- é fato que sempre que faço um post falando dos meus famosos desastres amorosos, o número de visitas neste blog triplica;
- quando falo que bebi demais, amigos próximos mandam e-mails para me lembrar que eu sou assim mesmo e não devo me envergonhar;
- quando posto alguma coisa sobre feminismo, alguém de repente começa a postar fotos sexista no facebook;
-sempre que eu deixo um bilhetinho carinhoso para empregada ela amssa e joga no lixo (acho que é manifestação tipo “eu tiro o lixo do seu banheiro e vc vem me mandar beijinho em bilhete? oi?”);
- as pessoas me procuram para desabafar e eu tenho reação de autista, não sei o que fazer;
- sofro bullying por não ser muito convencional;
- começaram a me pedir conselho amoroso por email, skype, msn… pessoas que nunca vi na vida (aviso: gente, olhem QUEM vcs estão consultando… pratico castidade contra a vontade, percebam o drama);
- eu sei que esse post vai bombar pq um fica twittando pro outro quando eu conto os motivos de eu ser loser para caramba.

nada de útil para fazer um artigo bom, beijos o/
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A pessoa aqui anda trabalhando bastante. No trabalho e fora dele. (Vida de freela com emprego fixo, para quê te quero, né?)

Daí que todo mundo diz que eu estou estressada e preciso aliviar a tensão. Ao invés de me indicarem massagistas, aulas de meditação, técnicas orientais, etc, meus amigos aconselham a aliviar o estresse no corpo de outra pessoa. Se é que vocês entendem o que eu quero dizer. Não tiro a razão, mas né, poderiam me indicar outros meios – mais fáceis.

E as amigas e amigos de São Paulo no maior clima vou-te-apresentar-um-amigo, e eu sempre sem jeito. Fiquei dois meses falando que eu estava feliz sozinha, muito bem, obrigada. Os únicos dois caras para qual meus olhinhos brilharam: um era gay, e o outro comprometido.

Eis que aparece alguém interessante. E solteiro. E legal. E bonito. E o mais importante: conheci sozinha, não foi nenhum encontro arranjado pelos meus amigos – acreditem, rolou mais de uma vez semana passada, umas quatro mês passado, e não deu certo em nenhuma.

Daí que todos os sinais de flerte, que eu arduamente penei para aprender a identificar há pouco tempo, rolaram. Me senti feliz, me senti jovem, me senti linda. Aí o esquema ia rolando de boa, e eu super segura do que aconteceria. Papo vai, papo vem. Contei para umas amigas, porque eu tinha receio, mas todo mundo me encorajou. Me disseram que não tinha problema. Me disseram que tudo o que o cara falou queria dizer que ele estava afim, e que eu estava fazendo draminha ao inventar tanto doce para ficar sozinha com a criatura.

Daí quando se engata a conversa em que eu acho que será frutífera… O mancebo me pede conselho amoroso para usar com outra garota.

Minha vida é um eterno FAIL.

Risos.

Três semanas morando sozinha: uma lâmpada queimada, um pote de café quebrado, um copo de vidro em cacos.

Lavar roupa na pia do banheiro. Usar o vapor do chuveiro para alisar as camisas. É tudo uma poesia, não?

Não.

Isso explica a preocupação da minha mãe ao falar que eu sou um perigo para mim mesma. Bem, até agora não me queimei, não me cortei -, mas fiz uns roxos nas pernas. Acho que está de bom tamanho.

Sobrevivo a mim mesma.

Faziam dias que eu queria trazer flores para o apartamento. Acho alegre, acho up, acho chique, acho feliz. Sinal de que há alguém na casa.

Caminhei bastante até comprar as flores. Uma branca e uma vermelha.

Quando tomei-as na minha mão, já na rua, saindo da floricultura e carregando compras de supermercado – porque malabarismo é comigo mesma – não resisti a encostar meu nariz naquelas pétalas e aspirar seu aroma profundamente.

