Surpresa. Grande surpresa.Todo o burburinho que fizeram sobre o filme, é real. Todos os longos dez anos (?) que levaram para produzi-lo valeu a pena. Todo o auê de marketing não foi dinheiro desperdiçado. Se você tem vergonha na cara, não faça download, levante a bundinha e vá até o cinema contribuir seu dízimo para com qualquer porcaria de empresa que ajudou o filme a ser feito, porque, minha gente, é justo.
Avatar é simplesmente o melhor roteiro que eu já assisti na vida. E de longe um dos filmes mais emocionantes que eu já vi – semana que vem vou no 3D, ontem assisti na telinha normal.
Vou transcrever minhas impressões e opiniões sobre alguns trechos do filme.
SEM SPOILER
Resuminho rápido pra quem não assistiu ainda: A história é básica. Um cara de cadeira de rodas – com as pernas imóveis – é irmão gêmeo de um cientista fodão que foi recrutado para viajar ao planeta Pandora e lá colaborar com o departamento de pesquisas da base humana que se instalou lá. Só que o cientista fodão morre. Como é muito caro o investimento para se criar um avatar – ser geneticamente copiado dos habitantes de Pandora, os Navis, criaturas humonóides azuis, de uns três metros de altura, rabo e lindas expressões faciais – o paraplégico (que é soldado) acaba indo no lugar do gêmeo falecido. E ele acaba curtindo muito o seu Avatar, a ponto de preferi-lo a seu corpo humano. Plausível, eu acho que eu também preferiria. Viver em Pandora e ser Navi é o máximo, eles têm os ideiais e o sentimento de ‘mundo’ mais coerente que eu já vi. Sem contar que os efeitos visuais são demais!
Então, se ainda não viu o filme, o que tu tá fazendo aí sentando? Vai lá, porra. É um filme cheio de pancadaria das boas, com um roteiro plausível dentro do tema que é proposto, sem muitos clichês, tem um pouquinho de romance – acho que 0,5% -, fala sobre preservação ambiental (não diretamente), mostra máquinas futurísticas sendo usadas pelo exército, tem cenas LINDAS de elementos bioluminescentes em paisagens de tirar o fôlego, há um dos vilões mais cruéis da história do cinema – arrisco em afirmar, colocando minha mão no fogo -, tem bichos fantásticos que travam lutas entre si, tem um povo que vive compartilhando energia em harmonia – inclusive com plantas, dando todo um significado especial à ligação que eles tem com a vida em todo o planeta em que eles vivem -, tem cientistas com falas e ações super coerentes com o papel deles de cientistas (os biólogos, principalmente, vão se identificar), é uma crítica ferrenha ao capitalismo, e um GRANDE puxão de orelhas referencial à época da crueldade da colonização das américas.
Tem cada batalha no ar! Meu deus, é demais. Tem até uma cena de um Navi dando uma de Legolas; naquela cena que ele faz miséria em um olifante no segundo Senhor dos Anéis, só que em Avatar o cara faz isso com uma nave! Enfim, vai lá ver o filme de uma vez, pow.
COM SPOILER
Bah, eu juro que me vi na pele daquela cientista chefe do departamento de pesquisa na hora que ela recebeu na equipe dela um soldado sem conhecimento nenhum sobre pesquisa de campo. Vocês não sabem o quanto é difícil obter resultados e analisa-los, coletar material, usar bem as amostras, etc, e um cara que não tem noção de como se faz isso nunca vai conseguir fazê-lo de modo satisfatório de primeira. Se eu fosse ela, eu teria dado um soco no cidadão quando ele olhou para ela e respondeu “Dissequei um sapo na escola” quando ela pergunta qual era a experiência dele. E essa cena, para mim, é um dos símbolos de que a atuação da galera está impecável. Eu sou muito chata com isso, principalmente em filmes sci-fi, hi-tech, blablablá, porque é fato que sempre tem uns atores com cara-de-nada ou de mosca-morta que passam despercebidos por serem ofuscados pelo brilho dos efeitos especiais e batalhas impressionantes. Mas em Avatar isso não existe, todo mundo se puxou no seu trabalho.
Pandora é um lugar lindo. O produtor/diretor não nos poupa de detalhes, desde as plantas até os bichos mais colossais. É uma obra de arte. A noite do planeta é tocante, tudo lá brilha no escuro, até mesmo sementes de árvores e os próprios Navis. Vocês não sentiram seus olhinhos brilhando naquela cena em que o Jake tem seu fogo apagado e se dá conta da luminosidade própria do planeta, como se tudo estivesse ligado?
E está ligado, não é o máximo?!
Enfim, nota 10 para cena que eles tentam salvar a vida da cientista. Aquele bando de gente se tocando e dançando junto em volta da árvore, aquele canto primitivo… Isso mostra que sozinhos nós não somos nada, temos que nos comportar como uma coisa só para alcançar nossos objetivos. E a conexão deles com aqueles ‘cavalos’ bizarros e/ou bichões alados? Lindo lindo lindo. Eles sentem um ao outro, nada mais justo, é uma lição de desapoio à submissão e os maus-tratos aos animais, mesmo que alguém pense que eu estou louca por fazer tal conexão com este fato do filme. Sei lá, fizeram um ótimo trabalho com o filme.
E tem o adicional de ser um roteiro feminista, como a Lola falou. Mais da metade dos personagens fortes são femininos, algo inédito em Holywood. E nenhuma mulher no filme, em nenhum momento, é julgada por sua aparência física. Muito bom. Acho que a representação máxima do NÃO AO PATRIARCALISMO é a cena em que o general-locão-da-cicatriz está brigando com a cientista e ele diz “Cala a boca, mulher!”. Sei lá, foi tão forte que até eu segurei um eco na minha garganta, parece que essa frase dele – aos berros – entrou fundo nas minhas veias como se tivesse catalisado muitos sentimentos que já tive a longo da vida ao ser subestimada pela minha condição de mulher. Na hora eu pensei: putaquepariu, ele acabou com ela, agora fudeu minha idéia de que esse filme era feminista, ela ficou muda e vai ficar sem resposta para ele. Mas que nada! A cientista responde no mesmo tom de ofensa e desprezo que ele lançou para ela “Quem você pensa que é, recruta zero?!” (não é exatamente assim, mas é algo nesse estilo) e ela se vira para o cara do lado e diz “Faz o favor de educar esse cachorro?”. Muito bom, hehe. Pontos para o diretor.
Enfim, por enquanto é isso.
Acho que Avatar é o melhor filme que eu já vi até hoje, porque junta todos os temas que eu acho pontuais de ser levar para um blockbuster, tem efeitos completamente inovadores – afinal, até os bichos não parecem ter nenhum resquício de intervenção gráfica computacional -, é feminista e fala sobre ecologia.
Muito muito muito dez. Perfect, eu diria.











