, e até conhecemos um pessoal doidinho que era de Santa Maria (RS), com quem ficamos de conversa fiada até o show começar. Nem senti que ficamos mais umas três ou quatro horas plantados lá dentro, aguardando a abertura do Nasi. Tinha tanta gente puxando conversa lá, e tanta coisa para olhar, que isso era o de menos.

dentro do Morumbi depois de torrar e molhar alternadamente

Passado o show de abertura, que durou uns vinte e poucos minutos que pareceram cinco (thanks-god), uma tensão se abateu sobre mim e comecei a morder o chápeu branco de caubói que eu havia comprado enquanto estava na fila: a guitarra do Angus foi colocada no palco e o Douglas apontava freneticamente para ela. Então quer dizer que era real, eles estariam ali! Foi como uma ficha caindo, eu me dei conta da grandiosidade de todo aquele meu esforço, de todo aquele sol que eu peguei na fila, de toda a choradeira que eu fiz para minha mãe me emprestar dinheiro, de toda aquela comoção do país inteiro. Sei lá. Eu vou poder contar para os meus filhos que eu vi AC/DC ao vivo. E bem de perto.
Yeah.
O Show
O clipezinho de desenho animado sexista do Black Ice rolou, e eu comecei a tremer. Daqui a pouco BOOOM. Não sei quantos minutos passaram, mas eu sei que de repente aquele uniformezinho colegial estava endiabrado ali na minha frente. Com o Angus dentro. E nem estava tão velho quanto eu imaginava. A voz do Brian cortando aquele mar de 65mil pessoas na minha volta. Todo mundo delirou. Rock’n'roll Train estava tocando, a locomotiva gigante estava no palco, perfeita. Não dava para acreditar. Enterrei minha cara no ombro do Douglas e comecei a soluçar. Ele me deu um abraço e vi que ele estava soluçando também. O Bruno virou para trás e abriu a boca num berro que terminou em choro e nós três pulamos abraçados, sem acreditar no que estava acontecendo. Era demais. Eu nunca gritei tanto na vida, parecia uma mulherzinha doida, daquelas bem escandalosas. O coitado do paulistano que estava no meu lado ficava tapando a orelha quando eu gritava perto dele. Depois da explosão do povo, tudo ficou uma bagunça organizada. Não senti falta de ar, não fiquei apertada, nem nada. E mesmo assim era um show de rock. O melhor de todos os tempos.
Um pouco depois fio Back in Black, se não me engano, e foi aí que os pelinhos dos meus braços se arrepiaram e chorei dignamente, em silêncio, com o chapéu de coubói encostado no peito, durante uns 20 segundos. Depois explodi pulando e cantando como todo mundo.
Lá pelo meio do show, começaram com The Jack. O Bruno já tinha me avisado que ia me pôr nos ombros nessa música, porque era mais calma, mas depois que começou o show nós haviamos concluído que não tinha como. Mas sei lá porque, quando eu vi, ele me cutucou e se abaixou em seguida, e o Douglas e o paulistano se puseram dos meus dois lados pra me ajudar a driblar a calça jeans apertada e molhada da chuva. Com um pouco de sacrifício eu consegui passar as pernas pelo pescoço do Bruno e aí foi só alegria depois que os guris ajudaram ele a se levantar de novo.
Quando eu vi, eu estava no mesmo nível do Brian cantando, a apenas 15 metros de mim. Foi tudo muito rápido. A letra da música estava meio modificada, mas eu não conseguia entender o que eles tinham mudado na letra, e ficou mais extensa. Daí o Angus correu para pista e começou a tirar a roupa. haha. Peguei a câmera e filmei. Quando eu vi que estava tão extasiada que não conseguia parar quieta, passei a câmera para baixo e continei sobre os ombros do meu amigo. De chapéu e girando a bandeira preta da banda. O Angus acabou com o strip habitual, e eles voltaram ao refrão she’s got the jack…she’s got the jack… e  de repente eu vi meu rosto enlouquecido no

gaúcha caubóia se achando

telão do Morumbi. Foi meio assustador. Uma multidão reunida, os Young ao vivo na minha frente, e de repente, no lugar do Angus, a imagem que o substuiu era do público, algumas meninas bonitas, e sem mais nem menos… eu! Poxa, nunca imaginei algo assim. Foi pouco, mas foi divertido. Pensei que fui burra por não ter levantado a blusa, mas depois cheguei a conclusão de que seria desnecessário. 65mil vendo teu sutiã é meio pesado, né? Mas admiro quem se lembrou de fazer na hora e fez. Coragem hein tchê!

A finalera com Highway to hell não poderia ser melhor.
Gostei muito dos efeitos. Os canhões que ficavam explodindo em We salute you eram de deixar qualquer um babando, pois seguiam a banda diretinho nas marcações; a mega-Rose-inflável-e-gordinha que foi aparecendo aos poucos em cima da locomotiva, e batia o pé no ritmo da música – se não me engano era TNT e Thunderstruck, essa parte eu não lembro bem -; o show de fogos de artifício, que parecia um presente da banda para o público; o Brian saltando e se pendurando no sino no Hells Bells não teve preço, sem dúvida, muito emocionante; e a inacreditável performance do Angus, correndo e tocando, se atirando no chão… Sinceramente, aquilo me arrepiou do início ao fim.
O pós-show

Saímos do estádio em estranha calmaria. Não teve tumulto, foi legal. A cuequinha do ac/dc que o Douglas comprou (e usou) no show estava fazendo sucesso, acho que as pessoas olhavam para gente só por isso. Depois a gente se pergunta porquê os gaúchos tem fama doidões.

amizade é para isso também, divulgar fotos legais de pessoas na internet =D

Nos despedimos do Lincoln, que eu espero que tenha chegado bem. Encontrei o André lá da UFRGS depois do show – que tinha durado duas horas e meia, indo até quase meia-noite – e juntei minha comitiva com a dele (que era beeeem grande). Como não tem nada que preste perto do Morumbi, andamos para caramba até achar uma avenida que parecia ter táxis/ônibus. E um Habib’s. Nos dividimos em dois grupos, os que queriam comer e os que não queriam. Esses últimos era os mais quebrados pelo show e partiram em busca de um táxi para irem para o albergue. O meu grupo ficou comendo esfirras e encontrando um modo de fazer parar um táxi, pois eles passavam à milhão e ignoravam todo mundo. No fim, o telefone 156 – que a Renata, guria que vimos uma vez na vida, logo que chegamos em SP, me deu – foi útil. Falei no telefone onde estávamos e para onde queríamos ir. A moça nem havia acabado de me dizer o nome da linha de ônibus e informado que ela estava ativa até às 3h, e logo avistei o ônibus vindo. Todo mundo correu atrás, de última hora, e lotamos o ônibus completamente. Depois de descer no início da Paulista e caminhar até a estação Brigadeiro, chegamos no albergue felizes e cansados. Daquele jeito exausto de quem acaba de vencer uma guerra, mas mantém o sorrisinho esperto de quem está muito satisfeito consigo mesmo.

afudê bagarai véi