Fui surpreendida pelo último cheiro que eu esperava. O cheiro da morte. As flores eram cravos, e pela primeira vez na vida realizei que o cheiro de cravos, para mim, é cheiro de defunto. De repente lembrei de todos os velórios que eu já fui na vida. Lembrei daquela dor, aquele gosto ruim estranho, o mal-estar. A vontade de dizer adeus para alguém que nunca mais vai se ver. Lembrei daquela coisa seca e incompreensível de se ver um amigo, um parente, um conhecido,  indo embora da sua vida sem aviso prévio. Aquele clima de cemitério que sempre foi tão presente na minha adolescência, marcada por mortes de pessoas queridas, que ocorriam dos jeitos mais inexplicáveis e inesperados, violentos ou gradativos, repentinos ou aguardados.

Cheiro de defunto. Os cravos cheiram a defunto.

Tudo isso passou pela minha cabeça durante um segundo. Fechei os olhos e enchi o peito de ar. Cheirei as flores de novo. E a tristeza da morte ecoou dentro de mim como algo distante. Uma lembrança. Não chegava a ser algo agradável, mas subitamente passou a ser algo confortável de se viver.

Porque a gente se acostuma, o tempo cura. Porque de repente os sorrisos que você arrancou da pessoa que morreu se tornam muito mais nítidos do que o dia do seu enterro, e as lágrimas que ela lhe arrancou. O cheiro de defunto que invadia minhas narinas de repente não era algo ruim. Era a nova forma de convívio que eu enxerguei, para ter perto de mim – de uma forma diferente – a lembrança de pessoas que fazem tanta falta. E eu sempre finjo que não fazem.

Nada dá para fazer por enquanto. Só colocar os cravos no recipiente improvisado na sala, respirar o cheiro de defunto dentro da própria casa, e se dar conta que esse cheiro não assusta e nem provoca asco. Só virou, simplesmente, o meio de aceitação do que aconteceu. A nova forma de convívio com alguém que se ama, mas não se pode mais tocar.

Insisti tanto que finalmente consegui uma ressaca, seja lá o significado que isso tenha para minha vida agora ou não.

Mas uma coisa esquisita nessa ressaca é que eu acordei refletindo. Refletindo meus problemas. Eu tô sempre naquela vibe de não-tenho-problemas-sou-uma-pessoa-feliz, porque quase sempre as coisas dão certo quando eu me esforço, e quando eu não me esforço, de alguma maneira sempre acaba acontecendo algo que eu possa aproveitar. Só que eu devo forçar a barra às vezes, não sei, talvez eu seja aquele tipo de pessoa rasa, que se contenta fácil, que não tem desejos muito grandes.

E poxa, acho que sou sim.

Daí que eu acordei pensando na noite anterior e o quão arrogante e sabichona eu devo estar posando para as pessoas. Quando bebo eu tenho mania de falar muito sobre mim, e isso me dá nos nervos, é meu maior defeito. Eu juro que às vezes eu deixo de beber em certas ocasiões, para não fazer isso, porque é meio incontrolável, e as pessoas se aproveitam de mim nesse sentido; elas não param de me perguntar, elas insistem, ficam curiosas. E porra, eu tenho milhares de histórias para contar; tipo, é história que nunca acaba. Sempre tem mais e mais, e isso que eu nem viajei muito ainda, mal sai da teenager.

E isso me levou a pensar nessas minhas chatices, e lembrei que sempre levo a desmercida fama de esquisita. Ok, posso trabalhar com isso. Mas por quê esquisita?

Eu fiz uma porrada de coisas nesses meus modestos 21 anos de vida, e já me aconteceram as coisas mais sem noção. Andava a cavalo nas férias e fui fazer aula de equitação na cidade; acabei caindo 7 vezes do cavalo num período de dois anos até me convencer que era um esporte perigoso e ridiculamente caro. Tomava lições de canto lírico com o amigo barítono, mas odiava. Fiz natação dos 4 aos 13 anos e nunca ganhei uma medalha. Joguei volei  e fui até seleção mirim de Porto Alegre aos quatorze. Aos 17 dei aula de robótica para crianças de vila durante um estágio. Trabalhei com atendimento a cliente e quase tive um surto psicótico. Já fiquei de babá da minha falecida vó na noite de ano novo. Já programei em linguagem C e cansei. Fui telefonista, sendo que odeio telefone. Fiz aula de dança de salão por três meses, e depois me joguei na aula de tango numa turma de idosos (oi?). Banquei a intérprete de frânces aos quinze anos durante duas semanas, depois nunca mais estudei a lingua e mal consigo pronunciar merci beacoup adequadamente. Militei um pouco nas esquinas democráticas da vida. Também vomitei muito por aí; na sala de estar do meu amigo no pé do pai dele, no terno de um ex-colega de trabalho, no pé do ex-namorado, etc. Fui assediada pelo tatuador no meio da sessão de tatuagem e fui embora com a tatuagem inacabada. Já tentei praticar mergulho mas não deu certo.  Tocava bateria quando criança mas era ruim para cacete. Comecei a fazer aulas de violão e dois meses depois  roubaram o violão. Fiz aulas de street dance por um ano. Andei de skate por uns meses e nunca tive tantos roxos no corpo. Tentei balé, judô, patinação artística, tudo antes dos doze. Sou maluca.

Pensando nesse infinito de coisas que já aconteceram comigo – isso que nem ouso começar a listar as coisas da faculdade que eu estava fazendo, que mais inusitada não poderia ser, física – eu cheguei a uma conclusão. Eu tenho um problema.

Não é possível uma pessoa ser curiosa ao ponto de fazer toda essa porrada de coisas, e saber um pouquinho só de cada uma. Preciso me centrar.

E depois eu bebo para caramba no bar e as pessoas começam a me perguntar o que eu faço e o que eu fiz da vida até então – aqui em São Paulo isso anda acontecendo com certa frequência, as pessoas acham a maior importância saber sua profissão e formação, e habilidades adicionais, como se a gente fosse acumulando pontos conforme a relevância das atividades; acho boring – e chega uma hora que é insuportável, fica aquele ar de “porra, que mina chata, mó novinha e já fez tudo isso”. Fiz o caraléo, né, tentei e não deu certo.

Mas sabe, pelo menos eu consigo deitar a cabeça no travesseiro e fechar o olho tranquila. Aquela sensação ridícula de não saber o que se quer da vida, mas pelo menos saber o que não se quer. Porque eu posso dizer que ao menos eu tentei.

E a próxima coisa que eu quero para minha vida é: falar menos quando estou bêbada.

É, eu tenho um problema.

Estou virando uma pessoa séria.
Eu juro.

Comprei panos de prato, lavo a louça e arrumo a cama todos os dias porque tenho dó da empregada. Fui no mercado e não comprei doces, só leite de soja, papel higiênico, detergente, lâmpada (porque eu queimei duas brincando de rave sozinha na sala), sal, óleo, arroz, miojo (óbvio, né), etc. Tenhos dois copos e uma xícara, que é para não tornar real a idéia de trazer todos os amigos de uma vez para dentro do apartamento que nem é meu.

Sábado foi o cúmulo. Fiquei doente, mas queria muito ir ver o cover de Beatles, então no primeiro sinal de melhora fui para rua, encontrei amigos, e entrei em enfermidade plena de novo. Tomei uns anti-alérgicos nonsense e virei um zumbi andando pela avenida Paulista. Até simulei uma pessoa normal, fui comer e tomar cerveja indiana, mas não deu muito certo. Voltando para casa depois de uma hora e meia na rua só, minha mãe me liga implorando para eu não sair, porque São Paulo é perigoso, etc – detalhe: minha mãe mora em Porto Alegre – num ataque maluco que ela tem de vez em quando, de superproteção. Daí que, só para sacanear, no meu delírio de febre, eu disse que estava indo para o outro lado da cidade curtir uma festa, e estava entrando no metrô naquele exato instante.
Na verdade eu estava esperando o elevador do prédio.

Sou normal?

Às vezes tenho saudade de hábitos não muito dignos.

Ontem cheguei a conclusão de que não fazia sentido não ter mais ninguém para encher meu saco quando eu ficasse bêbada de tropeçar, se eu não aproveitasse a chance. Tipo, qual é a graça? A pessoa passa anos babando de raiva porque passou anos ouvindo sermão do pai, da mãe, a risada debochada da irmã que ligava Restart bem alto quando a pessoa estava de ressaca, os amigos íntimos dando lição de  moral no fim da noite, etc. Aqui em em SP no hay irmã nem pais chatos,  e os meus amigos daqui ainda não são íntimos os suficiente para me pegar pelo pulso à força e dizer: você passou do limite.

E daí que ao invés de aproveitar e adotar o estilo Ferris Buller de viver, a cidadã aqui vai dormir todos os dias as 22h e acorda as 6h20 para tomar leite de soja, fazer alongamento, e ler livros no notebook.

Então ontem eu pensei: CHEEEGA! QUERO MIJOGAR NO ALCOOHOL E FUCK REHAB!

Passei o dia no FLISOL, dei a palestra, etc etc. No fim do evento sai com uma amiga para um pub.

Quase 1 litro de Guinness depois, ensaio fumar um cigarro, mas finjo que fumo, porque não aguento mais fumaça de Lucky Strike, Malboro, Free, ou qualquer coisa que induza fumaça cinza para minhas vias nasais ou pulmões. Poser. Fumei fingindo, subindo a rua Augusta, como se eu fosse tão junkie e subversiva quanto aqueles adolescentes de penteado de David Bowie e roupa neon. A diferença era que eu sabia que eu não era junkie como eles, e sabia que nem eles eram junkies quanto pensam – afinal recentemente tive a mesma idade que eles, não? Tô ligadíssima na arte poser de auto-afirmação de ser.

Aí vou visitar um casal de amigues, e não é que o povo gosta de cerveja quase que mais do que eu? Sei lá, acho que umas cinco cervejas diferentes depois – de novaiorquina a jamaicana – eu estava pensando “Hoje vai ser dia de fuck rehab mesmo, já não era sem tempo. Já vou tomar os Engovs”.

Mas eu não tinha Engov. Bem, pensei lá com meus botões, azar. Faria um revival aos velhos tempos da ressaca maldita, em que acordava com a cabeça igual a do Bob, do Estranho Mundo de Bob.

Cai na balada. Primeira coisa que eu peço no balcão: um mojito, por favor. Já estava quase jogando um beijinho de bêbada para o garçom gatinho, quando percebo – como um soco no meu estômago – que eu não estava bêbada.

Tomei o mojito, andei pela pista. Parei do lado da caixa de som. Nada. Nem uma tonturinha. Nem um girinho.

As pessoas falavam comigo  e eu entendia.

Comecei a ficar com sono. Pedi uma água. Eram 2h da manhã e eu sonhava com o edredon da minha cama. Fui pagar a conta, um bêbado autêntico me puxou pelos cabelos, eu empurrei, ele veio de novo, eu empurrei de novo, ele deu com a garrafinha de Stela Artois na própria cabeça.

De repente eu dei graças ao céus e lembrei que grande idiotice seria ficar bêbada. Será que eu estaria batendo com uma long neck na minha própria cabeça? Talvez fizesse pior, se bem me conheço.

Então, cheguei em casa, lavei o rosto, botei o pijama, ajeitei a cama, tirei maquiagem, etc etc. Dormi. Acordei as 10h, sem dor de cabeça, sem gosto de meia velha na boca. Um milagre.

Agora eu pergunto: devo começar a me preocupar? Há algo de errado com meu fígado? Será que nunca mais na vida vou conseguir ficar bêbada?

Fim da história.

Algumas pessoas acharam de bom tom me deixar dar uma palestra no Fórum Latino Americano de Instalação de Software Livre (vulgo FLISOL) aqui em São Paulo.

 

Mas vá lá, eu não vou ensinar ninguém a instalar Linux.

 

Vou falar de WordPress.

 

Então, se você sempre quis saber qual é a diferença entre WordPress.com e WordPress.org, se você sempre quis saber como adaptar um tema wordpress, se você sempre quis saber como ter domínio próprio, se você sempre quis saber o que é CMS… Bem, essa é sua chance de sanar a dúvida.

Inscrições (hoje é o último dia, sorry): aqui

Vai acontecer neste sábado, dia 9 de abril, às 13h, no seguinte endereço:

Rua Teixeira da Silva, 660, 11° andar – Paraíso

CEP: 04002-033

São Paulo – SP, Brasil